Marcos Senna está próximo da Copa

A vontade era tanta que o sonho virou realidade. Depois de conseguir a cidadania espanhola e de tanto pleitear por um lugar na seleção espanhola, Marcos Senna enfim conseguiu o que queria. Nesta segunda-feira o técnico Luís Aragonés convocou o volante brasileiro, agora naturalizado espanhol, para um período de ‘convivência’ junto a outros 32 jogadores espanhóis. A partir da próxima segunda-feira, o meio-campista estará ao lado de Casillas, Puyol e Raúl, dando início ao sonho de disputar a Copa do Mundo.
Nesta entrevista concedida por telefone à Trivela de sua casa, na Espanha, na última quinta-feira, Marcos Senna falou a respeito de sua vontade de defender a Fúria. “É uma oportunidade na minha vida de ir para o Mundial. Depois, já era.” O volante, porém, entregou que seu coração ainda bate forte para o Brasil. “É claro que se estiver jogando pela Espanha farei de tudo para ganhar da Seleção Brasileira, mas se eu não jogar, num eventual confronto entre as duas seleções, pode ter certeza de que torcerei pela brasileira.”
Único brasileiro em uma legião de argentinos no Villarreal, Marcos Senna já está longe de se sentir um estrangeiro em território inimigo. A rivalidade sul-americana ficou para trás com a convivência com Sorín, Riquelme e Javier Rodriguez. Graças a esse conjunto é que o Submarino Amarelo tem conseguido bons resultados tanto no campeonato espanhol quanto na Liga dos Campeões. De azarão, o ‘Submarino Amarelo’ está muito próximo de garantir a inédita passagem às oitavas-de-final. “O time não tem tradição na competição, não é favorito, mas corre por fora. A gente acredita que pode ir longe”, disse o ex-jogador do Corinthians e do São Caetano.
O volante também tratou de um assunto delicado e motivo de preocupação na Europa: as crescentes demonstrações de racismo vindas das arquibancadas. “Às vezes a torcida adversária fica com raiva e não sabe como agredir um jogador e essa é a maneira que eles encontram.”
Confira a entrevista com Marcos Senna
Após conseguir a dupla cidadania, o que mudou em sua vida?
Mudou muita coisa. Antes, as chances de ir para outro clube eram mínimas. Eles têm três estrangeiros por clube e para contratar outro precisa ser alguém que está muito bem. Para isso, analisam a idade, por exemplo. Como estou com 29 anos seria mais difícil. Agora não, a possibilidade é grande por não ocupar vaga de um estrangeiro. Sou comunitário e tenho grandes chances de ir para a seleção espanhola, já que minhas chances na brasileira são praticamente zero. Os jornais daqui falam que o Luis Aragonés está a ponto de me convocar. Depois de obter a dupla nacionalidade, vejo um outro caminho para mim por aqui.
Você acredita que irá defender a Espanha na Copa?
O Parreira já escolheu praticamente todos. Se eu tivesse 20, 22 anos eu até esperaria um pouco mais. Porém, já tenho 29 e não tenho mais o que esperar. É uma oportunidade na minha vida de ir para o Mundial. Depois, já era.
Você esperava que a classificação da Espanha para a Copa fosse tão sofrida?
Não. Pelo grupo em que a seleção estava ela se classificaria com mais facilidade. Foi uma classificação sofrida. Mas isso também aconteceu com a Inglaterra.
O que falta para a Espanha ser considerada uma grande seleção?
Quem está no Brasil deve imaginar que a Espanha deva estar entre as grandes. Eu não vejo assim. Não tem tradição em termos de títulos, nem histórias em finais de Copa do Mundo, nada disso. O campeonato espanhol é muito conhecido pelos estrangeiros e os clubes têm condições de bancá-los. Os jogadores espanhóis são muito bons, mas como existe aquela pressão por nunca ter ganhado nada fica mais difícil para eles. Vi vários jogos da seleção espanhola e percebi que, quando está 0 a 0, eles vão muito bem. Partem para o ataque, criam ocasiões de gol e marcam um, dois gols. Depois, eles não fazem como as seleções argentina e brasileira, que buscam o terceiro, quarto. Eles já querem defender a vitória até o final e erram. Acho que falta um pouco mais de ambição dos jogadores.
