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Liga dos Campeões da Oceania

Nome oficial: OFC Champions League (O-League)
Disputada como LC desde: 2007
Antes, foi: Copa dos Campeões da Oceania (1987-2006, edições esporádicas)
Principais campeões: Waitakere United-NZL (2 títulos)
Quem disputa: Seis campeões nacionais dos 11 países filiados à OFC (Oceania Football Confederation), escolhidos a critério da confederação: Samoa Americana, Ilhas Cook, Ilhas Fiji, Nova Caledônia, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Samoa, Tahiti, Tonga e Vanuatu.

Na Oceania, o futebol jamais teve uma dimensão popular como acontece na Europa ou na América Latina. A falta de apelo, naturalmente, compromete a efetivação de ligas nacionais fortes. Reflexo disso é que a própria estruturação da OFC (Oceania Football Confederation) aconteceu tardiamente: em 1966, a partir do esforço das federações da Austrália, da Nova Zelândia e das Ilhas Fiji, nações que, não à toa, costumavam ter as seleções mais competitivas do continente. Mesmo países que se filiaram posteriormente à entidade, como Papua Nova Guiné, sequer dispõem de um campeonato nacional efetivamente profissionalizado.

Sintomático do futebol incipiente da região é que seu antigo torneio continental de clubes, a Copa dos Campeões da Oceania, realizou sua primeira edição em 1987, de forma experimental, e só repetiria a dose doze anos depois, quando a Fifa precisou tirar de lá um representante para o Mundial 2000 (no caso, o South Melbourne), disputado no Brasil e vencido pelo Corinthians. Até 2005, quando apenas quatro edições da Copa dos Campeões da Oceania haviam sido realizadas, a Austrália monopolizou as conquistas, com Adelaide City, South Melbourne, Wollongong City e Sydney.

A suposta superioridade australiana tornou-se um problema para a própria federação de futebol do país, que avaliava que sua seleção nacional era prejudicada pelo baixo nível técnico dos rivais de continente. A contestação tinha a ver com o descaso da Fifa quanto à dificuldade da Oceania em se fazer representar nas Copas do Mundo. Até hoje, o continente conta com apenas uma vaga, ou melhor, menos que isso: o campeão das Eliminatórias locais disputa o acesso ao Mundial numa repescagem contra o quinto colocado das Eliminatórias sul-americanas, num mata-mata em ida e volta.

Assim, uma possível solução para o caso australiano passou a ser amplamente discutida: a do país se desligar da OFC para se filiar à AFC (Asian Football Confederation), que proporciona quatro vagas diretas para a Copa. Na nova situação, a Austrália passaria a enfrentar seleções mais gabaritadas – como Coréia do Sul, Japão e Arábia Saudita – mas numa disputa normal de Eliminatórias, de longo prazo, diferentemente do “imponderável” que é o mata-mata da repescagem. A Fifa endossou a transferência no princípio de 2006, curiosamente logo após a Austrália garantir sua vaga para a Copa do Mundo da Alemanha no esquema antigo, ao eliminar o Uruguai em Sydney, superando a derrota na partida de ida em Montevidéu.

Evidentemente que a migração australiana para a Ásia trouxe conseqüências para o futebol da região, não só nos torneios inter-seleções. Se com as equipes da Austrália a Copa dos Campeões da Oceania já era pouco empolgante, o cenário se agravou com a mudança. Por outro lado, forçou a OFC a repaginar seu torneio continental, tornando-o regular, em vista da necessidade de um representante do continente integrar o novo Mundial de Clubes da Fifa (que substituiu a antiga Copa Intercontinental), que também se tornava anual. Foi nesse contexto que surgiu, em 2007, a Liga dos Campeões da Oceania, de modo a reunir os seis melhores campeões nacionais da região. Na fórmula de disputa, as seis equipes são divididas em dois grupos de três. Os times se enfrentam dentro das chaves, em jogos de ida e volta. Os primeiros colocados em cada grupo fazem a final, também em dois confrontos.

Para a primeira edição, foram selecionados clubes da Nova Zelândia (Auckland City), Nova Caledônia (Mont-Dore), Tahiti (AS Temanava), Ilhas Fiji (Ba FC), Ilhas Salomão (Marist FC) e, teoricamente, Vanuatu. No entanto, Vanuatu resolveu não mandar seu campeão, o Port Vila Sharks, para a disputa. Assim, a OFC optou por incluir um segundo representante da Nova Zelândia, o caçula Waitakere United, então vice-campeão neozelandês. Mesmo azarão, o time não se intimidou com a falta de experiência internacional e ficou com o título. Se o feito foi naturalmente saudado por seu teor inusitado, também criou a aberração de colocar um time fundado em 2004, e ainda amador, para disputar o Mundial de Clubes junto de potências centenárias da bola, como Milan e Boca Juniors.

Na edição 2008 da Liga, a OFC manteve dois representantes neozelandeses: o Waitakere United, defensor do título; e o Auckland City, campeão nacional. Desta forma, quem perdeu representação foi a Nova Caledônia. O destaque ficou por conta do surpreendente Kossa, das Ilhas Salomão (país que tem disputado Mundiais de futsal e futebol de areia), que alcançou a final, chegando a vencer a primeira partida por 3 a 1, contra o Waitakere United. Mas, no jogo da volta, os campeões salomônicos não resistiram ao melhor futebol do adversário e tomaram um sonoro 5 a 0, definindo o bicampeonato para o time da Nova Zelândia.

Ou seja, o Waitakere United voltará a aspirar, no final desse ano, ao título de melhor time do planeta, ainda que o favoritismo não seja exatamente seu, mas do Manchester United, de Cristiano Ronaldo e Rooney. Situação que deveria estimular uma discussão sobre a “democracia geográfica” como critério de seleção para um torneio que deveria reunir os melhores escretes do mundo. Porque não basta ser campeão de uma Liga dos Campeões: é preciso ter um futebol minimamente competitivo no âmbito internacional, o que não é o caso desta equipe neozelandesa – e, provavelmente, de nenhuma outra.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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