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Mascherano: ‘Não haverá outro Maradona’

A menos de dois meses da estréia na Copa, a Argentina tenta se mostrar preparada para evitar uma decepção como a ocorrida em 2002, quando chegou à Copa como favorita destacada e caiu na primeira fase. A fórmula principal é tirar a responsabilidade, do time. E, por mais inusitado que possa parecer, esquecer Maradona.

É isso o que revelou Mascherano em entrevista exclusiva à Trivela. Para o volante do Corinthians e da seleção argentina, os jogadores têm de evitar as comparações com o ‘Diez’. ‘A Argentina nunca mais terá um jogador como ele e criar uma expectativa de que alguém repetirá o que ele fez é prejudicial’, comenta.

Entre as outras atitudes tomadas para diminuir a pressão sobre o time incluem jogar o favoritismo para o Brasil e encarar com respeito as dificuldades da primeira fase. Até porque os argentinos caíram, mais uma vez, no considerado ‘grupo da morte’, com Holanda, Costa do Marfim e Sérvia-Montenegro.

Veja alguns trechos da entrevista de Mascherano à Trivela (a entrevista completa está na edição número 3 da revista Copa’06):

O jogador argentino aprende desde cedo a ver o lado tático do jogo?
Tem um processo para acostumar. Principalmente no meu caso, que atuo numa posição em que você precisa estar mais atento a essas questões. Ser atacante é muito mais fácil do que ser zagueiro ou volante de marcação. Principalmente aqui no Brasil, em que o atacante só precisa driblar o zagueiro e entrar no gol. Como um jogador de marcação, não posso errar. Se eu erro ou um defensor erra, é muito provável que saia um gol.

Simeone disse recentemente que “a Argentina tem bons jogadores, mas o Brasil tem craques”. Você concorda com essa afirmação?
O Brasil tem grandes jogadores. É só olhar a lista dos melhores jogadores do mundo nos últimos dez anos. Cinco foram brasileiros: Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo. Talvez a diferença é que ainda não tenha aparecido algum que chame tanto a atenção quanto a maioria dos brasileiros. Agora tem o Messi, que tem tudo para estar entre os melhores em alguns anos, mas ainda não está no mesmo nível dos brasileiros.

O que você achou do grupo em que a Argentina caiu, mais uma vez considerado o “grupo da morte”?
Difícil. Costumo dizer que temos de respeitar as outras seleções, mas acho que eles também devem de estar muito preocupados por ter de enfrentar a Argentina.

Dá para apontar qual dos três será o mais difícil?
O primeiro jogo tem tudo para ser o mais complicado pela ansiedade de enfrentar um time africano, o que não costuma ser fácil, além da necessidade de obter os três pontos. Ganhar o primeiro jogo do Mundial é muito importante para dar tranqüilidade no restante da primeira fase.

Essa é a segunda Copa consecutiva que a Argentina cai no grupo considerado o mais difícil. De alguma maneira o fracasso de 2002 preocupa vocês?
Mais a imprensa argentina, que trata nosso grupo como “da morte”. Desta vez nossa seleção chega de outra maneira. Em 2002, fomos à Ásia como favoritos ao título; agora vamos sem tanta pressão.

Quais os pontos fracos da seleção argentina hoje?
Os jogadores machucados. Lamentavelmente, seis ou sete jogadores estão lesionados gravemente. A grande preocupação é com a maneira que eles estarão quando começar a Copa. Por outro lado, tem jogadores que chegarão mais descansados. Na última revista de vocês, há uma matéria que diz que Ronaldo e Rivaldo chegaram em 2002 com poucos jogos, depois de estarem contundidos. Tomara que isso faça uma diferença a nosso favor.

E os pontos fortes?
O time está muito bem e temos jogadores que são importantes em seus times e estão passando por bons momentos, como Messi, Riquelme, Crespo e Carlitos.

Já virou tradição na Argentina comparar jogadores promissores ao Maradona. Isso de alguma maneira os prejudica em início de carreira?
Não dá para comparar. A Argentina não terá outro Maradona. É quase impossível alguém repetir o que ele fez. Teremos sempre bons jogadores e logicamente a imprensa sempre vai fazer esse tipo de comparação, mas nós, argentinos, temos de esquecer que haverá outro igual. Isso nunca vai acontecer. E essas comparações podem, sim, prejudicar. A todo momento vão esperar que esses jogadores repitam o que fez Maradona – e ninguém vai fazer, pois Maradona só houve um.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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