Hoje, quais os pontos fortes da seleção espanhola?
A seleção espanhola tem um goleiro experiente como o Iker Casillas, que já ganhou a Liga dos Campeões com o Real Madrid e é um comandante lá. Tem um ataque muito bom, com o Raúl, e muitos jogadores bons surgindo agora. Mas falta reforçar um pouco o meio-campo e as laterais, apesar de o Michel Salgado ter experiência. É uma boa seleção, porém sente o peso. Eles deveriam jogar despreocupados, unir mais forças e levar isso por outro lado, de mais garra, com o pensamento de “a gente nunca ganhou nada e tem condições de vencer”. Copa do Mundo sempre tem surpresas. Vamos ver o que acontece. No mundo inteiro se comenta que o Brasil é favorito e tenho medo disso. Tenho grandes chances de jogar na seleção espanhola, mas torço para o Brasil. Claro que se estiver jogando pela Espanha farei de tudo para ganhar da Seleção Brasileira. Mas se eu não jogar e Brasil e Espanha se enfrentarem, pode ter certeza de que torcerei pela Seleção.
Em um jogo contra a Inglaterra, a torcida espanhola fez manifestações racistas aos jogadores negros do rival. Você acha que a torcida receberia bem um negro na seleção?
Comigo isso nunca aconteceu e nem cheguei a presenciar alguma manifestação de racismo mesmo quando havia outros negros no meu time ou em equipes contra as quais joguei. Nunca vi. Acho que aqui na Espanha não é como se fala, não é tanto assim. Na Itália é muito mais forte, na Inglaterra… Aqui às vezes acontece um ou outro caso mas acredito que seja uma maneira dos torcedores se defenderem. Por exemplo, quando o Eto’o joga contra o Real Madrid ou outros times e faz um gol se manifesta de um jeito. Às vezes a torcida adversária fica com raiva e não sabe como agredi-lo e essa é a maneira que eles encontram. Se fosse algo muito racista assim, ele sofreria racismo também por parte dos torcedores do Barcelona. Por isso eu não me preocupo. Por onde eu vou, as pessoas sabem que eu tenho grandes chances de ir para a seleção e me recebem bem, dizem que gostariam de me ver com a camisa da Espanha.
Na Itália, houve o caso recente com o Zoro Kpolo, do Messina. O que você achou disso?
Pelo o que eu vi, a reação dele foi ótima. Ele pegou a bola, foi em direção ao árbitro e disse que não dava mais para agüentar aquilo. E o juiz também disse que pararia o jogo se a torcida da Inter continuasse daquela maneira. Não sei, talvez se interditasse o estádio, se o time perdesse pontos, etc, seria uma forma de frear isso. Mas não sei se seria uma solução para o problema.
Você acredita que o Villlarreal tem chances de se classificar para a próxima fase da Liga dos Campeões?
Estamos a um empate da classificação, mas se perdermos estaremos fora. Por isso, está muito justo. O grupo é muito disputado. Acredito que, em teoria, meu time tem 99{a12cf170529acbd7b36c6d9566dcea6b97d0f72dc979800f5851fcdd34e7d94a} de chances de se classificar por dependermos apenas de um empate. O último jogo é em casa contra o Lille que, teoricamente, não é forte e nem tem história na LC.
Você pensava que iria encontrar tanto equilíbrio neste grupo?
Todos pensavam que o Manchester United se classificaria longe, em primeiro, e não foi bem assim. Aliás, o time corre risco de não se classificar, pois enfrenta fora de casa o Benfica.
O Manchester não é mais aquele bicho-papão?
Sinceramente eu achava que eles fossem se classificar cedo, não que fossem eliminados. Pode ser que isso aconteça, pode ser que não. Confio muito no time que a gente tem. Temos um grupo entrosado, fizemos uma ótima campanha no ano passado. Disputamos a Copa Uefa, que já foi uma lição para nós, e neste ano jogamos pela primeira vez a LC. Confio no Villarreal, pois a equipe é muito boa, determinada e tem qualidade.
