“Mentirosos!”

Nosso radar pelo mundo mira a Líbia, norte da África, onde após seis rodadas checamos como anda a situação por lá. O papo é com o lateral-esquerdo brasileiro Arthur, do Al-Olomby, 8º colocado entre os 16 participantes. Mineiro de Carangola e com passagens por Botafogo e Paraná Clube, o ‘Arthur Carangola’, como é conhecido o jogador de 26 anos, vem sofrendo com salários atrasados e critica os dirigentes que transitam pela região.
“Todos mentirosos e de mau-caráter” garante.
Para Arthur, não existe nenhum ‘Oásis’ no futebol do norte da África. Confira!
Qual o objetivo do seu clube, o Al-Olomby, no Campeonato Líbio?
O objetivo é ser campeão, mas pelo que estou vendo será quase impossível, eles são muito desorganizados dentro e fora de campo e isso conta muito pra quem quer ser campeão.
Porque você trocou o Stade Gabesien da Tunísia pelo Al-Olomby, da Líbia?
Eles não estavam sendo profissionais comigo em todos os sentidos, então surgiu a proposta do Al-Olomby através do treinador aqui e aceitei.
Algumas fontes já nos contaram que o futebol da Líbia é totalmente desorganizado e com dirigentes amadores que não cumprem acordos. É por aí?
Com certeza, estou aqui há três meses e ainda não recebi salários e nem a outra parte do dinheiro da assinatura. São totalmente desorganizados.
Apesar da proximidade dos países, existe muita diferença entre o futebol da Tunísia e da Líbia?
Na Tunísia é um pouco melhor por ser mais visto, mas fora de campo é tudo a mesma coisa, dirigentes mentirosos e de mau-caráter.
O Al-Ittihad, de Trípoli, domina o futebol líbio com uma margem considerável em relação aos demais e ganharam 6 dos últimos 7 títulos disputados. Eles são imbatíveis?
Não! É uma equipe de pouca qualidade, pelo nome que tem, este ano não chegarão nem entre os três…
Ignorando questões de adaptação, puramente pela qualidade, existem jogadores líbios que teriam condições de jogar uma Série C ou B no Brasil?
Eu ainda não enfrentei todos, no meu time, por exemplo, só tem um que poderia jogar uma Série B em bom nível. O futebol aqui é muita correria, sem tática.
A cidade de Zaouia tem alguma coisa legal pra fazer ou ver?
Cara, aqui não tem nada. Minha rotina aqui é treinar, jogar e ficar na internet.
Se aproximar das mulheres é impossível, não?
É difícil até de vê-las (risos). Elas andam cobertas, iguais aos ninjas (mais risos). Mas pelo que vi as tunisianas são mais bonitas.
Já aconteceu alguma situação engraçada com você nas ruas de Zaouia?
Sempre (risos). Quando eu vou comprar algo na farmácia ou loja, tenho que fazer gestos porque eles só falam árabe, alguns entendem inglês e eu enrolo o francês. Nos treinos eu me mato de rir quando o treinador pede pra ‘bater de três dedos’ na bola, mas eles não sabem, parecem que vão quebrar o pé (mais risos).
Como foi sua experiência na Albânia?
Cara, o empresário que me levou roubou meu dinheiro da assinatura do contrato, hoje sou mais atento com empresários…
Você rodou por muitos clubes aqui. Qual o Campeonato Estadual mais difícil que disputou?
O paulista quando atuei na União Barbarense, muito nivelado.


