LC 2006/07: Grupo D

Valencia
por Ubiratan Leal
Os adversários devem temê-los porque…
Apesar de não ter grandes estrelas, o Valencia já está acostumado a realizar boas campanhas em competições continentais. O ponto forte é a homogeneidade técnica do elenco e o conjunto. Dessa forma, o time é consistente, conta com várias opções (inclusive no banco de reservas) e não depende de um ou outro jogador para ter um bom desempenho. Também merece atenção a pressão da torcida nos jogos realizados no estádio Mestalla.
O mapa da mina
A ausência de estrelas é positiva ao Valencia por dar cara a uma equipe homogênea. Porém, nos momentos decisivos, o time sente falta de algum jogador acima da média para assumir a responsabilidade. Isso é particularmente importante pelo fato de o Valencia não ser um clube de grande tradição no cenário internacional. Outro problema dos valencianos é a indefinição ainda de como o ataque será estruturado, o que causa alguma instabilidade durante a temporada.
O bendito esquema tático
O técnico Quique Sánchez Flores ainda não teve oportunidade de solidificar melhor o esquema do Valencia, já contando com as contratações do mercado de verão. Mas a base é boa. No gol, Cañizares foi o melhor goleiro espanhol da última temporada. A defesa ainda conta com Miguel (um dos melhores laterais-direito da Copa), Marchena no meio e Del Horno pela esquerda. Albelda e um entre Gavilán, Edu ou Baraja fazem a marcação no meio-campo, com Joaquín na armação. O outro meia ofensivo ainda é um mistério, pois Regueiro não é ruim, mas não convenceu até o momento. Na frente, Villa está em um grande momento e pode compensar a falta de consistência no futebol de Morientes.
O trava-línguas
O elenco do Valencia só conta com jogadores de língua latina e apenas um narrador com muita preguiça mental vai ter sérios problemas com o clube. Para o torcedor que gosta de pegar no pé, vale ficar de ouvido nas enorme gama de pronúncias para o nome de Villa. O certo é “bilha”, mas versões como “vila”, “vilha”, “bidja”, “vidja”, “vija” ou “bija” são esperadas.
O astro
Pouca gente se lembra, mas David Villa foi um dos vice-artilheiros da Copa, com três gols. O atacante valencianista passou por grande fase na temporada passada, com um raro senso de oportunismo. Os dois gols do centroavante no jogo contra o Red Bull Salzburg na fase preliminar da Liga dos Campeões dão a impressão que a fase de Villa continua boa.
Adoro te odiar
Em teoria, o rival local do Valencia é o Levante, mas o abismo que separa as duas equipes torna a disputa algo desigual. Assim, a torcida valencianista se dedica à nova força da Comunidade Valenciana, o Villarreal e a Real Madrid e Barcelona, esses dois últimos mais por serem adversários na disputa dos títulos espanhóis.
Caminho para a LC
Terceiro colocado no Campeonato Espanhol, passou pelo Red Bull Salzburg da Áustria na terceira fase preliminar da competição.
Roma
por Cassiano Ricardo Gobbet
Os adversários devem temê-los porque…
Entre os times italianos desta temporada, a Roma foi a que fez as contratações mais inteligentes sem gastar muito. Jogadores a custo zero deram ao treinador Luciano Spaletti um elenco titular muito bom. As jogadas do time pelas laterais, que já eram temíveis, agora ficarão ainda mais letais, uma vez que os externos defensivos Cassetti e Tonetto têm vocação para apoiar.
O mapa da mina
Por outro lado, a maratona de jogos causada pela Liga dos Campeões pode nocautear o time da capital italiana. O elenco não é numeroso e nomes como De Rossi e Totti têm dificuldade de serem substituídos. O brasileiro Doni, no gol, fez uma ótima temporada no último ano, mas ainda deixa dúvidas para quem o acompanhou no Corinthians.
O bendito esquema tático
Spaletti quebrou a cabeça na Roma até chegar a um 4-2-3-1, para poder usar Mancini no time sem comprometer a defesa. Mancini joga como ponta-direita e a Roma usa praticamente quatro atacantes quando avança. A defesa é sempre muito bem guarnecida por De Rossi e Pizarro. Na defesa, Chivu é o comandante.
O trava-línguas
É difícil achar alguém com quem, mesmo um locutor tosco, consiga se enrolar. Provavelmente as chances ficam para Cassetti, cuja pronúncia é com entonação aberta na letra ‘e’, enquanto alguns gênios podem preferir a entonação fechada que abre a porta para piadas engraçadalhas. O sérvio Vucinic (lê-se ‘Vutchínitch’) também dá margem a imperfeições.
O astro
Francesco Totti manda e desmanda na Roma. O cara é o capitão, maior artilheiro do time, galã televisivo de programas de auditório e ainda é casado com Ilary Blasi, uma apresentadora de TV que tem fartas virtudes. Além disso, nas horas vagas, o sujeito bate um bolão, especialmente se a Roma está jogando em casa, com uma visão de jogo e passe apurados.
Adoro te odiar
Certamente a Lazio é a grande inimiga da Roma. Mas nesta temporada, por pouco os dois times não deixam de se enfrentar, uma vez que o time ‘biancoceleste’ quae foi rebaixado por causa de mutretas. O derby entre os dois é um dos mais incandescentes da Europa.
Caminho para a LC
A Roma deveria ter tido de passar por uma fase eliminatória para chegar à fase de grupos da LC, mas como o Milan foi punido, o time romano só assistiu, mas agora caiu numa chave, digamos, incômoda.
