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LC 2006/07: Grupo B

Internazionale

por Cassiano Ricardo Gobbet

Os adversários devem temê-los porque…
Teoricamente, a Internazionale é o clube que mais se reforçou para esta temporada, comendo na carniça do cadáver da Juventus. Nem o Chelsea do ‘Patinhas’ Abramovich abriu tanto os cofres como Massimo Moratti, motivado pela eliminação da rival piemontesa e pela desvantagem do rival da cidade.

O ponto forte da Inter é um meio-campo onde sobra experiência e talento. Com Patrick Vieira e Cambiasso pelo meio, as opções para as alas do setor são vastas, especialmente com Figo e Stankovic. Ataque? Crespo, Ibrahimovic e Adriano. É preciso falar mais?

O mapa da mina
No papel, esqueça. A Inter é um time forte em praticamente todas as posições titulares. Agora, se alguns nomes como Vieira ou Samuel se machucarem, daí o time tende a bambear. Mas o que mais assusta a nação ‘nerazzurra’ é a instabilidade emocional do clube, que tende a entregar o ouro quando a pressão aumenta. O sucesso da temporada interista depende da construção de uma defesa sólida para evitar derrotas, ainda que o time jogue mal. Se fizer isso, afasta o perigo de perder a confiança.

O bendito esquema tático
4-4-2, tradicional, com dois volantes que têm técnica e laterais que precisam defender antes e atacar depois. Jogando com Crespo, o time ganha em mobilidade, mas Adriano dá peso ao ataque. Ibrahimovic parece ter lugar garantido, caso não tropece na própria língua.

O trava-línguas
Esta Inter é ‘amiga’ dos narradores mais desatentos. Ibrahimovic é o nome mais traiçoeiro, mas o resto é mamão com açúcar. Se alguém conseguir errar nomes como Grosso, Materazzi, ou Maicon, por favor, mande um e-mail e nós encaminharemos o caso para um centro de estudos avançados do cérebro.

A estrela
Por hora, é Adriano, mas não é nada difícil do brasileiro criar caso e sair fora durante a temporada. Neste caso, o herói-trapalhão Materazzi é candidato à idolatria, assim como Ibrahimovic.

Adoro te odiar
Adivinha? O Milan, claro. A sanha interista por bater o Milan em campo é quase paranóica e nesta temporada, o maior horror possível para os ‘nerazzurri’ é o de terminarem o campeonato atrás dos rivais. Seria a humilhação suprema.

Caminho para a LC
Caminho baba para a LC. Com um ‘scudetto’ caindo no colo, a Inter não precisou nem mesmo passar pela fase eliminatória da competição. A fase de grupo não é tão carinhosa assim (Bayern, Spartak e Sporting), mas pelo menos o time descansou um pouco mais.

Bayern de Munique

por Carlos Eduardo Freitas

Os adversários devem temê-los porque…
Em 2003/4, ninguém apostava no Porto; em 2004/5, ninguém dava bola para o Liverpool. Mesmo em uma fase de transição, porém, o Bayern merece respeito por sua tradição nacional e internacional. Tem jogadores de altíssimo nível em praticamente todas as posições e, para desespero dos rivais europeus, carrega no sangue o mais tradicional estilo alemão de só se dar por vencido quando o juiz apita. Sem falar que no banco de reservas está Felix Magath, um dos melhores técnicos da Europa na atualidade.

O mapa da mina
Se por um lado tem um sistema defensivo muito forte, difícil de ser vencido, o Bayern peca no ataque. Nenhum dos quatro atacantes – Makaay, Santa Cruz, Pizarro e Podolski – está no nível mais alto do futebol mundial. Exceção feita ao alemão, que ainda é uma promessa, os outros três costumam deixar a desejar. Além disso, a obsessão pela conquista do título europeu costuma atrapalhar o time, que está acostumado a ganhar tudo em casa.

