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LC 2006/07: Grupo E

Real Madrid

por Ubiratan Leal

Os adversários devem temê-los porque…
Zidane encerrou a carreira e Figo já foi embora há uma temporada, mas o Real Madrid continua sendo o clube com elenco mais estrelado do mundo. Por mais que a boa fase de muitos já tenha ficado no passado e que egos se choquem constantemente, é muito difícil segurar Ronaldo, Beckham, Raúl, Casillas, Robinho, Cassano, Roberto Carlos (menos, menos), Van Nistelrooy e Cannavaro em um dia inspirado. Ainda mais agora, que a diretoria finalmente olhou para o campo – e não para a conta bancária – antes de fazer contratações. Chamartín tem Fabio Capello, um técnico competente e com força para impor suas idéias sobre as vaidades internas. Com o treinador italiano vieram Émerson e Cannavaro, o que deve dar mais segurança defensiva. E a chegada de Van Nistelrooy acaba com a dependência do Real em Ronaldo para ter um goleador de vocação no ataque.

O mapa da mina
Capello tem pulso firme e carta branca para agir como bem entender no time, mas o sistema ‘galáctico’ estava viciado e pode impor resistência ao trabalho do treinador. Principalmente no começo da temporada. O fato de sobrar jogadores ofensivos (Ronaldo, Van Nistelrooy, Robinho, Raúl, Reyes e Cassano ainda estão em Chamartín), por exemplo, pode provocar brigas internas pelas duas ou três posições de titular. Por isso, o técnico terá de mostrar habilidade no comando e criatividade tática para, eventualmente, conseguir acomodar o máximo de estrelas possíveis sem prejudicar a harmonia do time.

O bendito esquema tático
Claramente Capello ainda está procurando uma formação mais adequada. O sistema tático deve ser o 4-4-2, com dois laterais pouco ofensivos (Sergio Ramos pode ser deslocado para o setor, e por isso Cicinho está à venda) para ajudar a fechar a defesa. Uma possível surpresa do setor é Diego López, goleiro de 24 anos que agrada a Capello e pode ganhar a posição de Casillas. No meio-campo, a proteção defensiva é feita por dois volantes fortíssimos na marcação, Émerson e Mahamadou Diarra. Na parte ofensiva estão as principais dúvidas, pois sobram opções. Beckham é titular pela direita, jogando aberto. Na esquerda, Robinho, Reyes e Raúl podem ter uma chance, com os espanhóis em vantagem no momento. Na frente, uma vaga é praticamente certa para Cassano. O pugliese agrada ao treinador italiano por seu futebol insinuante e de muita movimentação. Sob o comando de Capello, inclusive, Cassano deve controlar seu comportamento. O goleador de referência deve ser Van Nistelrooy, que está com uma silhueta menos arredondada que Ronaldo. O fato de o brasileiro quase ter sido vendido no mercado de verão é um sintoma de sua situação no Paseo de la Castellana. Ainda assim, Ronaldo pode assumir o posto de titular se mostrar algum compromisso com sua própria carreira.

O trava-línguas
O Real Madrid é um clube tão conhecido e cujas partidas passam tanto na TV que ninguém mais se enrola. Mesmo com o recém-chegado Van Nistelrooy. Mas, espera aí! É Nistelrooy ou Nilsterooy??? Segundo muito narrador, é Nilsterooy, mas pode acreditar que o certo é Nistelrooy.

O astro
Ronaldo, Casillas, Beckham, Van Nistelrooy, Robinho, Raúl… Jogador famoso e com espaço assegurado na mídia internacional não falta ao Real Madrid. Mas dá para deixar de considerar o sujeito que foi o melhor jogador da Copa ainda em atividade e que ainda levantou a taça como capitão da seleção campeã como astro de sua equipe? Não dá. Por isso, os ‘galácticos’ que desculpem o colunista, mas o destaque do Real Madrid, hoje, é Cannavaro.

Adoro te odiar
Sempre que Real Madrid x Barcelona se encontram a mídia bombardeia o torcedor com o chavão “o maior clássico do mundo”. Clichês à parte, isso dá uma boa noção de como é grandioso o duelo entre esses clubes. Não é apenas uma rivalidade de dois times de futebol, mas da Castela que historicamente tenta unificar a Espanha para conquistar o mundo contra a independentista e orgulhosa Catalunha. Os clubes adotam eses tipo de comportamente, e, enquanto um (Real Madrid) se coloca como cosmopolita para se considerar o maior do mundo, o outro (Barcelona) parte pelo caminho oposto e usa sua identidade regional para se consolidar internacionalmente.

