LC 2006/07: Grupo A

Cabe ao grupo A da Liga dos Campeões 2006/7 o título de ´grupo da morte´. Não só pela qualidade de três de suas equipes, como também pela ausência de muita competição nos outros grupos. Aqui nesta chave, no entanto, quem achar que está classificado antes da hora tem tudo para dançar. Se Chelsea e Barcelona são considerados hoje duas das melhores equipes do mundo e têm estrelas como Ronaldinho, Eto’o, Shevcenko e Lampard, o Werder Bremen adicionou à boa base do ano passado o meia Diego e o zagueiro Mertesacker.
Chelsea e Barcelona continuam favoritos, mas vão ter que se esforçar para não perder pontos à toa. Se empatarem nas duas partidas, por exemplo, quem perder do Werder Bremen na Alemanha ficará seriamente ameaçado.
Barcelona
por Ubiratan Leal
Os adversários devem temê-lo porque…
O Barcelona venceu a última edição da Liga dos Campeões jogando um futebol ofensivo e insinuante. Além disso, no clube espanhol, Ronaldinho joga em sua real posição e assume a responsabilidade de liderar a equipe, Eto’o não precisa bater pênaltis decisivos, Messi não fica no banco e Deco e Xavi dão consistência ao meio-campo. Além disso, a defesa, que estava abaixo da média do resto do time, foi reforçada com Zambrotta e Thuram.
O mapa da mina
Na temporada passada, a defesa era composta por Valdés, Oleguer, Puyol, Márquez e Van Bronckhorst. Por mais que os espanhóis idolatrem Puyol, era uma retaguarda frágil. Porém, chegaram Thuram e Zambrotta e tudo ficou perto da perfeição, certo? Pois é aí que está o perigo para o Barça. Percebe-se que o time se assoberbou com as conquistas da última temporada e muitas vezes essa arrogância pode levar os jogadores à desconcentração ou a ignorar a capacidade de algum adversário superá-los.
O bendito esquema tático
Em teoria, o Barcelona joga no 4-3-3. A defesa joga em linha e os laterais só avançam quando é realmente necessário. O meio-campo é formado por dois volantes e um meia. Com a chegada de Thuram, o mexicano Márquez pode ser deslocado para o meio-campo, como volante fixo na marcação e dando mais espaço para Xavi fazer a ligação com o setor de armação. Deco fica como referência, distribuindo o jogo para Ronaldinho e Messi, que jogam abertos e voltam para buscar o jogo. A dupla pode tanto fechar pelo meio, tabelando com Eto’o (o centroavante mais fixo), quanto abrir para a ponta.
O trava-línguas
Em teoria, seria o holandês Van Bronckhorst (algo perto de ‘vã bronc-rórst’), mas teve narrador que conseguiu errar o nome do Xavi (o chamando de Xabi Alonso).
O astro
A Copa do Mundo deixou a torcida um pouco decepcionada com Ronaldinho, mas é inegável que se trata de um dos maiores jogadores do mundo na década, talvez o melhor na atualidade. Driblador, veloz, incisivo, descontraído e bastante identificado com a torcida catalã, é difícil não se animar com seu futebol.
Adoro te odiar
O rival de cidade – o Espanyol – é insignificante para a ‘gent blaugrana’. O grande alvo da torcida do Barcelona é o Real Madrid. O duelo carrega a rivalidade entre as duas maiores cidades da Espanha e vencer os merengues é, para o catalão, uma desforra pelas décadas de perseguição durante a ditadura de Franco. Justamente contra o time preferido do general.
Caminho para a LC
Conquistou vaga automática como atual campeão da competição. De qualquer maneira, teria se classificado como campeão espanhol.
