Marlon: “Recebi uma sondagem para defender Togo”

Radicado em Angola há três anos, o zagueiro Marlon defende atualmente o Cabinda, da primeira divisão do país. Completamente desconhecido no Brasil, onde defendeu apenas equipes pequenas, se diz muito bem adaptado ao futebol africano.
Marlon chegou a receber, até mesmo, um convite para defender a seleção de Togo, algo que acabou não se concretizando. Confira a entrevista do jogador.
Como você foi parar em Angola?
Aconteceu no final de 2008, quando tinha acabado meu contrato com o Olaria. Surgiu um contato com essa possibilidade de vir para Angola. No momento achei interessante, todo o projeto que foi apresentado, então acertei tudo, cheguei em 2009 e estou até hoje.
Para quem não te conhece, como é seu estilo de jogo?
Sou forte na marcação, tenho um bom posicionamento, tempo de bola, gosto de sair para o jogo quando há a possibilidade, bom na bola aérea e muito vigor físico.
O que você pode falar sobre a seleção angolana, já que está há muito tempo no país?
A seleção angolana é um bom time, apesar de algumas carências. No meu ponto de vista acho que precisa de reformulação, mas isto é com o tempo.
O futebol aí é competitivo?
Sim, acredito que de uns anos para cá tem ficado muito competitivo e a tendência é evoluir cada vez mais.
O seu time, o Cabinda, tem outros brasileiros?
Aqui no Cabinda tem mais um brasileiro, e estamos bem adaptados já.
Muito se reclama da estrutura do futebol brasileiro. Como é em Angola?
Aqui os clubes já oferecem grande estrutura para trabalhar. É claro que ainda existe muita coisa a ser feita, mas conforme falei anteriormente, a tendência é evoluir cada vez mais.
Ano passado vocês fizeram um campeonato irregular, e neste ano já estão bem melhores. O que mudou?
Acredito que tenha mudado principalmente a mentalidade. Tivemos dificuldades no ano passado e acredito que aprendemos com os erros. O técnico foi mantido e chegaram reforços, jogadores experientes que estão ajudando muito dentro de campo.
Fale um pouco sobre o seu clube.
O Cabinda é um clube de médio porte, que estava há cerca de sete anos sem disputar o Girabola [nome dado ao campeonato da primeira divisão]. Estava na segunda divisão, e graças a Deus tive a felicidade de chegar em 2009 e conseguir ajudar o time a subir. É um clube que tem projetos e boas ambições para o futuro.
Quais são as expectativas para a temporada, tanto no nacional quanto no continente?
As expectativas para esse ano são as melhores possíveis. Começamos bem, estamos bem na competição, queremos subir cada vez mais. E na Taça, poder chegar o mais distante possível, será a primeira vez que vamos disputar e esperamos estrear com o pé direito.
É verdade que você quase defendeu a seleção de Togo na Copa de 2006?
Sim, quando estava na Portuguesa, recebi uma espécie de sondagem para me naturalizar e posteriormente defender a seleção de Togo. Foi através de um empresário que nos procurou, éramos quatro jogadores. Chegamos a ir para lá, ficamos treinando com o pessoal da seleção e tudo, só que pelas leis nós não teríamos tempo suficiente para uma naturalização, eles queriam fazer do modo deles, uma espécie de naturalização forçada. Só que isso caiu também na boca do povo de lá. Eles eram contra essa naturalização forçada e com isso surgiram conflitos internos e acabou melando todo o negócio.
Fale um pouco sobre sua carreira no Brasil.
Eu comecei na Portuguesa (RJ), onde também me profissionalizei, fui campeão do campeonato estadual da segunda divisão e conseguimos o acesso em 2003. Depois passei por São Cristovão, Goytacaz, Volta Redonda, Olaria e algumas experiências fora do país.
Tem vontade de retornar ao Brasil?
Olha, eu tenho vontade de retornar sim. Estou aqui há três anos, e tenho vontade de retornar em um clube que ofereça boas condições para trabalhar.


