LC 2006/07: Grupo H

Milan
por Cassiano Ricardo Gobbet
Os adversários devem temê-los porque…
Bem, porque o Milan é o Milan. Não há um time na Europa (com exceção talvez, do Barcelona) que tenha um elenco tão rico, equilibrado e entrosado. Apoiado no melhor meio-campo do continente, o Milan ainda conta com estrelas para praticamente todas as posições do campo. Além disso, tem um treinador que faz menos barulho do que Fabio Capello ou Frank Rijkaard, mas é igualmente eficiente. Para finalizar, é na LC que o Milan tem seu ambiente ideal.
O mapa da mina
O clube de Milanello inicia esta temporada com a estranha posição de precisar dar provas. Tendo perdido Stam e Shevchenko, o clube não contratou atletas igualmente renomados, acertando com o brasileiro Ricardo Oliveira e com o versátil defensor Daniele Bonera. No gol, Dida não inspira a mesma confiança de 2003, quando o clube se sagrou campeão europeu, e no ataque, Gilardino ainda não encontrou sua melhor forma.
O bendito esquema tático
Carlo Ancelotti manteve o mesmo esquema 4-3-1-2 – que foi a sua tese de formação na escola de técnicos de Coverciano. O esquema visa aproveitar melhor o talento de Kaká e a incrível capacidade defensiva de Gattuso, que é o único marcador puro do meio-campo. Muito provavelmente, as incursões dos laterais serão mais contidas, uma vez que Cafu não teve uma boa temporada.
O trava-línguas
Apesar de ter uma pronúncia fácil, Seedorf sempre complica a vida dos narradores. Ainda que não se exija a enunciação original (Zêi-dorf), não é incomum as invenções incrivelmente criativas como ‘Sírdof’.
O astro
Sem o astro ucraniano Shevchenko, o armador brasileiro Kaká é o grande nome do time. Completo, o meio-campista da Seleção é a alma das jogadas ofensivas pela sua inteligência e versatilidade. Kaká só não é mais endeusado do que Paolo Maldini, que mesmo estando no ocaso de sua carreira, é simplesmente uma lenda viva do futebol ‘rossonero’. Mas a categoria de Maldini não é mais ‘estrela’ e sim, ‘mito’.
Adoro te odiar
Internazionale, a atual ‘campeã’ italiana. Tendo saída ilesa do escândalo causado por Luciano Moggi, pela primeira vez em muitos anos a rival do Milan começa uma temporada por cima da carne seca. Nas últimas quatro edições da LC, Milan e Inter jogaram duas vezes – e nas duas, deu Milan.
Caminho para a LC
Fazia tempo que o Milan não tinha um caminho tão atribulado para a Europa. O clube perdeu a sua qualificação direta para a Liga dos Campeões por causa do ‘Calciocaos’ e quase perde mesmo a chance de disputar as Eliminatórias. Uma vez no pote, pegou o Crvena Zvezda (ou Estrela Vermelha, de Belgrado), e jogou um futebol opaco, mas não correu riscos e se classificou.
Lille
por Ricardo Espina
Os adversários devem temê-los porque…
Quem olha para o elenco do Lille não vê nomes conhecidos. E esta é a principal força da equipe. Apesar da ausência de um grande craque, o time montado por Claude Puel tem um grande espírito coletivo. Como a maior parte do elenco tem sido mantida há algumas temporadas, o entrosamento faz com que o time tenha boa fluidez em campo, com uma homogeneidade entre seus setores. A estrela do LOSC é a própria equipe.
O mapa da mina
Um problema apresentado pelo Lille na última Liga dos Campeões persiste nesta temporada. Embora tenha evoluído um pouco, o ataque da equipe ainda desperdiça chances em demasia. Kader Keita e Peter Odemwingie demonstram grande velocidade e habilidade, mas precisam melhorar a pontaria. Além disso, o excesso de dependência em torno de Mathieu Bodmer torna-se um problema quando o meia recebe uma marcação mais dura. O time fica sem opções para a armação – e deixa de finalizar.
O bendito esquema tático
Claude Puel não abre mão de montar um 4-5-1. Odemwingie fica como único atacante, apoiado constantemente por Michel Bastos e Keita. Bodmer fica responsável pela organização, com Makoun e Dumont cuidando da marcação. Na defesa, Tafforeau, Plestan, Chalmé e Tavlaridis (ou Rafael Schmitz) formam um bloco difícil de ser superado. Uma garantia de segurança para o goleiro Sylva.
O trava-línguas
Por sorte, Stéphan Lichtsteiner fica a maior parte do tempo no banco de reservas. Do contrário, muito narrador tropeçaria no sobrenome dele e colocaria (ou tiraria) letras ‘t’ e ‘s’.
O astro
Se a defesa do Lille chama a atenção por seu equilíbrio, o maior responsável pela solidez do setor é Tony Sylva. O senegalês transmite segurança para o restante da equipe por conta de sua agilidade e por não titubear quando precisa dividir com um atacante adversário. Embora ainda se embanane às vezes com bolas levantadas na área, Sylva conta com a ajuda de uma boa zaga para estes momentos equivocados.
