Meias verdades

Não é de hoje que as coletivas do professor Dunga são imperdíveis. Não bastasse a babação de ovo de alguns repórteres, a maioria cariocas, o treinador da CBF, quase sempre, solta alguma pérola. Ou por ser inexperiente, ou por ser descontrolado, ou por se prestar ao papel de fantoche.
A convocação desta terça-feira, evidentemente, não podia sair do script habitual. Dunga disse que os Jogos de Pequim não são prioridade. “Se entrarem no site da Fifa, não tem nada de seleção olímpica. Os amistosos são para os jogos da seleção principal”, disse o professor da CBF.
Para começo de conversa, Dunga já se contradiz pela lista de convocados. Há dez nomes sub-23 na relação para enfrentar a Suécia. Jogadores como Thiago Neves, Léo e Rafael Sóbis (!), certamente, não seriam lembrados se a chamada não tivesse conotação olímpica.
A verdade, que não é dita, é que Dunga simplesmente não pode utilizar os amistosos da seleção principal para preparar a equipe olímpica. Quem contrata o verde-amarelo, evidentemente, quer é colocar Kaká, Robinho e companhia dentro de campo. Não Bobô, Maycon, e outros lembrados pelo gaúcho.
O pior, porém, é Dunga se prestar ao ridículo em tentar desmerecer os Jogos de Pequim. Ele, melhor do que ninguém, sabe da importância da medalha de ouro para o futebol brasileiro. Sabe, inclusive, que uma campanha ruim pode ser uma pá de areia sobre seu trabalho. Aí, Dunga se presta ao papel de fantoche.
Quando os Jogos começarem, o Brasil será apenas um punhado de bons jogadores, sem qualquer preparação e mínimo sentido coletivo. Dunga, que hoje diz não ser prioridade, tentará motivar seu elenco com quais argumentos?
Se vier a derrota – acredite, não torcemos por ela, o Brasil ouvirá mais uma vez o velho discurso de que é o único título que a verde-amarela não tem. Entenda, leitor, o nosso papel crítico. Afinal, gente para babar o ovo e encobrir os erros existe aos montes. Uns até oficiais.
Para ler mais, veja de hoje no Olheiros com Gustavo Vargas