Caminho para a LC
Vice-campeão espanhol, teve vaga automática na fase de grupos.

Lyon

por Ricardo Espina

Os adversários devem temê-los porque…
O Lyon sobra no campeonato francês. A equipe conquistou um inédito pentacampeonato graças a um planejamento cuidadoso. Mesmo com a perda de jogadores importantes, o clube trouxe outros de igual qualidade para a reposição – o que possibilitou a formação de um elenco forte, com reservas de qualidade semelhante à dos titulares. O cérebro do time está em seu sólido meio-campo, formado por dois volantes (Tiago, Diarra ou Toulalan) eficazes no combate e capazes de ajudar na armação, e um meia inteligente como Juninho Pernambucano, exímio em cobranças de falta.

O mapa da mina
O problema dos lioneses se concentra em seus dois laterais. O principal problema está no lado direito: François Clerc, apesar de algumas boas atuações, ainda é irregular e tem problemas para marcar seus adversários. Anthony Réveillère faz o contrário: defende bem, mas deixa a desejar na hora de apoiar o ataque. Na esquerda, a experiência de Eric Abidal o ajuda a exercer melhor suas funções defensivas, mas não que ele seja um expert nesta tarefa. A dupla de zaga formada por Cris e Caçapa, por incrível que possa parecer, transmite segurança.

O bendito esquema tático
O técnico Gérard Houllier apóia-se em um sólido 4-3-3. Na formação mais tradicional, a defesa compõe-se com Clerc, Cris, Caçapa e Abidal, com Coupet no gol. O meio-campo se dispõe como um triângulo, com dois volantes na base e Juninho mais à frente. No setor ofensivo, dois pontas (Malouda e Wiltord, mas Clerc pode ser improvisado pela direita) se responsabilizam por ajudar um atacante fixo na área (Carew ou Fred).

O trava-línguas
O elenco do Lyon poupou os narradores de nomes muito complicados. Talvez o mais estranho para nossos olhos seja o do meia sueco Kim Källström por possuir duas letras com trema, o que deixa dúvidas quanto a sua pronúncia correta.

O astro
Nem é preciso pensar muito para apontar Juninho Pernambucano como o líder do time. O meia centraliza as ações da equipe com desenvoltura. Sua ótima visão de jogo facilita a vida dos atacantes, graças a lançamentos e assistências preciosas. Para completar, ele tornou-se um dos melhores cobradores de falta do futebol europeu. Não sem motivo, Juninho Pernambucano é um dos grandes responsáveis pelo Lyon ter atingido o nível no qual se encontra hoje.

Adoro te odiar
O Lyon roubou de Olympique de Marselha e Paris Saint-Germain a condição de “clube grande” da França. Porém, o maior rival da equipe está a poucos quilômetros de distância. O Saint-Etienne se localiza na mesma região do país, o que garante uma dose extra de tempero quando os dois se enfrentam.

Caminho para a LC
Ao ganhar pela quinta vez consecutiva a Ligue 1, o Lyon classificou-se diretamente para a fase de grupos do torneio continental.

Dynamo Kiev

por Gustavo Hofman

Os adversários devem temê-los porque…
O Dynamo Kiev tem um meio-campo extremamente habilidoso e que conta com a excelente fase do meia brasileiro Diogo Rincón, ex-Internacional, que está na Ucrânia desde 2002 e é um dos ídolos da torcida. Além dele, o experiente Rebrov completa a parte ofensiva do meio. A marcação fica por conta de um conhecido da torcida do Palmeiras, o volante Corrêa.

O mapa da mina
A parte defensiva do time não é das melhores. O técnico Anatoly Demyanenko já arma um esquema mais fechado atrás, com pouco avanço dos laterais, por não confiar plenamente em seus defensores. Além disso, o veterano goleiro Oleksandr Shovkovsky não é mais o mesmo de tempos atrás e seu temperamento lhe rende algumas punições.

O bendito esquema tático
Assim como a maioria das equipes da LC, o Dynamo Kiev atua no 4-4-2. Com uma linha de quatro defensores bem postados atrás, um meio-campo criativo que apóia constantemente o ataque – Rebrov é praticamente um terceiro atacante – , cujo destaque é o uzbeque Maksim Shatskikh, o Dynamo não apresenta qualquer novidade tática, mas uma equipe homogênea.

O trava-línguas
Como em qualquer equipe ucraniana que se preze, são muitos os nomes de jogadores que podem complicar a vida de qualquer narrador brasileiro, mas os atacantes do Dynamo – Maksim Shatskikh, Otar Martsvaladze e Maris Verpakovskis – se resolverem marcar muitos gols nesta LC, devem conseguir algumas demissões na nossa imprensa.

