Livingston: Do nada à glória em seis anos

Estamos em 1995. Terminada a temporada, o pequeno Meadowbank Thistle havia sido rebaixado para a quarta divisão do campeonato escocês. Jogando em Edimburgo, a equipe vivia à sombra dos dois gigantes locais, Hearts e Hibernian, e raramente atraía mais de 300 torcedores para suas partidas.

Com mais de 20 anos de participação na Liga Escocesa, estava claro que a equipe havia achado seu lugar, nas divisões inferiores do futebol escocês. Foi aí que Bill Hunter, dono da equipe à época, tomou uma decisão radical: o time não só iria trocar de cidade, como também mudaria de nome.

E foi assim que nasceu o Livingston, equipe que em seis anos subiu da quarta divisão para o terceiro lugar da Premier League escocesa, atrás apenas dos gigantes Rangers e Celtic. Mas é claro que essa subida não foi sem tropeços.

Para começar, a transição de Meadowbank Thistle para Livingston enfureceu os (poucos) torcedores que a equipe tinha em Edimburgo. Enraivecidos não só pela mudança de cidade, mas principalmente pela troca de nome – que eliminava o 'Thistle', que a equipe carregava desde sua fundação -, os torcedores fizeram de tudo para impedir a mudança.

Para piorar, o novo estádio na cidade de Livingston não ficou pronto a tempo, e o Livi teve que jogar suas primeiras partidas com o novo nome ainda em Edimburgo.

Apesar do nascimento atribulado, o Livingston conseguiu subir para a terceira divisão já em sua primeira temporada, inclusive batendo recordes de público. Porém, apesar desses sucessos, a equipe enfrentava sérias dificuldades financeiras, e por pouco não fechou as portas no final de 1997.

Dominic Keane traz ambição ao Livi

Foi aí que o clube trocou de mãos, passando a ser controlado por Dominic Keane, ex-diretor do Celtic. Com muito mais contatos que seu antecessor, Keane trouxe investidores para o Livingston, bancando a ampliação do estádio (originalmente, a capacidade era de 4 mil pessoas; hoje é de 10 mil) e modernizando as categorias de base do clube, que hoje estão entre as melhores da Escócia.

Os investimentos, naturalmente, serviram também para melhorar a equipe. Com novos reforços, o competente técnico Jim Leishman (que assumiu o time em 95 e o comanda até hoje) retomou a ascensão do Livingston, que subiu para a segunda divisão em 1999.

Experiente em termos de relações públicas, a dupla Leishman/Keane construiu uma imagem positiva para o Livingston na imprensa. Destacando a administração moderna da equipe e seu trabalho junto à comunidade local, o Livi ganhou simpatizantes em todo o país. Assim, foi visto como boa notícia o fato da equipe ter sido promovida para a Premier League (pela primeira vez desde sua fundação, em 1943) em 2001. A rápida escalada da equipe torna-se ainda mais impressionante se lembrarmos que na Escócia apenas o campeão é promovido.

Em sua primeira temporada na elite, o Livi vai tendo incontestável sucesso. Dentro de campo, é o terceiro colocado, posição que lhe daria uma vaga na próxima Copa UEFA. Fora de campo, tem o estádio lotado em praticamente todos os jogos, além de grande atenção da mídia.

A questão que para o futuro é: será que na próxima temporada, quando a equipe não for mais novidade, o Livingston vai manter a boa campanha e se consolidar entre os grandes escoceses? Se depender da ambição de Dominic Keane, sim. O dono do Livingston não esconde suas grandes ambições para a equipe, a qual ele sonha elevar ao nível dos grandes clubes europeus.

Histórias da pré-história

No começo do texto, dissemos que o Livingston antes se chamava Meadowbank Thistle. Mas esse também não é o nome original da equipe. Em sua fundação, no ano de 1943, o time foi criado com o nome de Ferranti Thistle. Tal nome foi dado porque, originalmente, a equipe era formada por funcionários das indústrias Ferranti, que fabricava aviões.

O Ferranti Thistle jogou em várias ligas amadoras, até que em 1974 a equipe teve sua chance de se tornar profissional. Nesse ano, a Liga Escocesa passou por uma reformulação e precisava de mais um membro para completar seus quadros. Como no ano anterior o Ferranti havia sido a equipe amadora com melhor campanha na Copa da Escócia, o time foi convidado a entrar na Liga.

Mas havia um problema: na década de 70, o futebol escocês ainda era avesso a publicidade, tanto que os times eram proibidos de ostentar a marca de um patrocinador em seus uniformes. Assim, a Liga não poderia aceitar um time cujo nome promovia uma empresa. Por isso, o jornal Edinburgh Evening News lançou uma campanha para escolher o novo nome da equipe, e a sugestão vencedora foi Meadowbank Thistle.

E não foi só na questão do patrocínio que o Meadowbank Thistle foi avançado para sua época. No mesmo ano em que entrou para a Liga, o clube tomou uma atitude absolutamente inovadora: decidiu disputar seus jogos na sexta-feira. Hoje, por pressão das TVs, é comum ver partidas do campeonato sendo disputadas durante a semana. Mas, durante a década de 70, isso era quase um sacrilégio, acontecendo só quando fosse necessário jogar alguma partida que houvesse sido adiada.

No caso, a decisão da diretoria teve um motivo muito concreto: como Hearts e Hibernian jogavam no fim de semana, seria mais vantajoso para a equipe disputar suas partidas em outro dia, evitando assim competir com os gigantes da cidade. No começo, a tática deu certo, com a nova equipe atraindo razoável público. Mas, com o passar do tempo, o time foi perdendo fôlego e estacionou. Isso até a grande virada de 1995…

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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