Já é uma realidade

Na matéria sobre a realidade dos clubes que disputam as Séries C e D do futebol brasileiro, alguns clubes consultados foram definitivos em defender uma mudança no formato de disputa das duas divisões. Seguir o regulamento das Séries A e B, com pontos corridos, dividindo em grupos Norte e Sul, abolição da Série D, todas essas sugestões foram feitas.
Regionalizadas, as séries inferiores já são: os grupos são organizados de acordo com a proximidade geográfica. E mesmo a questão da adoção dos pontos corridos é polêmica: como ignorar a possibilidade de alguns clubes não terem dinheiro para sustentar as viagens, com o desamparo da CBF? De todo modo, caso o mesmo sistema usado pelas séries A e B fosse adotado nas divisões inferiores, seria mais um caminho parecido com os quatro principais centros do futebol europeu. Onde, por sinal, esta já é uma realidade.
Inglaterra
Pegue-se, por exemplo, a Inglaterra. Desde a temporada 2004/05, a terceira divisão ganhou o nome de League One, e a quarta, de League Two, com ambas fazendo parte da Football League (que também controla o Championship, a segunda divisão inglesa). E, nelas, o esquema é semelhante ao da segunda divisão, com o acesso sendo definido por colocação na tabela e pelos play-offs.
No caso da League One, os dois primeiros colocados asseguram o acesso à Championship, enquanto, entre o terceiro e o sexto colocado, há um play-off para definir o terceiro que subirá para a segunda divisão. E os quatro últimos colocados caem para a League Two. Nesta, por sua vez, os três primeiros sobem diretamente para a terceira divisão, enquanto, do quarto ao sétimo lugar, há novo play-off para definir o acesso.
E os dois últimos colocados caem para a Conference National, a quinta divisão. E, daí por diante, há a descentralização regional: a sexta divisão é dividida por Conferências Sul e Norte, a sétima divisão tem divisões norte, sul e para as ilhas, e a descentralização continua nas séries de baixo.
Itália
Na Itália, a divisão regional já começa a partir da terceira divisão, a Lega Pro Prima Divisione (antes chamada Série C), organizada desde 1978. Nela, há 36 clubes, divididos em dois grupos de 18, os Girones A e B, divididos também por proximidade geográfica. O primeiro colocado de cada grupo garante o acesso direto à Série B, enquanto, do segundo ao quinto lugar, há um play-off para definir a segunda vaga. Com relação ao rebaixamento, o último colocado de cada grupo, mais os dois últimos colocados dos play-offs, caem para a quarta divisão.
E esta atende pelo nome de Lega Pro Seconda Divisione. E esta tem ainda mais clubes: 54, divididos em três grupos de 18 (Girones A, B e C). Pelo menos, normalmente. Pois, nesta temporada, apenas 49 clubes obedeceram às obrigações da federação para a inscrição na quarta divisão, sendo divididos em dois grupos de 16, e um de 17. Mas, com relação ao acesso, a lógica é semelhante à da terceira divisão: os campeões de cada Girone sobem diretamente, bem como os vencedores dos play-offs de cada grupo, que envolvem do segundo ao quinto lugar.
Porém, o rebaixamento terá uma lógica diferente, para que a Seconda Divisione possa ter 54 clubes em 2011-12. Nos dois grupos de 16, os dois últimos colocados se unirão ao final da temporada, para disputarem um play-off, no qual o penúltimo e o último lugar serão rebaixados. E, na chave com 17 clubes, 15º e 16º lugar disputam mais um play-off, cujo perdedor cai, junto com o último colocado, para a Série D – apesar do nome, a quinta divisão italiana (Lega Nazionale Dilettanti).
Espanha
Aqui, os play-offs imperam – e a divisão é bem maior. Na Segunda División B, a terceira divisão, há quatro grupos, com 20 equipes cada um. E os quatro colocados de cada grupo se juntam para um play-off, onde há oitavas de final, quartas de final, semifinais e a final, cujos dois participantes conseguem o acesso à Liga Adelante, a segunda divisão espanhola. E os quatro últimos colocados caem diretamente para a Tercera División. Somando-se aos dezesseis que caem, há mais dois, vindos de um confronto entre os décimo-sextos colocados de cada grupo. Dois play-offs diretos decidem os dois que cairão para a Tercera Division.
Esta, que é a quarta divisão espanhola, tem uma descentralização gigantesca pelas regiões do país: mobiliza nada menos do que 364 times, divididos em 18 grupos, a maioria com 20 times. Os quatro primeiros colocados de cada grupo disputarão quadrangulares, que definirão os 18 que sobem para a Segunda División B. E os três últimos colocados de cada grupo podem cair para as divisões regionais, controladas por cada uma das 19 federações territoriais que formam a Real Federação Espanhola de Futebol.
Alemanha
Na Alemanha, a 3. Fussball-Liga (terceira divisão) está totalmente integrada às Bundesligas 1 e 2. Tanto é que as regras de acesso e descenso são as mesmas de segunda e primeira divisões: os dois primeiros colocados sobem, enquanto o terceiro disputa um play-off de acesso com o 16º colocado da Bundesliga 2. E os três últimos colocados caem para a Regionalliga.
E a quarta divisão alemã, por sua vez, se assemelha à sua homóloga italiana: 54 clubes semiprofissionais, divididos em três grupos de 18, regionalizados: Liga Norte, Liga Oeste e Liga Sul. Porém, as regras do acesso também são simples. Os campeões das três chaves sobem para a 3. Fussball-Liga, enquanto os acessos mudam: na Liga Norte, caem do 15º ao 18º lugar, enquanto Sul e Oeste veem cair do 16º ao 18º. Estes dez clubes disputarão a Oberliga, administrada pelas 21 federações regionais da DFB, a federação alemã.
Enfim, de certa forma, as Séries C e D do Brasil começam, vagarosamente, a seguir os passos de suas irmãs europeias: regionalização e descentralização.


