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“Mantemos a base e teremos sucesso”

O meio-campista Raphael Botti é um dos brasileiros mais bem sucedidos na Ásia. Há seis anos no maior continente do mundo, o jogador de 27 anos (foto ao lado) entra na sua segunda temporada no futebol japonês defendendo o Vissel Kobe. Neste bate-papo com a Trivela, o ex-ídolo do Jeonbuk Motors, time sul-coreano campeão asiático interclubes de 2006, conta sobre as expectativas para a J-League 2008 e os bastidores da preparação de sua equipe. Além de fazer uma previsão ambiciosa. “O Vissel Kobe ainda vai se tornar uma potência no Japão”. Confira!

Como foi a preparação do Vissel Kobe para a J-League 2008?
O nosso time se preparou da melhor forma possível, ficamos em Guam fazendo a Pré-temporada, já temos a base do ano passado e com isso acredito que teremos muito sucesso este ano.

Com o 10º lugar, em 2007, o Vissel Kobe teve a sua melhor participação na J-League desde 99. A meta do clube, em curto prazo, é se aproximar das potencias Urawa Reds, Kashima Antlers e Gamba Osaka ou ainda está longe disso acontecer?
Quando os dirigentes foram me contratar na Coréia do Sul, eu lhes perguntei a mesma coisa e eles me disseram: “Chegar à Liga dos Campeões da Ásia”. Esse projeto começou no ano passado e conseguimos chegar em 10º lugar. Este ano mantemos a base e a diretoria trouxe alguns jogadores novos. Com isso, queremos alcançar os times de ponta e atingir nosso objetivo máximo que é o título e também ganhar a Liga dos Campeões da Ásia. Claro, para isso acontecer, precisamos de tempo e trabalho. Acredito que estamos no caminho certo. Quando cheguei ao Jeonbuk (Coréia do Sul) ninguém acreditava e não só chegamos a final da LC como fomos campeões (2006). Eu tenho visto o esforço do clube e seus investimentos e digo: O Vissel Kobe vai se tornar uma potência!

O Vissel Kobe contratou jogadores bastante experientes para este ano como Seiji Koga e Takayuki Yoshida. Você acha o time tão inexperiente a ponto de necessitar desses jogadores?
Em um grupo é sempre bom mesclar jogadores novos com os mais experientes. Quando cheguei no Vissel era muito clara a necessidade de gente mais experiente e o clube também percebeu isso e está fazendo o melhor possível.

Quanto ao volante coreano Kim Nam-Il, que acabou de chegar. Você o conhecia da Coréia do Sul. O que ele pode acrescentar ao grupo?
O Kim é um jogador experiente, jogou a Copa do Mundo de 2002 pela Coréia. Jogávamos sempre um contra o outro. Chegamos a atuar juntos num jogo do All Star Game. Ele chegou agora ao Vissel, está treinando e certamente será um jogador muito importante devido sua experiência e qualidade técnica.

Leandro e Yoshito Okubo formaram uma das melhores duplas de ataque no campeonato passado. Eles marcaram mais gols até do que os atacantes do forte Urawa Reds. Como funciona essa dupla dentro e fora de campo? Eles conversam muito?
Realmente os nossos atacantes são ótimos. O Leandro é um jogador muito rápido e o Okubo é um finalizador nato. Fora de campo todos tem um bom relacionamento. Claro, eu e o Leandro temos uma amizade maior por sermos brasileiros e morarmos no mesmo condomínio. O Okubo e o Leandro conversam bastante, principalmente como se movimentarem nas jogadas etc…

Você é o camisa 10 do time, mas está jogando mais recuado. Como está sendo para você essa mudança de posição?
Quando cheguei ao clube, o treinador me chamou e me perguntou se eu poderia ajudá-lo jogando um pouco mais recuado porque o time não conseguia sair de trás tocando a bola. Eu respondi que não teria problema, que eu queria ajudar o Vissel a ter sucesso. Com isso, fui me destacando jogo a jogo e ele preferiu manter assim.

Como é trabalhar com o treinador Hiroshi Matsuda?
A nossa boa campanha no ano passado se deve muito ao Matsuda. Ele nos dá muita liberdade dentro e fora de campo, conversa bastante com o grupo, faz um ótimo trabalho fora de campo, nos mostrando jogos, táticas etc..