Na sua opinião, porque tão poucos gols foram marcados na chave?
Isso aconteceu devido ao equilíbrio. Os outros times empataram não só em casa como fora também. Até a última rodada não saiu um classificado ainda. A respeito dos gols… (pausa) Falta Romário no nosso time (risos). Falta um matador.
Até onde o Villarreal pode chegar na LC?
Pelo o que eu vejo hoje com os jogadores eles vêem a LC como um campeonato muito difícil. Mas depois desses cinco primeiros jogos, já viram também que não é aquele bicho-papão, de não ter condições de se classificar, de ser massacrado pelos times grandes. O time não tem tradição na competição, não é favorito, mas corre por fora. A gente acredita que pode ir longe, mas vamos ver até onde podemos chegar. Se chegarmos na final será algo completamente fora do normal para todos. Eu particularmente tenho bastante fé de que chegaremos longe e, quem sabe, chegar ao título.
Como você se sente sendo o único brasileiro entre tantos argentinos no elenco?
Na verdade, eles nem notam este fato de ser o único brasileiro e tantos argentinos. O ambiente é tão bom e me dou tão bem com eles que a gente até esquece que existe esta rivalidade entre Brasil e Argentina. Eu nem lembro mesmo. Dos argentinos, tenho mais amizade com o Sorín, que jogou aí no Brasil. A gente, sempre que pode, sai para almoçar, bate papo, saímos com nossas esposas. A gente tem uma amizade legal, não vejo nenhuma rivalidade.
Além do Sorín, com quem você tem maior afinidade?
Não tenho nenhuma inimizade e me dou com todos. É claro que dentro de um clube você sempre fica mais próximo de alguém. Quando o Belletti jogava aqui, eu ficava mais próximo dele, mas logo ele foi para o Barcelona. Em seguida chegou um português, o Armando Sá, que hoje está no Espanyol. Ele também era meu companheiro, mas também deixou o clube. Hoje quem está mais do meu lado é o Sorín. Tem também um equatoriano chamado Antonio Valencia. Esses são os mais próximos, de trocar telefone, sair, comer alguma coisa.
Como você costuma se divertir na cidade?
Eu moro a 20 km de Villa Real. Aqui não é como São Paulo, com trânsito. É uma cidade pequena. Villa Real tem 50 mil habitantes. Onde estou deve ter cerca de 20 mil habitantes, no máximo. A cidade em que vivo tem praia.e 99{a12cf170529acbd7b36c6d9566dcea6b97d0f72dc979800f5851fcdd34e7d94a} dos jogadores moram aqui. No verão é uma cidade turística e vem muita gente para cá. Quando cheguei aqui, eles comentaram que, no inverno, a cidade tinha cinco mil pessoas. Durante o verão, falavam que chegava a atingir 150 mil, 200 mil pessoas. Então a cidade fica entupida. A cidade está crescendo. Agora estamos no inverno e está tudo calmo. Mesmo sendo tranqüilo vejo algumas pessoas na rua. Eu e minha esposa gostamos de ir ao cinema, sempre vamos a uma igreja aqui perto bastante freqüentada por brasileiros. Essa é a nossa rotina. Aqui não é como no Brasil, com treinos em dois períodos. Você só treina pela manhã e à tarde estamos livres. Agora mesmo, quando você me ligou, estava chegando de Valencia, que está a uns 60 quilômetros daqui. É uma cidade grande e, sempre que preciso comprar uma coisa que não tem por aqui vou para lá.
Quem é hoje o grande nome do Villarreal?
Sem dúvida é o Riquelme. Ele já é um jogador conhecido, de qualidade. Há outros nomes que estão surgindo agora, como o Forlán, que foi artilheiro do último campeonato espanhol, o Sorín…
E como é o contato com Riquelme?
Ele é uma pessoa muito quieta, não é de conversar muito. Ele é muito reservado. Percebo que, no time, ele conversa com um, com outro, mas é uma coisa muito superficial. Vejo que, em termos de conversa, o Riquelme não fala sobre assuntos íntimos, da família. Sempre antes dos jogos ele coloca fones de ouvido e escuta música até perto da hora do aquecimento e não conversa com ninguém. Mas não que ele seja arrogante. É o jeito dele. É uma pessoa bacana, sempre na dele.
