La Copa se mira y se toca

A frase do título acima foi gritada por Jaime Pizarro, capitão do Colo Colo campeão da Copa Libertadores em 1991, ao levantar o troféu do torneio. Foram muitos, muitos anos ouvindo dos argentinos que o título era impossível, que os chilenos poderiam ver a taça, mas jamais tocá-la. O dia 5 de junho de 1991, porém, marcou a redenção, a “vingança”, a maioridade do futebol de um país que ainda sofria com a suspensão da Fifa após a simulação de Roberto Rojas nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1990.

Isso mesmo, caros leitores: há 20 anos e um dia, o Colo Colo levantava a taça de campeão da Copa Libertadores da América. Foi a única conquista de uma equipe do Chile na história do torneio, o que, por si só, aumenta ainda mais o tamanho da façanha daquele time que contava com nomes como como Marcelo Barticciotto, argentino que foi técnico do clube recentemente, Ricardo Dabrowski, artilheiro daquela competição com seis gols, além do bom goleiro Daniel Morón e do já citado capitão Pizarro.

De acordo com o jornalista Danilo Diaz, do jornal chileno “La Tercera”, aquele título quebrou um paradigma. Na época, dizia-se que os times do Atlântico sempre venciam os times do Pacífico em competições sul-americanas, em referência óbvia aos oceanos que banham países diferentes do continente.

O ponto chave dessa ruptura, ainda de acordo com o jornalista, foi a épica vitória por 3 a 1 no jogo de volta das semifinais contra o Boca Juniors, após o clube perder a primeira partida em La Bombonera por 1 a 0. O jogo é até hoje lembrado como “o melhor segundo tempo jogado por uma equipe chilena em uma partida internacional na história”. No fim da partida, houve uma grande confusão entre jogadores das duas equipes e outras pessoas que estavam assistindo o jogo no estádio.

Na final, o adversário era o Olimpia, que havia sofrido apenas três gols em toda a competição. Após empate por 0 a 0 em Assunção, a vitória em Santiago por 3 a 0 imortalizou na memória dos colocolinos o time montado pelo técnico croata Mirko Jozic, que foi campeão mundial sub-20 em 1987 com a seleção iugoslava, chegou ao clube em 1989 e saiu em 1993 para a seleção chilena, na qual não teve muito êxito. Não precisava, porém, fazer mais nada para entrar na história do futebol daquele país.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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