Lecce: Caça-talentos ao redor do mundo

O que vem a sua cabeça quando pensa em países como Servia-Montenegro, Finlândia, Mali ou Costa do Marfim? Com certeza não é o futebol. Você acreditaria que esses países produzem a ´matéria prima´ para a nova surpresa do futebol italiano? Você pode duvidar, mas é isso o que acontece no Lecce.

A história do Lecce começa no dia 15 de março de 1908, com a fundação do Sporting Club Lecce, que promovia em suas dependências o ciclismo, atletismo e, claro, o futebol. Em 1927, o clube ganhou seu nome atual, Unione Sportiva Lecce, após a fusão com Juventus e Gladiador, dois pequenos times da cidade. As cores do clube, na época, eram o preto e o branco. As atuais cores, vermelho e amarelo, só foram incorporadas na temporada 1929/30, quando o futebol italiano passou por uma reestruturação e o Lecce participou da Série B do campeonato.

Na década seguinte, o time da região da Puglia permaneceu na Série B, mas na década de 50 viveu um dos piores momentos de sua história. Na temporada 1954/5, o time despencou para a quarta divisão. Como consolo, nesse mesmo período a torcia giallorossa viu em seu time o maior artilheiro de sua história: Anselmo Bislenghi, com 83 gols.

O sonho de chegar à Série A do campeonato italiano foi adiado por uma gafe dos dirigentes do clube em 1974. O Lecce ficou em segundo lugar na Série B, perdendo o título e a promoção por apenas um ponto. Até aí, tudo bem. O duro para a torcida do time foi a forma como esse ponto foi perdido. Na partida contra o Marsala, o árbitro oficial não compareceu. Um juiz reserva foi convocado, mas o Lecce não aceitou e se recusou a jogar. No tapetão, o time giallorosso perdeu por WO e ainda foi penalizado com a perda de um ponto. No ano seguinte, quando estava na Série C, o goleiro Emmerich Tarabocchia ficou 1791 minutos sem sofrer gols, recorde que permanece até hoje nas três divisões do futebol italiano.

As primeiras conquistas

Na temporada 1975/6, o Lecce conquistou os primeiros títulos de sua história: primeiro a Coppa Italo-Inglesa, um torneio amistoso entre pequenos times da Itália e Inglaterra. Depois o clube venceu a Coppa Italia da Série C, ao derrotar o Monza por 1 a 0, e depois conquistou a Série C.

Em 1983, quando estava na Série B, uma tragédia marcou a história do clube: Michele lo Russo e Ciro Pezzella, dois ídolos da torcida, morreram em um acidente automobilístico. Lo Russo é até hoje o jogador que mais vezes vestiu a camisa do clube, com 418 participações.

1985 foi um ano mais do que especial para o Lecce. Começou com a reforma do estádio o Via del Mare. Com a casa arrumada, o time ganhou força e não perdeu nenhuma partida em seu terreno na Série B. O campeonato foi completado com o empate por 1 a 1 com o Monza, que garantiu a participação do time na primeira divisão do futebol italiano. A primeira temporada da história do clube na Série A não foi muito saborosa. O time foi rebaixado, mas deixou sua marca na história de um dos grandes times da Itália. Na penúltima rodada, o Lecce venceu a Roma por 3 a 2 no Estádio Olímpico. A derrota custou o scudetto para o time da capital.

O Lecce seguiu oscilando entre as Séries A e B, até que na temporada 1993/4 bateu vários recordes quando disputou a primeira divisão. Infelizmente, não foram marcas muito louváveis: maior número de pontos perdidos dentro da própria casa (23 de 34), menor número de pontos conquistados na história da Série A (apenas 11) e maior número de derrotas (26). Nos anos seguintes, o Lecce voltou a viver perambulando entre as três divisões da Itália.

Jovens estrangeiros: o segredo do Lecce

Na temporada atual, o clube vem aprontando para cima dos grandes do futebol italiano. O segredo está em seus ofensivo time formado por jovens jogadores, vindos de diversas partes do mundo. O elenco conta com atletas da Croácia, Servia-Montenegro, Bulgária, Uruguai, Argentina e até países como Finlândia, Mali e Costa do Marfim! Claro que nessa torre de babel não poderia faltar um atacante tupiniquim: é o paulista Anderson de Oliveira, de 23 anos, conhecido como Babu.

A base do elenco é de jogadores jovens, como o búlgaro Bojinov, craque do time, que tem apenas 18 anos. Boa parte destes jogadores conquistou o título italiano de juniores nas duas temporadas passadas. Um desses nomes que ganhou fama internacional foi o uruguaio Chevantón, destaque do time no ano passado, que hoje está no Monaco. No comando dessa jovem legião estrangeira está o tcheco Zdnek Zeman, que já passou por clubes mais tradicionais na Itália, como Napoli, Lazio e Roma.

A língua que eles falam dentro de campo? Isso nós não sabemos, mas a comunicação vem sendo perfeita. O sul da Itália agradece.

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