O bendito esquema tático
Felix Magath costuma armar suas equipes no 4-4-2 clássico, mas haviam algumas dúvidas até o início da temporada. A chegada de Van Buyten para disputar vaga com Lúcio e Ismael deixou aberta a possibilidade de o time atuar com três zagueiros. Principalmente porque até a terceira rodada da Bundesliga não havia chegado um substituto para Ballack. A contusão de Ismael e a chegada de Marc van Bommel, porém, devem resolver a questão: Magath mantém seu estilo clássico.

O trava-línguas
Na Copa do Mundo, todos aprenderam a falar o nome de Schweinsteiger. Quando o Bayern está em campo, o nome de Schweini é uma baba se comparado ao de Hasan Salihamidzic. Apesar de ser um nome sem grandes problemas se falado devagar – Sá-li-há-mid-zitch –, vira e mexe sai um Salehamedesik ou qualquer coisa que o valha. Isso quando narradores por aí ficam tão íntimos do bósnio que o chamam apenas de “Sali”.

O astro
Oliver Kahn está velho, prestes a se aposentar, mas não há no time alguém mais significativo do que ele – principalmente após a saída de Michael Ballack. Depois de Mehmet Scholl, é o jogador que há mais tempo está no clube. Mesmo em fim de carreira – já anunciou que se aposenta em 2008 ou se o time levar a LC antes –, ainda tem o que oferecer.

Adoro te odiar
Em sua cidade, o Bayern tem no 1860 Munique seu principal rival, mas há tempos os Leões não oferecem resistência. Regionalmente, o único dérbi é com o Nuremberg, mas a grande rivalidade nacional se divide entre o Schalke 04 e o Borussia Dortmund.

Caminho para a LC
Campeão alemão, pela 20ª vez na história. Classificado automaticamente para a primeira fase.

Spartak Moscou

por Gustavo Hofman

Os adversários devem temê-los porque…
O Spartak tem uma linha ofensiva muito forte – melhor ataque do Campeonato Russo com 37 gols em 18 jogos. Com dois jogadores artilheiros na frente – Fernando Cavenaghi e Roman Pavlyuchenko –, ambos muito bem municiados pelo ucraniano Kalinichenko, a equipe tem seu ponto forte nas jogadas criadas por esses jogadores. Além disso, o capitão Yegor Titov está lesionado atualmente, mas quando se recuperar (dentro de poucas semanas), o meio-campo, que já conta com a marcação e o bom momento do volante brasileiro Mozart, ganha ainda mais criatividade.

O mapa da mina
Por outro lado, a defesa do Spartak é uma das mais vazadas do Campeonato Russo. Mesmo ocupando a vice-liderança da competição, o time já sofreu 22 gols em 18 jogos e, apesar da contratação do zagueiro austríaco Martin Stranzl, o setor não melhorou muito. Para completar, o time se reforçou na última semana com o brasileiro Géder, ex-Vasco da Gama, que estava no Saturn há algumas temporadas. Ou seja, nenhum sinal de melhora.

O bendito esquema tático
O técnico Vladimir Fedotov, que foi efetivado no cargo há quatro meses no lugar de Alexander Starkov, utiliza um tradicional 4-4-2, com uma linha de quatro jogadores atrás e pouco avanço dos laterais, privilegiando as jogadas criadas pelo meio-campo para os atacantes.

O trava-línguas
Alguns nomes podem complicar, como do russo Pavlyuchenko e do holandês Quincy Owusu-Abeyie, mas o goleiro polonês Wojciech Kowalewski fica com as honras.

O astro
Mesmo com a presença de jogadores como o argentino Fernando Cavenaghi e de Yegor Titov, o grande destaque do time atualmente é o atacante Roman Pavlyuchenko. Artilheiro do time no Campeonato Russo com oito gols, o jogador está no clube desde 2003 e já se tornou unanimidade entre dirigentes e torcedores.

Adoro te odiar
O Spartak é a equipe mais popular da Rússia e conhecida como o time do povo. Historicamente, seu maior rival é o Dínamo Moscou, eterno rival da época da União Soviética, período em que o Dínamo Kiev também era considerado inimigo. Porém, com a ascensão do CSKA, a rivalidade dos dois clubes aumentou muito nos últimos anos, mas ainda fica atrás do Dínamo Moscou.

