Lamentações em Mumbai

O Mahindra United, uma das forças do futebol indiano, começou bem a temporada 2008/9 faturando a Durand Cup, o torneio mais antigo do País. Mas na sequência, a equipe vem fazendo feio na I-League, o campeonato indiano. Há quase quatro anos no cargo, o simpático treinador Derrick Pereira nos explicou o mau momento. No embalo, nos deu informações das diferenças estruturais dos clubes das principais cidades com tradição futebolística.
Porquê o seu Mahindra United está tão mal na atual temporada da I-League, onde ocupa a oitava posição entre os 12 clubes da elite?
São muitas as razões. Nós tínhamos dado alguns dias de descanso após vencermos o Churchill Brothers na final da Durand Cup. Tínhamos planejado nosso retorno aos treinos três semanas antes do inicio da I-League. Mas a preparação foi prejudicada devido as fortes chuvas em Mumbai. Nós não pudemos treinar por quase duas semanas.
Há outras razões?
Sim, o Steven Dias e o Pradip, jogador chave no meio-campo que assinou conosco após a Durand Cup, não estavam em forma devido as lesões que sofreram enquanto serviam a nossa seleção. O nosso reforço para a defesa, o senegalês Lamine Tamba, fraturou o tornozelo no treino um dia antes da estréia na I-League. Além disso, nossos principais atacantes não estavam bem, enfim, tudo isso afetou nossa performance nos primeiros três jogos, onde tivemos péssimos resultados.
Não acha que o Mahindra se movimentou mal no mercado?
Não, eu sinto que temos um dos melhores times do País.
As cidades de Calcutá, Mumbai e Goa são os grandes centros do futebol indiano. Conte-nos as diferenças mais destacáveis para se trabalhar em cada uma delas.
Uma das diferenças é que os times de Calcutá ainda funcionam da mesma forma que era nas décadas de 1970, 80 e 90. Em Mumbai e Goa os clubes são mais organizados e disciplinados. Mas ainda existem muitas coisas para se fazer no futebol indiano em termos de infra-estrutura, equipamentos e desenvolvimento de jovens.
Mas no geral, não mudou muita coisa no futebol indiano nas últimas décadas?
Quase nada dentro e fora de campo.
E quanto aos torcedores?
Em Calcutá são fanáticos e apóiam seus times com muito entusiasmo. Eu acho até que os clubes de Calcutá sobrevivem mais por causa dos seus torcedores. Em Mumbai e Goa, os torcedores vêm aos estádios mais para assistir um bom futebol.
Existe alguma fórmula para ganhar a I-League?
Eu diria que é ter estrangeiros extraordinários junto com bons jogadores indianos porque eu acredito que futebol se ganha como equipe. A chave para um time que quer ser campeão é ter pelo menos dois ‘match-winners’ que podem mudar o curso de uma partida com suas performances.
O Sporting de Goa liderou a competição até o inicio deste mês, foi uma surpresa para você?
Eles causaram impacto em todos, mas eles tinham times melhores há alguns anos. Atualmente eles se destacam pela boa mescla de jovens e veteranos, mas sem nenhum nome de destaque.
Quase todos os estrangeiros na Índia são brasileiros e africanos. Na sua visão, o que eles agregam para o futebol indiano?
Márcio Barreto (meia-atacante do Mohun Bagan), por exemplo, é tido como um ‘Deus’ aqui. Ele é um ‘match-winner’ e provou isso através dos anos aqui. Existem outros bons estrangeiros mas que ainda precisam provar algo. Os africanos são muito fortes fisicamente e a presença deles é sentida pelo jogo robusto que fazem, já os brasileiros contam com uma habilidade ímpar. Os estrangeiros que tem me impressionado são Márcio Barreto, Odafe (atacante nigeriano do Churchill Brothers), Ranty Martins (atacante nigeriano do Dempo) pela sua capacidade goleadora. Entre os meio-campistas eu citaria o Marcos (JCT) e o Pierre Douhou (Mahindra United), da Costa do Marfim, que é muito habilidoso e ainda pode crescer.
O nigeriano Odafe Okolie tem o maior salário da Liga em todos os tempos. Dizem que beira os $ 200 mil dólares anuais. Não acha um exagero para a realidade do futebol no País?
Desculpe, mas não comento sobre salários de jogadores.
Como avalia o projeto ‘Goal’ realizado pela FIFA?
Eu sinto que a FIFA está ansiosa para ajudar o futebol indiano a evoluir, mas nós precisamos nos ajudar também. Desculpe, mas não quero entrar em detalhes..
Qual a origem do seu sobrenome?
Eu sou natural de Goa, que era colônia portuguesa, assim como o Brasil, daí o sobrenome.