O astro
O veterano meia Serhiy Rebrov, de 32 anos, é o maior destaque do Dynamo Kiev. O meia-atacante é o típico caso de atleta que não deu certo atuando fora de seu país. Estrela do Dynamo nos anos 90, ao lado de Andriy Shevchenko, Rebrov foi vendido por 17,7 milhões de euros para o Tottenham, onde ficou três temporada e marcou apenas 15 gols. Pelo Dynamo, em quatro Liga dos Campeões, Rebrov anotou 19 gols. Depois da Inglaterra foi emprestado para o Fenerbahçe e na seqüência West Ham, até voltar para a Ucrânia na metade de 2005, onde se sente em casa e consegue jogar seu belo futebol.

Adoro te odiar
Em Kiev existem outras equipes, como o Arsenal, que têm pouca expressão no cenário ucraniano e não passam de pequenos rivais locais. Seus rivais históricos são o Spartak e o Dynamo Moscou, rivalidade oriunda dos tempos da União Soviética – o Dynamo Kiev é o maior vencedor da história do futebol da URSS. Atualmente, com a ascensão do Shakhtar, a equipe de Donetsk se tornou a maior inimiga do Dynamo Kiev.

Caminho para a LC
Vice-campeão do último Campeonato Ucraniano, o time entrou na segunda fase preliminar da LC. Passou pelo Metalurgs (LET) com duas goleadas (4×0 e 4×1), e depois garantiu a vaga na fase de grupos ao eliminar o Fenerbahçe com uma vitória em casa por 3 a 1 e um empate na Turquia, em 2 a 2.

Steaua Bucareste

por Ubiratan Leal

Os adversários devem temê-los porque…
Apesar de contar com poucos estrangeiros no elenco, o Steaua é mais um clube que enriqueceu recentemente com a chegada de um mecenas de aspirações políticas. No caso, George Becali, empresário do setor imobiliário que já foi candidato da extrema direita a presidente da República e é conhecido por não economizar em declarações racistas contra ciganos. Com seu suporte financeiro, o Steaua consegue evitar o êxodo de revelações romenas – prática comum há alguns anos – e, mesmo sem jogadores conhecidos, tem um conjunto forte e algum talento. A boa campanha na Copa Uefa 2005/6 (o time caiu apenas nas semifinais) mostra isso.

O mapa da mina
Manter a base de romenos é bom para dar conjunto, mas o time fica com pouca experiência internacional. Nos jogos em casa, o apoio da torcida garante alguns bons resultados, porém, a queda de rendimento é brutal fora de Bucareste. Além disso, o clube não disputa a fase de grupos da Liga dos Campeões desde 1996/7 e perdeu contato com o futebol de alto nível da competição.

O bendito esquema tático
O sistema de jogo básico do Steaua é 4-4-2 com meio-campo em losango (um volante, dois meias abertos e um armador). Os pilares da defesa são Ghionea e Marin, ambos da seleção romena. O meio campo é o setor mais forte, com Petre – recém-contratado da Politechnica Timissoara – na marcação Nicolita pela direita, Paraschiv na esquerda e Dica se aproximando do ataque pelo meio. No ataque Badea é o homem de referência, com Iacob, Oprita e o francês Théreau disputando a segunda vaga no setor.

O trava-línguas
Não é difícil pronunciar o nome do Bostina. O difícil é evitar a risadinha depois, como ocorreu com o nome do goleiro costarriquenho Porras na Copa. Menos mal para os narradores que o meia do Steaua é reserva.

O astro
Nicolae Dica é um dos principais nomes da nova geração do futebol romeno. Apesar de ser meia, o jogador também atua como atacante, pois tem habilidade, bom senso de colocação na área e oportunismo. Já fez 14 partidas na seleção da Romênia, número que poderia ser maior se não tivesse de concorrer com Mutu por uma posição.

Adoro te odiar
O rival tradicional do Steaua Bucareste é o Dínamo de Bucareste. Ambos dividiam a simpatia da ditadura comunista de Nicolau Ceaucescu e dominavam os pouco transparentes Campeonatos Romenos (o Steaua era comandado pelo Exército e o Dínamo, pelo Ministério do Interior) e até por isso a relação de rivalidade era pacífica. O mesmo não se pode dizer da rixa do Steaua com o Rapid Bucareste. A torcida ros-albastrii é ligada à direita e tem líderes acusados de racismo contra ciganos, justamente a comunidade representada futebolisticamente pelo Rapid.

Caminho para a LC
Campeão romeno, teve ainda de passar por Gorica, da Eslovênia, e Standard Liège, da Bélgica, nas fases preliminares.

 

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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