Chelsea
por “
Os adversários devem temê-los porque…
A equipe tem uma quantidade inacreditável de talentos no plantel. Além disso, é comandada por José Mourinho, que chegou ao título há três anos com o Porto, time muito mais limitado que o Chelsea e que muitos dos que bateu naquele ano. Além disso, o Chelsea “cansou” de ganhar o Inglês, e precisa justificar o investimento milionário de Roman Abramovich vencendo a LC. Para isso, o russo abriu mais uma vez o bolso para trazer ao plantel o craque Shevcenko. O clube se reforçou ainda com Khalid Boulahrouz, Michael Ballack e Salomon Kalou, um zagueiro, um meia e um atacante. A equipe já não tinha buracos no elenco, imagine então agora.
O mapa da mina
Há dois possíveis pontos fracos nos Blues. O primeiro é o “excesso” de jogadores de primeira linha. Muitos acabam não jogando tanto quanto gostariam, o que, por enquanto, não gerou problemas, mas é potencialmente explosivo. O outro problema, paradoxalmente, pode ser a falta de atacantes. Mourinho deixou Damien Duff ir embora, indicando que pretende mudar do 4-3-3 que vinha utilizando para um esquema com dois atacantes puros, já que agora tem Shevcenko. O problema é que Crespo e Gudjohssen foram embora, deixando o elenco com só três atacantes – Drogba, Sheva e Kalou. Se um deles se contundir, especialmente se esse um for o ucraniano, o Chelsea pode sofrer.
O bendito esquema tático
O esquema do ano passado, com Robben, Duff e Cole caindo pelas pontas e servindo Drogba ou Crespo, deu lugar a um 4-4-2 clássico, no modelo europeu, com dois meias abertos e dois atacantes. Há mais um para concluir, mas a equipe precisa se acostumar com o esquema para que a bola não deixe de chegar à frente.
O trava-línguas
Tchevtchenko, Chévchenko, Chévtchenko… afinal, como é que se fala o nome desse cara?
O astro
A estrela dos Blues é, paradoxalmente, um dos poucos atletas “nascidos” em Stamford Bridge, o zagueiro John Terry. O novo capitão do English Team é considerado na Inglaterra como um dos melhores zagueiros do mundo, e costuma justificar a fama. Firme na defesa, faz seus golzinhos e é, sem dúvida, a maior liderança da equipe.
Adoro te odiar
O Chelsea não é o maior rival do Arsenal, que prefere odiar o Tottenham, mas os Gunners são hoje o maior rival do Chelsea. A rivalidade local é relativamente grande com o Fulham, mas a diferença de nível das duas equipes é tão grande que hoje os torcedores preferem se preocupar com o que está acontecendo no Emirates Stadium.
Caminho para a LC
Campeão da Premier League.
Werder Bremen
por “
Os adversários devem temê-los porque…
Uma das grandes vantagens do Werder Bremen é que o elenco sofreu poucas mudanças em relação à última temporada. No time titular, apenas Diego entra no lugar de Johan Micoud e Per Mertesacker que chega para compor a zaga com Naldo. O técnico Thomas Schaaf arma sua equipe de maneira bastante ofensiva e tem no entrosamento da dupla Klasnic-Klose sua principal arma. A chegada do meia brasileiro Diego, aliás, caiu como uma luva no sistema de toques rápidos e muita velocidade.
O mapa da mina
Tanta ofensividade implica em problemas defensivos claros. Foi por isso que o time trouxe Per Mertesacker, zagueiro-sensação na última temporada: dar qualidade à defesa. Outro problema da linha de zaga é a baixa idade dos dois zagueiros: Naldo tem apenas 23 anos, mesma idade do alemão. Além disso, os laterais Clemens Fritz e Christian Schulz costumam subir muito ao ataque e deixar os dois desguarnecidos.
O bendito esquema tático
Os Verdes jogam num esquema tático simples, com quatro zagueiros, dois volantes de marcação, dois meias ofensivos e dois atacantes. A grande vantagem do técnico Thomas Schaaf é que em seu quarteto de meio-de-campo estão três jogadores – Frings, Borowksi e Baumann – têm características tanto defensivas quanto ofensivas, o que ajuda no caso de Diego estar muito marcado.