E nos tempos de Jeonbuk Motors, como eram os técnicos Cho Yoon-Hwan e Choi Kang-Hee?
Eu sempre me dei bem com os treinadores que trabalhei e na Coréia os técnicos aplicam uma carga de trabalho mais forte e tive que me adaptar a esse estilo. Fui campeão com esses dois treinadores que você citou. Só tenho a agradecê-los.

Aquela conquista da Liga dos Campeões Asiática 2006, contra o Al Karama, na Síria, foi a noite mais inesquecível da sua carreira? Quais lembranças você tem daquela noite?
Foi um jogo maravilhoso. Tínhamos vencido a primeira partida por 2 a 0 com um gol meu. Eu sabia que se não saísse de lá campeão de nada adiantava a vitória no primeiro jogo. Quando fomos para a Síria, eu pensava que lá não tinha futebol (risos). Ao chegar lá, me surpreendi. Ficamos num hotel e durante a madrugada torcedores do Al Karama buzinavam os carros para não nos deixar dormir. Ali, eu sabia que seria uma pressão muito grande. No jogo, tinha 40 mil pessoas assistindo e 40 mil fora do estádio porque não tinha mais lugares. Por tudo isso, foi muito marcante!

Nos jogos da Liga dos Campeões asiática, os árabes temem muito a velocidade dos coreanos e japoneses. Quando vocês enfrentam os times do Oriente Médio, qual é o maior temor da comissão técnica e de vocês jogadores?
Realmente a velocidade dos coreanos e japoneses é uma grande arma contra os árabes. A grande vantagem dos árabes é o calor, que é muito forte, e por serem muito bons tecnicamente.

Não acha o Kashima Antlers um time bem inferior ao Urawa Reds? Quais as virtudes que levaram o Kashima ao título, ano passado?
Realmente ninguém esperava que o Kashima fosse o campeão. Não pela qualidade, porque o Kashima é um ótimo time, mas devido a vantagem do Urawa, que era muito grande. O Kashima fez o que poucos fazem: Acreditar até o fim. Por isso foram campeões na última rodada.

Recentemente, conversamos com o atacante Schwenck, ex-Vegalta Sendai (Japão) e Pohang Steelers (Coréia), e ele nos contou o seguinte “O futebol japonês esta um pouco mais evoluído na parte tática, na cadência do jogo. Já o da Coréia ainda está muito baseado na força física e na velocidade”. Pela sua experiência na J-League e na K-League, você concorda com a visão dele ou pensa diferente?
É exatamente isso. O futebol japonês é mais técnico e o coreano mais de força. O Japão também tem uma grande vantagem sobre a Coréia que é uma estrutura muito forte na base. Aqui se formam melhores jogadores do que lá.

Em termos de mentalidade, ambição e concentração, existem diferenças entre os jogadores japoneses e coreanos, ou são exatamente iguais?
O coreano é mais aguerrido, mas isso é por causa da cultura, das guerras que eles travaram etc. Mas no geral são parecidos.

Como os jogadores se divertem na noite aí no oriente? boates? O assédio das mulheres é grande?
Isso é muito individual, tem jogadores que gostam de sair a noite porque isso tem em todo lugar e mulheres no meio do futebol nem se fala. No Japão não é diferente. Eu prefiro sair com minha família, visitar os pontos turísticos de Kobe e conhecer os restaurantes da cidade que são maravilhosos.

E o Vasco? Ainda tem espaço no seu coração?
Eu tenho uma história linda no Vasco. Comecei com meus 13 anos e sai com 20. Quando vou ao Rio, sempre passo pelo Vasco para ver os amigos que tenho lá. Tenho objetivo de ficar, pelo menos, até os 30 anos fora do Brasil, depois, quem sabe, poderei voltar ao Vasco. Seria um prazer enorme.

FICHA

Nome: Raphael José Botti Zacarias Sena.

Data de Nascimento: 23, Fevereiro, 1981. Juiz de Fora, Minas Gerais.

Clubes:
2000: Vasco
2001: Vasco
2002: Jeonbuk Motors-COR
2003: Jeonbuk Motors-COR
2004: Jeonbuk Motors-COR
2005: Jeonbuk Motors-COR
2006: Jeonbuk Motors-COR
2007: Vissel Kobe-JAP
2008: Vissel Kobe-JAP

Títulos:
Bicampeão da FA Cup Coreana (2003 e 2005), Campeão da Supercopa na Coréia do Sul (2004) e da Liga dos Campeões da Ásia (2006)

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Equipe Trivela

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