Mais uma camisa que não irá vender

O Grêmio anunciou o lançamento de um quarto uniforme, a ser escolhido pelos próprios torcedores nas redes sociais. A promoção é voltada para o dia das crianças e também um incentivo para que os pequenos gremistas participem da decisão.
Poderíamos aqui elogiar a participação do Grêmio nas redes sociais. Porém, essa promoção evidencia qual é a postura predominante do departamento de marketing dos clubes nacionais: lançamento de produtos. O licenciamento é parte da estratégia, desde que os hábitos do torcedor-consumidor sejam minimamente compreendidos.
Essa prática já foi abordada aqui na coluna. Ao contratar um jogador, o departamento justifica o retorno financeiro através do “marketing” (assim mesmo, entre aspas), lança pilhas e pilhas de novos produtos, e pior, com preços acima da média para os padrões nacionais.
Repetindo, o erro não é apresentar novos itens. O erro é não entender o que o torcedor quer, e nem quanto ele pode pagar.
Produtos mais baratos?
Rápida pesquisa em sites de algumas das lojas oficiais. O São Paulo até possui camisetas especiais de Luís Fabiano por um interessante preço de R$59,90. Mas no mesmo site é possível encontrar uma camisa polo de R$129,90 e um boné por nada modestos R$79,90(!).
No site do Flamengo, as camisetas seguem com o (elevado) preço padrão. Poucos acessórios além de uniformes são disponibilizados. Ah, uma curiosidade: também é possível comprar produtos que nada tem a ver com o clube, como ar condicionado, piscina e televisor. Não me pergunte o motivo.
Pesquisas não faltam. Os dados fornecidos pelo Ibope poderiam ser interpretados para identificar oportunidades ou evitar o que parece saturado. Cabe aos clubes proporcionar um número maior de itens por um preço mais cômodo. Negociar a viabilização com os fornecedores também é marketing (agora sem aspas) e atingiria em cheio aqueles torcedores que querem participar, mas não tem condição financeira para tal.
O Grêmio não é o primeiro e provavelmente não será o último clube a cometer esse erro. Até lá, cabe ao consumidor parcelar em 10 vezes.
Ou não comprar.
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