Como você explica o fato de um clube de uma cidade pequena crescer tanto?
O Villarreal foi um clube que ganhou na loteria. Primeiro, porque entrou o presidente Fernando Roig, que tem uma empresa que roda muito dinheiro. Ele decidiu entrar no mundo do futebol e é do tipo de pessoa que não economiza mesmo. Ele quer do bom e do melhor para o time. Depois que ele entrou e começou a investir no clube, o Villarreal começou a crescer. Hoje quem mais investe e é honesto com os jogadores, dando boas condições de trabalho, mesmo que não consiga a curto prazo, terá resultados a longo prazo. E é o que acontece com Villarreal. Desde que cheguei aqui, em 2002, o clube sempre foi bem organizado, mas não tinha jogadores com tanta qualidade. Daquele grupo, acho que hoje só sobraram um goleiro, que é o terceiro reserva, o Guayre, que sairá em janeiro… No máximo, há cinco jogadores daquela época. Veio outro pessoal e deu outra cara. Hoje será difícil vê-lo nas zonas baixas da tabela. Os atletas que vêm para cá chegam com outra mentalidade e é um time ganhador. Mesmo que não tenha conquistado títulos, chegou na Liga dos Campeões, semifinal da Copa Uefa e foi terceiro no campeonato passado.
Como funciona a política de contratações do clube?
O presidente é muito inteligente. Ele procura mesclar e não faz loucuras. O Roig também não gosta de anunciar aquilo que vai fazer, como “ano que vem vou contratar fulano, sicrano”. Quando ele fala é porque já foi contratado. O Riquelme, por exemplo, quando foi contratado, ninguém imaginava. Quando soubemos, ele já estava sendo apresentado. Com o Sorín foi a mesma coisa. O Forlán um dia entrou no vestiário com a bolsa dele e eu perguntei “Quem é esse?”, pois não o conhecia. O presidente tem os pés no chão e só fala quando a contratação está fechada. O diretor do clube está na Argentina e pelo jeito vai passar pelo Brasil. Acho que eles vão contratar mais alguns reforços. Tomara que venha mais um brasileiro para me fazer companhia aqui. Eu me adaptei bem, mas para mim seria ótimo. Se viesse um brasileiro seria ótimo para ele também. Como já conheço tudo aqui, sei como é o clube e as pessoas gostam muito de mim. Para o que precisasse, qualquer dúvida, eu estaria aqui para ajudar. Espero que venha. É legal ter um brasileiro no time.
Você acha que o Villarreal tem condições de desbancar os grandes?
Time grande é assim: quando você pensa que está morto, ele vem e te nocauteia. O Real Madrid está muito mal, nunca vi o time da maneira que está. O Barcelona agora está impossível, completamente o oposto. Quando eu cheguei, ninguém parava o Real Madrid e o Barcelona estava super mal. Hoje é o contrário. Nosso time está bem; começou mal o campeonato, mas está há nove jogos sem perder – tanto no Espanhol como na LC. Na Liga dos Campeões, vencemos uma e empatamos quatro. Estamos com os pés no chão, sabemos que é muito difícil, mas acredito que podemos ir longe.
A que se deve essa reação no campeonato espanhol?
O Manuel Pellegrini procura não mudar nada. É aquele velho ditado de “em time que está ganhando não se mexe”. No ano passado começamos exatamente da mesma maneira. Só ganhamos na quinta rodada, e fora de casa. Daí para a frente o time cresceu e foi parar em terceiro. Esse ano, aconteceu exatamente igual: ganhamos a primeira na quinta rodada, e fora. O time pegou ritmo de jogo. Nesse ano, a pré-temporada nos atrapalhou. Fomos para a China e lá estava muito calor, além da diferença de onze horas de fuso horário. Ficamos uma semana lá e perdemos outra semana de pré-temporada. No início, sentimos muito. Os outros times estavam voando e a gente estava caminhando. Agora pegamos ritmo.
Você comentou a situação do Real Madrid. Como você avalia essa crise deles? O que há de errado por lá?
