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“Malásia deu um passo atrás”

O atacante africano Keita Mandjou é um dos futebolistas de maior sucesso no futebol malaio. Foi ídolo de um time de massa como o Perak FA e agora vive seus últimos dias no país defendendo as cores do DPMM FC, clube do Brunei que disputa a liga da Malásia. Indignado com a decisão da Federação local de banir os estrangeiros a partir de 2009, o guineense, duas vezes artilheiro da liga, aposta numa queda brusca da qualidade na Malaysia Super League.
“É inacreditável que eles tomem uma decisão dessas e ainda achem que será bom para o futebol deles” dispara.
Confira como foi esta entrevista exclusiva, a primeira de um jogador do Guiné para a imprensa escrita sul-americana.

Como você recebeu a noticia de que os jogadores estrangeiros estarão fora do futebol malaio a partir de 2009?
Foi numa tarde, eu estava assistindo a ESPN e não aceitei a idéia como sendo boa para a Malaysia Super League. Isso afetará o futebol malaio como um todo. É inacreditável que eles tomem uma decisão dessas e ainda achem que será bom para o futebol deles.

A decisão partiu do vice-presidente da Federação, Khairy Jamaluddin, um político que defende a supremacia malaia no país. Está claro que existe interesse político, não?
Em primeiro lugar, eu não o conheço pessoalmente. O que eu sei é que ele ama futebol e tem um clube aqui, chamado My Team. Eu acredito que ele não tem nada na cabeça para melhorar o futebol local.

Os estrangeiros fazem a diferença na Malaysia Super League. Como você visualiza a competição no futuro sem vocês?
No meu ponto de vista, é um passo atrás no desenvolvimento do país. Existem bons talentos estrangeiros e também locais na Liga e se livrar desses estrangeiros não será bom para a melhora dos jogadores malaios. Contudo, espero ver a próxima temporada 2008/9 em novembro.

Você foi ídolo no Perak FA, um dos mais expressivos do país, e sua saída foi conturbada. Porquê deixou o clube naquela ocasião?
Honestamente, eu não esperava deixar o clube naquela época, foi um choque para todos. Eu deixei a equipe sem dizer nem um ‘adeus’ para os torcedores. A decisão não foi minha, partiu da Direção, que elegeu uma pessoa que supostamente não me queria no clube. Apesar disso, eu não tenho nenhuma mágoa, passei três anos e meio maravilhosos lá, ainda tenho bom relacionamento com os torcedores.

Porquê você não assinou com o Lorient, da França?
Eu não gostaria de falar sobre isso de jeito nenhum, pois isso me deixou frustrado e com muita raiva.

Ainda pretende jogar na Europa?
Claro! A oportunidade aparecendo, eu agarro!

O Guiné é um país africano cuja liga nacional foi criada há mais de 40 anos. Conte-nos um pouco da realidade do futebol por lá.
Como um país africano, é igual a qualquer outro no continente com devidas proporções. Os jogadores tem muita dificuldade pela falta de estrutura para treinar, jogar etc. O futebol é o esporte mais popular do país, mas mesmo com toda popularidade é difícil para os jogadores terem um bom campo para treinar.

Sobre a seleção do Guiné, ainda acredita que terá chances?
Honestamente é muito difícil ter uma chance jogando na Ásia. No Guiné não existem muitas informações sobre a Liga daqui. Eu espero conseguir uma oportunidade, é o sonho de todo jogador atuar na seleção do país e eu não sou diferente. É frustrante você fazer sucesso em uma liga e não ser chamado, mas não perco as esperanças.

O que você sabe sobre o Brasil?
Com certeza, futebol! Eu conheço mais nomes de jogadores brasileiros do que qualquer outra coisa do país. Eu assisto partidas da seleção masculina e feminina do Brasil. Admito que seja um país rico com bonitas praias e belas mulheres, mas a classe mundial dos jogadores brasileiros eu conheço mais.
 

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Equipe Trivela

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