Libertadores 2010: Grupo 7

Vélez Sarsfield
Disputar a Libertadores no ano do centenário não é exclusividade do Corinthians. O Vélez também comemora 100 anos em 2010, e quer dar de presente a seus torcedores o segundo título de sua história na principal competição do continente. O primeiro foi conquistado em 1994, quando o time dirigido por Carlos Bianchi e inspirado por José Luis Chilavert derrotou o então bicampeão São Paulo nos pênaltis em pleno Morumbi.
Aliás, o torcedor corintiano pode achar estranho o fato de dois jogadores de passagens não muito felizes pelo Parque São Jorge serem protagonistas com a camisa do Fortín: o zagueiro Sebastián Domínguez, que ficou conhecido por aqui como “Sebá”, e o atacante uruguaio Santiago “El Tanque” Silva, este último de volta ao clube após ser artilheiro do Torneio Apertura pelo Banfield, campeão pela primeira vez na história.
O time inicia seu segundo ano sob a direção do técnico Ricardo Gareca, que assumiu no começo de 2009 e logo de cara levou o time ao título do Torneio Clausura, definido na última rodada em um dramático confronto direto com o Huracán. A Libertadores é considerada prioridade no início de 2010, e Gareca deve usar reservas em vários jogos do Clausura.
Outros destaques do Vélez são o zagueiro Nicolás Otamendi, provável convocado por Diego Maradona para a Copa do Mundo e alvo de clubes europeus, e o meia Maxi Moralez, campeão mundial sub-20 em 2007 em um time que contava com Sergio Agüero e Mauro Zárate, este último um ilustre ex-Fortín. O irmão Rolando Zárate, de 31 anos, retornou ao Vélez no ano passado, após rodar por diversos clube.
Colo Colo
Ninguém duvida da posição do Colo Colo como maior time chileno da atualidade. Comprovam isso os seis títulos nacionais conquistados nos últimos quatro anos (dois Aperturas e quatro Clausuras). Na Libertadores, porém, o time ainda precisa fazer mais para repetir o feito de 1991, quando se tornou o primeiro, e até hoje o único, clube chileno a levantar o troféu.
É justo dizer que no ano passado o sorteio foi duro com os Albos, que caíram em um grupo com os brasileiros Palmeiras e Sport e a última campeã LDU. Apesar disso, a vaga nas oitavas de final escapou por um triz, com um gol no último minuto decretando a derrota em casa para o Palmeiras que custou a classificação da equipe.
Este ano, porém, a sorte não mudou muito. Apesar de o Deportivo Italia não meter medo, a tarefa de superar Vélez e Cruzeiro parece das mais complicadas. Pelo menos o time argentino e alguns de seus jogadores são velhos conhecidos do técnico argentino Hugo Tocalli, que trabalhou em Liniers antes de assumir o Colo Colo, em maio do ano passado, além de ter dirigido a seleção sub-20 campeã mundial em 2007. Depois de um início complicado, Tocalli se recuperou e levou o time à conquista do Clausura.
A base do time campeão foi mantida em grande parte. A perda mais sentida talvez seja a do zagueiro venezuelano Rey. Um nome que tinha saída considerada quase certa era o meia colombiano Macnelly Torres, cortejado por times brasileiros, mas nenhuma negociação se concretizou e ele segue sendo o principal armador albo.
Deportivo Italia
Fundado por imigrantes no fim dos anos 40, o Deportivo Italia segue as cores da seleção italiana e teve nos anos 60 e 70 os melhores períodos de sua história. Superou a primeira fase em 1969, algo que não repetiu desde então, e obteve um resultado histórico em 1971 ao derrotar o Fluminense em pleno Maracanã, vitória que ficou conhecida como “El Pequeno Maracanazo”.
Em 1998, uma fusão com o Deportivo Chacao fez com que o clube passasse a ser conhecido como Deportivo Italchacao. O antigo nome voltou a ser adotado em 2006, ano em que a equipe deixou de mandar jogos no estádio Brígido Iriarte, com capacidade para 15 mil torcedores, e passou a atuar no Olímpico de Caracas, para 30 mil.
A vaga para a Libertadores de 2010 foi conquistada ainda em 2008, com o título do Torneio Apertura. O time dirigido por Eduardo Saragó tem como principal estrela o atacante Richard Blanco, e vem de um bom início no Clausura, com duas vitórias e um empate nos primeiros três jogos. No torneio continental, qualquer ponto conquistado já será lucro.
Cruzeiro
Recuperar-se da frustração de 2009, quando deixou o título escapar com uma derrota de virada para o Estudiantes em pleno Mineirão, é a ordem na Toca da Raposa. O time mudou pouca coisa desde o ano passado, e a continuidade do trabalho de Adílson Batista é o principal trunfo, como prova a campanha de recuperação que resultou no quarto lugar no Brasileiro.
A equipe tem um bom equilíbrio entre criação e pegada, com um meio-campo quase sempre composto por três volantes (que sabem sair para o jogo) e um meia. Este homem de ligação pode ser Gilberto ou Roger, ex-Fluminense, Corinthians e Grêmio, uma das novidades da Raposa para a temporada 2010. No ataque, Kleber permanece após quase ter sido negociado com o Porto, o que deixa a outra posição entre Wellington Paulista e Thiago Ribeiro.
No gol, Fábio é uma referência, mas o sistema defensivo é motivo de preocupação pela propensão ao ataque dos dois laterais, Jonathan e Diego Renan. Uma cobertura eficiente nestes setores é fundamental para as pretensões do Cruzeiro, que parte como um dos candidatos ao título que já conquistou em 1976 e 1997.


