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“Modelo de gestão deve ser mais visionário”

Atual diretor geral da Sudesb (Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia), Bobô é voz ativa quando o assunto é futebol nordestino. O título brasileiro de 1988 pelo Esporte Clube Bahia, além da reputação construída em equipes grandes do país, lhe dão licença para opinar quando o tema é a fase ruim no Norte/Nordeste.

Quais fatores explicam a presença maciça de clubes da região na zona de rebaixamento dos últimos Campeonatos Brasileiros?

Falta planejamento a longo prazo, vejo que se trabalha muito com o imediatismo. É raro os clubes fazerem investimento na base. O Bahia, por exemplo, investiu muito na formação, mas no primeiro sinal de dificuldade tirou as verbas. Falta uma visão empresarial, não adianta ter um time bom e não ter garotos, pois são estes que darão dinheiro no futuro. O Vitória fez isso durante décadas e dá rendimento. Essa política de só comprar tem que terminar, os clubes do Norte/Nordeste deveriam se especializar na formação.

Como segurar as jovens promessas por mais tempo?

A Lei Pelé tem prejudicado os clubes formadores, creio que por isso seja preciso se proteger melhor. Acredito que isso já esteja em pauta no Congresso Nacional. Se você – no Sport, no Santa, no Bahia, por exemplo – dá dois salários mínimos pra um garoto da base, vem um grande de São Paulo e oferece o triplo pro menino ir. Hoje, a lei obriga a profissionalizar já aos 16 anos, e aqui no Nordeste pouca gente faz isso e acaba perdendo os direitos, além de beneficiar empresários e outros atravessadores.

Os jogadores que chegam a um clube nordestino, após passar por centros maiores, não encaram profissionalmente como deveriam? Como competir com clubes maiores de outras regiões?

Todos os clubes, independente de ser de uma ou outra região, são importantes. É importante recuperar a condição em um clube daqui, pois o jogador arrebenta e depois volta pra um lugar maior. Se o cara é indisciplinado, vai ser em qualquer lugar. Tudo pra mim é planejamento, é buscar recursos financeiros e priorizar algumas coisas. Hoje se gasta muito dinheiro e, se não dá certo, mandam todo mundo embora no meio do ano. Quem se planejou, vai colher. O Santa Cruz em 2005 teve um grande ano, mas não se planejou pra temporada seguinte, perdeu jogadores importantes e acabou caindo.

Acho que dá pra brigar com os outros sim. Os clubes são pouco trabalhados, não há, em geral, atenção com o marketing e a visibilidade, embora as próprias televisões não ajudem muito. Precisamos de um modelo de gestão mais visionário. Quando joguei no Internacional, o clube estava devastado. Hoje é campeão mundial e um modelo de sucesso.

Algum exemplo de como instigar ainda mais a participação dos torcedores, tão importante nos clubes da região?

Vejo que, especificamente aqui na Bahia, pode se explorar os torcedores dando direito de voto. Os dirigentes precisam entender que depender só da bilheteria é pouco. Tem que mudar o pensamento, planejar, modernizar e trabalhar muito.

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Equipe Trivela

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