Luiz Adriano: “Não vamos mudar contra o Barça”

Jogar na Ucrânia é um desafio para qualquer jogador. Clima, cultura, língua, treinamentos, tudo é diferente.O Shakhtar Donetsk mostrou-se um porto seguro para os brasileiros. Primeiro, foi o atacante Brandão, depois Elano, Jádson, Fernandinho, Ilsinho, William, Alex Teixeira, entre outros, e Luiz Adriano, ex-atacante do Internacional.
O jogador saiu do Brasil aos 19 anos para atuar na Ucrânia, ganhou seu espaço e atualmente, aos 23, é o dono da camisa 9 do clube que chegou às quartas de final da Liga do Campeões. Mais do que isso, o time é imbatível desde que inaugurou a Donbass Arena, em 2009.
Conversamos com Luiz Adriano sobre o clube, a adaptação na Ucrânia e o crescimento do futebol no país e seus planos futuros, incluindo Seleção Brasileira. Confira abaixo a entrevista exclusiva que o atacante concedeu à Trivela.
Sobre Liga dos Campeões: o que o Shakhtar precisa fazer taticamente para eliminar o Barcelona nas quartas de final da Liga dos Campeões?
Entrar bem concentrado vai ser uma arma forte contra o Barcelona. Sabendo os pontos fortes deles, os espaços que eles gostam de jogar, e esse vai ser um ponto forte para nós. Até a forma como os jogadores deles reagem dentro do campo, a movimentação dos jogadores, acho que chegar ao jogo sabendo disso vai ajudar bastante.
Vocês jogam com toque de bola, um jogo que envolve o adversário, ofensivo. Pensam em mudar essa forma de jogar por causa do Barcelona?
Acho que não vamos mudar a forma de jogar para enfrentar o Barcelona. Já jogamos há bastante tempo desta forma. Se mudarmos a forma de atuar agora, vai acabar sendo bom para o outro time.
Como é relação do Lucescu com você e com os brasileiros em geral, que costumam se dar bastante bem no Shakhtar?
A relação com a gente é ótima. Ele conversa bastante conosco [os brasileiros], que somos a parte mais ofensiva do time.
Sobre o confronto com a Roma, ainda nas oitavas de final, vocês esperavam jogos mais difíceis?
A gente esperava que o jogo contra a Roma fosse mais difícil, pela tradição da Roma na Liga dos Campeões. Esperávamos que fosse bem mais difícil sim.
Na primeira fase, vocês tiveram jogos muitos bons e outros que o time apagou, como na derrota por 5 a 1 para o Arsenal. O que acontece para ter essa variação?
É o momento, é a partida. Cada partida é diferente, isso determinou aquela derrota por 5 a 1 para o Arsenal, ainda mais na casa deles. Mas mostramos bastante força dentro da casa, tivemos bastante domínio do jogo, mais ritmo de jogo e soubemos ganhar.
Por que o Dynamo Kiev não conseguiu se manter tão próximo na disputa com vocês pelo título?
A gente soube aproveitar as partidas mais fáceis do campeonato. Eles não conseguiram aproveitar as partidas mais fáceis da competição. A gente aproveitou bastante esses jogos e isso tem feito a diferença no campeonato.
Você acha que o time atual do Shakhtar é melhor do que o time que venceu a Copa da Uefa em 2009?
Era um momento diferente. Não mudou muito o time, um ou dois jogadores no time titular… Acho que do time que está jogando saiu o Fernandinho [que estava lesionado, voltou no último final de semana] e saiu o Ilsinho. É um momento diferente, era outro momento que nos fez chegar naquele título.
O que você tem achado dos investimentos de times como o Metalist Kharkiv e Dnipro Dnipropetrovsk, que contrataram muitos brasileiros? Acha que eles podem chegar ao nível de Dynamo Kiev e Shakhtar Donetsk?
Com certeza, isso melhora também o campeonato. Mais jogadores de qualidade, o campeonato vai ficando mais difícil. Com isso, Dynamo e Shakhtar também vão melhorando.
Muitos jogadores costumam sair do Brasil para ir para Ucrânia e Rússia e reclamam da adaptação, querem voltar rápido, mas no Shakhtar isso não acontece. Por quê?
Acho que é normal. Adaptação é muito difícil. Tem a língua, isso acaba atrapalhando um pouco. A diferença do Shakhtar é que tem muito brasileiros no time, tem oito no total, isso ajuda bastante na adaptação ao time, à cidade, isso que faz a diferença. Se você pensar em um time como o CSKA Moscou, que só tem o Vagner Love, isso acaba atrapalhando um pouco, fica longe de qualquer coisa do Brasil, sozinho, a adaptação é muito mais difícil.
Com o aquecimento do mercado da Rússia e principalmente da Ucrânia, você recomendaria a um jovem jogador que ele fosse para a Ucrânia?
Acho que deveria ir sim, seria uma boa para ganhar experiência. É complicado, mas é uma boa experiência sim.
Falando do título mundial do Internacional, que você participou e marcou inclusive o gol da classificação na semifinal e jogou a final. Como foi aquele momento?
É um momento único. Entrar para a história do Inter foi muito importante, fiquei muito feliz por ter participado daquele Mundial. Foi um momento muito importante da minha carreira. Me ajudou bastante para eu chegar no Shakhtar, porque eu cheguei com mais moral.
Olhando hoje, você acha que você saiu muito cedo do Brasil?
Cedo eu saí, era muito novo, tinha 18 anos. Sair do Brasil com 18 anos é novo, mas acho que era o momento certo. Consegui seis títulos, foi importante na minha carreira.
Você renovou recentemente com o Shakhtar até 2015. Qual é a sua expectativa de futuro?
Eu penso em jogar mais um ou dois anos aqui no Shakhtar e depois ir para outro time. Itália, Espanha, Inglaterra… França também seria um lugar ótimo para jogar.
Você acha que você vive sua melhor temporada na Europa desde que chegou ao Shakhtar?
Acho que sim. Vivo uma temporada ótima, fiz gols na Liga dos Campeões, no Campeonato Ucraniano. Tem sido uma temporada maravilhosa para mim.
Ultimamente, o técnico Mano Menezes tem convocado alguns jogadores gaúchos, o último deles Leandro Damião, do Internacional. Com esse seu momento em destaque e com o Shakhtar em destaque, você tem expectativa de ser convocado para a Seleção?
Ah, expectativa eu tenho sim. Todo jogador brasileiro sonha em jogar na seleção principal. Eu tenho esperança de um dia ser chamado. Espero estar preparado para ser convocado.