Adoro te odiar
Lille fica no norte da França. Por conta disso, o LOSC nutre uma rivalidade natural contra o Lens para saber qual dos dois clubes melhor representa a região na Ligue 1. No momento, os Sang et Or ‘curtem’ uma fase de dor-de-cotovelo.
Caminho para a LC
Terceiro colocado da última Ligue 1, o Lille entrou na terceira fase preliminar da LC. Ao derrotar o Rabotnicki duas vezes, o LOSC garantiu presença pelo segundo ano consecutivo na fase de grupos do torneio.
AEK
por Caio Maia
Os adversários devem temê-los porque…
O AEK foi beneficiado pelo sorteio com um grupo que pode ser considerado fácil: o Milan deve suar pouco para ficar com a primeira vaga, mas Anderlecht e Lille estão longe de serem bichos-papões. Outro fator que pode ajudar a equipe é o fato de disputar a competição pela primeira vez desde a temporada 2001/2, e dois anos depois de ser comprado por um grupo de investidores comandado pelo ex-ídolo Demis Nikolaidis, atacante que fez parte do grupo da Grécia que conquistou a Euro-2004. Dede então, o clube se livrou da grave crise financeira que vivia, e a chegada à LC deve motivar elenco e torcida.
O mapa da mina
O AEK se classificou para a LC no saldo de gols, depois de empatar em pontos com o Panathinaikos. Além disso, nesta temporada perdeu Katsouranis, um de seus melhores jogadores, para o Benfica. Para completar, nas três primeiras partidas desta temporada pelo campeonato grego, a equipe empatou três vezes.
O bendito esquema tático
Nos dois jogos eliminatórios contra o Hearts, quando garantiu a passagem à fase de grupos, a equipe grega atuou de maneiras diferentes. No jogo de ida, na Escócia, atuou com cinco defensores de ofício, três meias e dois atacantes. Na volta, depois de ter ganho em Edimburgo por 2 a 1, não “economizou”, e entrou em campo com três avançados.
O trava-línguas
Os nomes dos jogadores do AEK são relativamente simples. O que mais pode causar problemas é o meia húngaro Daniel Tözsér.
O astro
Traianos Dellas voltou ao AEK na temporada passada, depois de quatro anos jogando na Itália, onde defendeu Peruggia e Roma. O jogador, que tem quase dois metros de altura, já jogou 67 vezes pela seleção grega, e fez o gol da vitória contra a República Tcheca , que classificou a equipe para a final da competição.
Adoro te odiar
Cabe ao Panathinaikos a “honra” de grande rival do AEK. As duas equipes são as maiores da capital grega, e disputam o segundo lugar na lista de campeões – o AEK ganhou a liga 11 vezes, contra 19 do rival.
Caminho para a LC
Vice-campeão grego, passou pelo Hearts na terceira eliminatória com duas vitórias: 2 a 1 na casa do rival e 3 a 0 em casa.
Anderlecht
por Cassiano Ricardo Gobbet
Os adversários devem temê-los porque…
Campeão belga, o Anderlecht tem um elenco bastante equilibrado e vários nomes que podem vir a ter espaço no cenário internacional, como o defensor Pareja, o meio-campista Tioté ou o atacante Tchité. Alem disso, o treinador Franky Vercauteren já tem vários anos de clube (era assistente técnico antes de assumir o posto) e acompanhou a formação ou contratação da maioria dos jogadores.
O mapa da mina
Se um time venceu uma partida entre as últimas 12 que disputou na competição, já dá para imaginar que alguma coisa está errada. No caso, o que pesa é a diferença de nível entre o campeonato belga e os torneios mais fortes da Europa. No campo, o Anderlecht deve sentir muito a saída de Vincent Kompany, maior promessa do clube nos últimos dez anos. Com Kompany, a defesa ‘Mauve’ já não era uma muralha. A expectativa é de que deva ficar ainda pior.
O bendito esquema tático
No ano passado quase todo, Vercauteren mandou seu time a campo sem muitas invenções, num 4-4-2 básico, mas esta temporada tem visto um 4-5-1 com bastante freqüência. Vanden Borre e Deschacht comandam a defesa pelas laterais, mas é o capitão Bart Goor que dita o ritmo do jogo no meio-campo, especialmente pela sua experiência. O forte do time é o ataque, que tem nomes bastante habilidosos como Mohammed Tchité.
O trava-línguas
Se espera muita choradeira nos estúdios das TVs caso Vercauteren resolva escalar Dieumerci Mbokani para atuar no ataque. Pensando bem, conhecendo a realidade, é capaz de ter gente se atrapalhando até para pronunciar o nome do goleiro Silvio Proto.
O astro
Sem Kompany, o Anderlecht não tem uma estrela indiscutível. Anthony Vanden Borre é considerado um dos mais promissores nomes do elenco, mas o atacante Frutos e o defensor Deschacht também são importantes.
Adoro te odiar
Os rivais históricos são Club Bruges e Standard Liége. Como este último não levanta o caneco nacional desde 1982, a rivalidade ficou até meio ‘café com leite’, embora a torcida do Standard seja uma das mais fiéis do país.
Caminho para a LC
Campeão belga, o Anderlecht não precisou enfrentar ninguém na fase eliminatória.