O trava-línguas
O Bremen tem um elenco que joga a favor de comentaristas, mas sempre vai aparecer alguém capaz de trocar as bolas com Owomoyela. E fácil, fácil, alguém vai fazer piadinha comparando Zidan a Zidane.
O astro
Miroslav Klose. Artilheiro da última edição da Bundesliga, com 25 gols, e também da Copa do Mundo, com 4, o atacante alemão vive o melhor momento de sua carreira e preferiu continuar no Werder Bremen a seguir o caminho de Michael Ballack, que foi jogar no exterior. Além de ser habilidoso com os pés, Klose é letal com a cabeça.
Adoro te odiar
Por qualidade técnica, o grande adversário do Werder Bremen é o Bayern de Munique, mas regionalmente a grande rivalidade dos Verdes é com o Hamburg, que neste ano também disputa a LC.
Caminho para a LC
Vice-campeão alemão, posição conquistada na última rodada da última temporada.
Levski Sófia
por “
Os adversários devem temê-los porque…
A equipe já chegaria à fase de grupos da Liga dos Campeões sem grandes objetivos. Ao cair em grupo dificílimo com Barcelona, Chelsea e Werder Bremen, as chances de conseguir algo são ínfimas. Por isto mesmo, o Levski Sofia leva um certo perigo por conta de sua postura de franco-atirador. O time possui um meia experiente (Borimirov) e bons atacantes (Domovchiyski, Yovov e Emil Angelov), que podem causar estragos em defesas que os subestimarem.
O mapa da mina
A própria inexperiência da equipe em uma competição como a LC será um empecilho. Se a equipe cair na armadilha do “chegar até aqui já foi bom demais”, será uma presa muito fácil para os rivais da chave. O setor defensivo destoa um pouco do equilíbrio do restante do time, por conta de alguns problemas de posicionamento dos seus jogadores.
O bendito esquema tático
O time atua num 4-4-2 clássico, com dois volantes, dois jogadores de características mais ofensivas e dois atacantes. Um time bem ajustado, principalmente do meio-campo para frente.
O trava-línguas
A grande maioria dos jogadores do Levski tem nomes terminados em ‘ev’ ou ‘ov’. Seria muito simples, mas alguns nomes saíram caprichados, como os do meia Atanas Bornosuzov ou do defensor Elin Topuzakov. Mas o campeão foge da regra: o meia Dimitar Telkiyski (nem tanto pela pronúncia, mas sim na hora de redigir).
O astro
Daniel Borimirov comanda o meio-campo da equipe. Ele é o único remanescente da seleção búlgara que surpreendeu na Copa de 94. Apesar de já não ser mais aquele jogador rápido da época do Mundial nos Estados Unidos, Borimirov desenvolveu ainda mais sua habilidade para cadenciar o ritmo de jogo da equipe. Por sua experiência e liderança sobre o grupo, o meia exerce papel fundamental no elenco.
Adoro te odiar
Na capital búlgara, três outras equipes fazem o Levski perder o sono: o CSKA, maior campeão nacional (30 títulos, contra 24 do Levski), Slavia e Lokomotiv. Porém, com a classificação inédita para a fase de grupos da LC, o time tem motivos de sobra para contar vantagem para cima dos seus vizinhos.
Caminho para a LC
O Levski Sófia tornou-se o primeiro time búlgaro a chegar à fase de grupos da LC, no atual formato da competição. Campeão nacional na última temporada, o time entrou no torneio na segunda fase preliminar. Nela, passou pelo Sioni Bolnisi, da Geórgia, com duas vitórias por 2 a 0. Na etapa seguinte, eliminou o Chievo ao triunfar por 2 a 0 em casa e segurar um empate por 2 a 2 na Itália.