Caminho para a LC
Tudo começou em 2005 na conquista do vice-campeonato russo, com uma arrancada sensacional nas últimas rodadas para ultrapassar Lokomotiv, Rubin, Moscou e Zenit e ficar com a segunda vaga russa para a LC. Nesta edição do torneio o Spartak entrou na segunda fase preliminar e sofreu para eliminar o Sheriff, da Moldávia: empates em 1 a 1 fora e 0 a 0 em casa. Na fase seguinte, contra o Slovan Liberec, da República Theca, outro empate em 0 a 0, desta vez fora de casa, e a classificação com uma vitória por 2 a 1 no estádio Luzhniki.

Sporting

por Zeca Marques

Os adversários devem temê-los porque…
O meio-campo do Sporting consegue aliar bem a virtuosidade de João Moutinho (volante) e Romagnolli (meia-esquerda) com a garra de Custódio (outro volante) e Carlos Martins (meia-direita). Esse equilíbrio interessante pode representar por vezes uma vulnerabilidade quando a equipe está sem a posse de bola; no entanto, permite um jogo bastante agressivo no contra-ataque, algo que se beneficia da constante movimentação dos avançados e do sempre oportunista Liedson. Dos três grandes de Portugal, o Sporting foi o único que manteve o técnico (Paulo Bento) e o que mostrou mais consistência durante a pré-temporada. Além disso, sua torcida está sedenta pela conquista do primeiro título continental, algo que os rivais Benfica e Porto já experimentaram.

O mapa da mina
À semelhança do que ocorre com a maioria das equipes lusas, o ponto fraco do Sporting é a defesa. A formação atual traz Abel na lateral direita e Caneira improvisado na esquerda, permanecendo Polga e Tonel no miolo. Trata-se de uma zaga que vai precisar de muito treino para atuar com entrosamento. Além disso, os volantes João Moutinho e Custódio não são do tipo trombadores, no melhor estilo Dunga, o que torna o sistema mais vulnerável. Para piorar, o goleiro Ricardo – que sempre brilha à frente da seleção nacional – não inspira maiores confianças com a camisa de seu clube. Na estréia da Superliga, já falhou num gol do Boavista, algo atenuado devido à vitória por 3 a 2.

O bendito esquema tático
O técnico Paulo Bento vai para sua segunda temporada à frente do Sporting, depois de ter sido promovido ao cargo na época passada em função da demissão de José Couceiro. De acordo com o início da Superliga, tudo indica que ele utilizará o 4-4-2. Outra opção é armar a zaga com três jogadores (Polga, Tonel e Caneira) e evoluir para um 3-5-2. O problema será a falta de bons alas para fazer esse esquema funcionar.

O trava-línguas
Os locutores brasileiros não terão grandes dificuldades para transmitir partidas do Sporting. Os maiores problemas ficarão com os nomes do sueco Farnerud e do camaronês Douala.

O astro
Liedson tem sido, ao longo dos últimos três anos, a maior referência do time sportinguista. Artilheiro máximo da equipe e bom finalizador, adaptou-se bem ao futebol português, a despeito do corpo franzino (o que lhe deu o apelido de ´Levezinho´). Ao lado do atacante brasileiro, as atenções da imprensa deverão recair sobre o jovem João Moutinho, revelado no próprio clube e uma das maiores promessas do atual elenco. Chegou a ser chamado por Felipão às vésperas da Copa-2006, mas ficou de fora na última convocação.

Adoro te odiar
O Benfica, como não poderia deixar de ser, é o maior rival do Sporting, especialmente pelo fato de protagonizarem há várias décadas o dérbi lisboeta – clássico mais charmoso de Portugal. A torcida leonina costuma ainda chamar os benfiquistas de ´Lampiões´ – numa alusão jocosa ao ´Estádio da Luz´, de propriedade do adversário.

Caminho para a LC
O Sporting ganhou vaga direta na fase de grupos da LC por ter sido vice-campeão nacional na temporada passada.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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