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LC levou Luisão à Copa

Luisão é o único jogador da Seleção Brasileira que atua no futebol português. O que, além de mostrar a perda de espaço da Superliga no cenário internacional, também representa um mérito do zagueiro, que conseguiu chamar a atenção do técnico Carlos Alberto Parreira mesmo atuando pelo Benfica.

Para o jogador, a lembrança de seu nome é conseqüência de seu desempenho em competições internacionais. ‘O Benfica fez uma boa Liga dos Campeões, o que permitiu que o pessoal no Brasil visse meu trabalho’, constatou em entrevista exclusiva à Trivela. ‘Mas acho que minha participação na Copa América também foi importante para consolidar minha participação’, acrescentou.

Ciente de seu lugar na reserva, Luisão admite que só ficou tranqüilo em relação a sua participação na Copa depois de Parreira divulgar a lista oficial de convocados. Além disso, falou de sua experiência marcando Ronaldinho no Benfica x Barcelona pela Liga dos Campeões.

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Apesar de você ter sido convocado para a Seleção com freqüência, havia algumas dúvidas quanto a sua ida à Copa. O que você acha que foi decisivo para Parreira ter optado por você?
É difícil falar, mas acho que o que consolidou foi minha participação na Copa América. Também houve alguns jogos das Eliminatórias que eu precisei jogar e acho que correspondi. Acho que isso foi o principal.

Alguns jogadores declararam, na semana antes da convocação final, que se achavam garantidos na Copa. E você, esperava ser chamado?
Pelo trabalho que fiz, não posso dizer que esperava, mas achava que tinha chances. De qualquer forma, admito que fiquei apreensivo. Enquanto eu não ouvisse meu nome não ia ficar tranqüilo.

E como foi, para você, ouvir seu nome entre os 23?
Ah, mano, isso foi emocionante, não dá para descrever. É um orgulho imenso. A gente sonha desde criancinha com isso.

Parreira já anunciou que os titulares serão Juan e Lúcio. Você acha que tem chances de, durante a Copa, conseguir um lugar no time?
É difícil. O que quero fazer é me empenhar ao máximo nos treinamentos, porque, se ele precisar da minha ajuda, quero estar à disposição da Seleção. Também acho importante estar no grupo para dar continuidade ao trabalho depois da Copa. O que também acho importante é ganhar experiência desta vez.

Ronaldinho elogiou muito suas atuações contra o Barcelona pela Liga dos Campeões. Você acha que aquele jogo foi decisivo a seu favor?
Acho que sim. Não só aqueles jogos, mas fizemos uma boa Liga dos Campeões. Fazia tempo que o time não chegava e nossa boa campanha foi boa para mim, pois deu para o pessoal no Brasil acompanhar mais o meu trabalho, já que o campeonato português não é tão visto como os outros. Até fiz alguns gol decisivo.

Qual o segredo para segurar um jogador como Ronaldinho?
(risos) É complicado. Não tem como segurar. O que a gente faz é tentar dificultar ao máximo. Ele é muito acima da média, fora do comum. Foi eleito o melhor do mundo com toda justiça. Sinceramente, não há como pará-lo.

E para você, que já o enfrentou numa competição internacional e agora o terá a seu lado, o que é melhor?
(risos) Prefiro mil vezes estar do lado dele.

A temporada do Benfica na Superliga não foi tão boa como se esperava, mas na Liga dos Campeões vocês foram muito bem. O Koeman priorizou a competição continental?
Acho que não. O Campeonato Português é muito difícil, principalmente quando jogamos contra os times considerados pequenos. Por outro lado, a gente queria chegar longe na Liga dos Campeões, mas não quer dizer que tenhamos priorizado uma competição.

Você é o único jogador desta Seleção que atua em Portugal. Pelo fato de ser o único jogador que joga em um campeonato teoricamente mais fraco, você acha que seu mérito é ainda maior?
Olha, o Campeonato Português não é tão fraco assim não. Pode não estar entre os melhores, mas a dificuldade é muito maior. Principalmente para nós, que não aparecemos tanto. O importante é que o Parreira estava interessado e acompanhou. Não quero entrar nos méritos da escolha dele, mas há vários outros jogadores lá que tinham capacidade para estar na Seleção.

Por que os zagueiros brasileiros são tão elogiados em seus clubes na Europa e tão criticados pela Seleção?
Muito disso acontece pela qualidade dos atacantes da Seleção. O pessoal dá muito valor do meio-campo para a frente e esquece um pouco dos defensores. Aqui, quando ganha a Copa, ninguém fala que a defesa foi bem também.

Na Europa, os esquemas táticos permitem que vocês subam ao ataque de vez em quando. O Parreira fala alguma coisa a esse respeito para vocês?
Ele dá total liberdade, mas no clube isso é mais necessário do que aqui. Com o time que o Brasil tem, não precisa que os zagueiros também subam. Se ficarmos ali atrás, só defendendo, já está de bom tamanho, pois o pessoal resolve lá na frente. No clube, não temos a qualidade da Seleção Brasileira.

Como zagueiro, você acha que o esquema tático da Seleção expõe demais a defesa?
Se todo mundo estiver empenhado em jogar sem a bola, facilita muito. É isso que o Parreira quer e nos pede.

Falamos com alguns dos zagueiros que jogaram pela Seleção com o Parreira, como Juan e Roque Júnior, e ambos ressaltaram o fato de o time se preocupar muito com o ataque. Você concorda?
Desde o primeiro jogo das eliminatórias, o Parreira tem avisado que precisamos marcar atrás da linha da bola. Isso está melhorando e vai um pouco da característica de cada um – e nem todos têm essa característica de ajudar a defesa. Mas se todo mundo der uma ajudada, fica perfeito.

Em 2002, o Felipão usou três zagueiros para permitir que os laterais tivessem mais liberdade. Como o time jogará com uma linha de quatro homens na defesa, o Parreira tem dado alguma instrução para cobrir as subidas dos laterais?
Isso faz parte do nosso esquema. Ele orienta não só os zagueiros, mas também os volantes. Temos sempre que gritar e conversar para cobrir os espaços. Geralmente, quando um dos laterais sobe, alguém tem que cobrir.

Na Liga dos Campeões você enfrentou jogadores como Nistelrooy, Rooney, Gerrard, Riquelme e Cissé. Qual deles mais lhe deu trabalho?
Cada um deu um trabalho diferente. São estilos diferentes, mas todos muito difíceis de serem marcados.

Como está o clima de Copa em Portugal?
Ah, o país ta parado. Todo mundo só fala em Copa do Mundo. Não falam em título, mas que esperam uma boa campanha no Mundial.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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