Acho que o Real precisa se conscientizar, saber que o time não está bem, ter humildade e jogar como time pequeno em termos de defesa. Quando todo mundo estiver bem fisicamente, com confiança, voltará a ser o Real Madrid de sempre. Eles pensam que estão na mesma condição do Barcelona. É uma questão de orgulho. No Barcelona todos correm, do goleiro ao centroavante. No Real não: eles acham que a qualquer momento podem envolver o adversário. Se um time como Villarreal marcar um gol neles, logo acham que com o toque de bola irão marcar um, dois gols a qualquer momento. Isso não está funcionando. Claro que nesses últimos jogos ele viram que precisam se esforçar e deixar de lado um pouco desse orgulho, senão eles não chegam a lugar algum. Há muitas estrelas e, quando muitas delas estão juntas, um corre e outro não. Um começa a reclamar e pensa “Vou correr por esse, para aquele?”. Em clube grande sempre acontece dessas coisas. Eles precisam ser mais humildes.
E você pensa em retornar ao Brasil?
Para morar, sim. Jogar, eu não tenho certeza. A probabilidade é bem pequena. Pretendo jogar o máximo de tempo aqui, se for possível. Meu contrato acaba em 2007 e tudo pode acontecer. De repente não há renovação e outro clube se interesse por mim, quem sabe do Brasil. Mas minha intenção não é essa. Quero jogar até uns 35 anos aqui. Quando for para o Brasil estarei quase parando.
O que aconteceu em sua saída do Corinthians? O Vanderlei Luxemburgo teve alguma influência?
Acho que ele teve, sim. Quando um treinador quer, a chance de um jogador permanecer no clube é de 99{a12cf170529acbd7b36c6d9566dcea6b97d0f72dc979800f5851fcdd34e7d94a}, a não ser que ele peça muito. Neste caso, o diretor fala para o treinador o que está acontecendo. Meu caso não foi esse. Já havia sido dado um valor de contrato e estava quase tudo certo. Faltava apenas assinar. De repente houve aquela lista e acho que ele teve grande participação, mesmo que tenha havido a participação de outras pessoas. Mas isso já passou. Por outro lado foi muito bom, pois joguei como titular no São Caetano. Não sabia se teria a mesma condição se continuasse no Corinthians. Peguei meu passe na Justiça e ficou mais fácil para negociar com a Europa e ganhei até mais dinheiro nessa transação. Se eu estivesse vinculado ao clube, grande parte do valor da transferência acabaria com ele. Não gostaria de ter saído da forma como saí, mas foi melhor assim e hoje estou muito feliz aqui.
Guarda alguma mágoa do Luxemburgo?
Sinceramente, não. Já tive oportunidade de jogar contra o Real Madrid e me encontrei com ele. Teve aquele velho abraço com tapinha nas costas… (risos). Não há rancor nenhum, se não nem teria ido à direção dele, desviaria meu caminho.
Então se ele te chamasse de novo…
Iria sem problemas, eu gostaria. Os espanhóis têm uma outra maneira de trabalhar. Aqui mesmo no clube há meninos que vieram dos juniores e se tornaram profissionais e às vezes fazem corpo mole no time principal. Querem treinar pouco, reclamam… No Brasil há menos isso. Se um jogador sobe dos juniores para a equipe principal, acaba tendo de fazer o triplo que alguém com experiência faz. Gostaria muito que o Vanderlei ou um treinador com o perfil dele viesse para o Villarreal. Com ele, não há moleza: tem que trabalhar mesmo. Ele é um ótimo treinador. No Brasil, se ele não é campeão, está sempre ali beirando o título.
Alguma vez alguém aí na Espanha te perguntou se você tem parentesco com o Ayrton Senna?
Já, várias… (risos). Falo que não, que é uma coincidência. Este é o sobrenome da minha mãe, e vem dos meus avós. Imagino que com o Ayrton tenha sido a mesma coisa. De repente pode até ser, lá atrás, no passado, vai saber… (risos). Mas nada disso ia mudar, porque não ia pegar nada da fortuna dele… (risos). Agora, se falassem o contrário, aí eu faria questão… (risos). É brincadeira…
Fotos: Divulgação e villarealcf.es