Olympiacos
por Caio Maia
Os adversários devem temê-los porque…
Em um grupo “nivelado por baixo”, sem nenhuma potência européia, o Olympiacos pode se aproveitar do fato de que esta á a décima vez consecutiva que joga a LC. A gigantesca predominância doméstica na última temporada também deve fazer com que a torcida passe a esperar mais da equipe, pressionando-a a conseguir passar à segunda fase. Em 2005-2006, o Olympiacos não só ganhou a Liga e a Copa, como também superou duas vezes seus dois rivais, o Panathinaikos, que acabou ficando só em terceiro no campeonato, e o AEK .
O mapa da mina
A equipe não tem nem uma parcela do dinheiro e do “glamour” dos concorrentes Roma e Valencia, o que faz com que, naturalmente, não consiga atrair jogadores do mesmo nível. Não é à toa que, mesmo tendo participado das dez últimas edições da competição, o clube só tenha conseguido passar desta fase uma vez, em 98/99. Além disso, a maior estrela do grupo, o brasileiro Rivaldo, já tem 34 anos, e tende a ficar cada vez mais no estaleiro e atuar com cada vez menos energia.
O bendito esquema tático
Pode-se dizer que o Olympiacos atua em um 4-4-2, embora um dos meias da equipe seja Rivaldo, que muitas vezes se torna atacante. Além disso, um dos dois avançados é Nery Castillo, que costuma voltar para buscar o jogo, o que acaba deixando o time muitas vezes com só um homem fixo no ataque.
O trava-línguas
Os gregos não têm nomes difíceis – a maioria termina com “poulos” ou “idis”. Quem dificulta a vida no elenco são os jogadores do leste europeu: o polonês Zewlakow, o sérvio Djordjevic e, principalmente, o armênio Hovhannisyan, que desafia muito mais quem escreve do que os narradores.
O astro
Com 34 anos, Rivaldo ainda é o grande nome do Olympiacos. É o único no grupo a já ter passado por algum “grande” europeu com destaque, além de ter sido campeão do mundo com o Brasil em 2002. Embora a chegada de Castillo tenha tirado de seus ombros a responsabilidade de carregar o time sozinho, ainda é Rivaldo que marca os gols decisivos e que dá o ritmo da equipe.
Adoro te odiar
O Olympiacos é de Pireus, porto que fica muito próximo a Atenas, e tem como principais rivais os dois maiores clubes da capital, o AEK e, principalmente, o Panathinaikos. Antes de conseguir nove dos dez últimos títulos nacionais, o Olympiacos passou nove anos sem ganhar, nos quais cada um dos rivais venceu a liga quatro vezes. Na contagem geral, no entanto, o placar é amplamente favorável à equipe de Pireus, que tem 34 títulos nacionais, contra 19 do Panathinaikos e 11 do AEK.
Caminho para a LC
Campeão grego, entrou direto na fase de grupos.
Shakhtar Donetsk
por Gustavo Hofman
Os adversários devem temê-los porque…
O Shakhtar tem uma equipe muito entrosada e que já joga junto há pelo menos duas temporadas, quando foram bicampeões ucranianos. Além disso, o time possui vários jogadores que fazem parte da seleção ucraniana e alguns jovens talentos de vários países, como os brasileiros Jádson e Fernandinho, e o croata Darijo Srna. O meio-campo é o ponto forte da equipe treinada pelo romeno Mircea Lucescu, que também tem o talento de Elano no meio.
O mapa da mina
O ataque do Shakhtar carece de criatividade. Os ucranianos Vorobey e Byelik, o brasileiro Brandão e o nigeriano Aghahowa, atacantes da equipe, não são craques e estão longe disso. Bem marcado, o setor ofensivo da equipe se torna fraco e o Shakhtar passa a depender exclusivamente da categoria de seus meias.
O bendito esquema tático
Para não fugir à regra, o Shakhtar atua no 4-4-2. Dois zagueiros, dois laterais que têm liberdade para atacar, dois volantes postados à frente da defesa, dois meias de armação e dois atacantes na frente. Nada de anormal e tudo muito previsível, a não ser a criatividade dos jogadores.
O trava-línguas
Entre tantos nomes presentes no elenco do Shakhtar que podem complicar, dois defensores, se atuarem ao mesmo tempo, trarão problemas para os mais desavisados: Vyacheslav Shevchuk e Vyacheslav Sviderskiy.
O astro
Anatoliy Tymoschuk foi o melhor jogador da Ucrânia na Copa do Mundo e é o grande destaque do Shakhtar. Aos 27 anos e desde 1997 na equipe, Tymoschuk se tornou ídolo da torcida e ponto de referência do meio-campo do time. Forte na marcação, o volante alia qualidade nos desarmes e consegue apoiar o ataque com eficiência, dando muitas assistências precisas para os atacantes.
Adoro te odiar
O rival local do Shakhtar é o Metalurg, também da cidade de Donetsk, fundado em 1996, mas que devido sua pouca história, tradição e importância no cenário nacional ucraniano, é mais tido como o segundo time da cidade. O grande inimigo do Shakhtar é a maior e mais vencedora equipe do país, o Dynamo Kiev.
Caminho para a LC
O Shakhtar garantiu vaga na fase de grupos da LC ao eliminar o Légia Varsóvia, da Polônia, na terceira fase preliminar, com duas vitórias – 1 a 0 e 3 a 2. Porém, antes disso, precisou ser campeão ucraniano de maneira dramática, numa partida-desempate contra o Dínamo Kiev, já que ambas equipes haviam terminado empatadas com 75 pontos. No jogo extra, vitória por 2 a 1, com um gol nos acréscimo marcado por Aghahowa.


