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“J-League não é a mesma”

Ele foi um dos astros nas primeiras edições da J-League, o campeonato japonês. Alcindo, ex-atacante de Flamengo e Grêmio, se juntou a Zico no Kashima Antlers em 93 e formou ao lado de vários futebolistas de renome o movimento inicial para profissionalizar e popularizar o futebol na terra do sol nascente. Neste bate-papo, o hoje fazendeiro Alcindo Sartori, vivendo no interior do Paraná, fala das mudanças que ocorreram na liga e crítica a postura passiva dos dirigentes japoneses.
“Deixaram os empresários colocarem jogadores tudo de qualquer jeito e estragaram o campeonato” afirma.
Confira nas linhas abaixo todo o teor da conversa. 

Lá se vão 17 edições da J-League desde que o futebol se profissionalizou no Japão. Sendo um dos brasileiros que contribuiram nos primórdios da competição, como você avalia aquele trabalho feito nas primeiras edições?
Foi um movimento importante com muitos brasileiros como Zico, Carlos Alberto Santos, Ruy Ramos, Bismarck, Careca, e tantos outros. Os japoneses passaram a pensar de forma mais profissional o que era ser um atleta de futebol. Demos um impulso para o país se profissionalizar e me sinto orgulhoso de ter feito parte daquilo.

Foi o Zico que te convidou?
Sim, eu estava no Grêmio e ele me ligou porque o Kashima Antlers estava precisando de atacante.

Você mantém contato com todos os brasileiros que atuavam lá?
Com o Zico eu sempre falo por telefone ou MSN. O Bismarck tem uns quatro anos que não vejo. Com o Carlos Alberto Santos eu mantenho contato, enquanto os outros eu vejo ocasionalmente em eventos. Vou ao Japão pelo menos uma vez por ano e no ano passado eu encontrei o Ruy Ramos num evento, ele até me deu uma camisa.

Como você analisa o fato de a maioria dos brasileiros que atuam hoje no Japão serem quase desconhecidos do público médio, diferente dos anos 90, quando haviam grandes nomes?
Pois é, eu falo isso pra eles. Deixaram os empresários colocarem jogadores de qualidade mediana pra baixo, tudo de qualquer jeito, sem critério, e estragaram o campeonato. Prejudicou.

Hoje é uma outra competição em relação as primeiras edições?
A qualidade caiu porque eles deixaram. Alguns clubes ainda estão bem, outros melhoraram e outros caíram. O Kashima Antlers se mantém bem e com ótima estrutura, eu estive lá e vi. O Urawa Red Diamonds era fraco na minha época e hoje cresceu muito. Já o Verdy Kawasaki (atual Tokyo Verdy) caiu demais.

Você fez sucesso muito rápido lá, foi vice-artilheiro duas vezes em 93 e 94 e foi garoto-propaganda, virou até boneco. Foi fácil se adaptar?
Com mímicas e gestos a gente se entendia, além de alguns japoneses saberem um pouco de português por causa do Zico. Mas nunca fui um jogador que pensava em artilharia, o que eu queria era ajudar a equipe.

A imprensa brasileira divulgava mais quando o Kashima Antlers; que tinha você, Carlos Alberto Santos e Zico, enfrentava o Verdy Kawasaki; de Pereira, Ruy Ramos, Bismarck e Kazu Miura.
Eram bons jogos, mas eles (Verdy) levavam a melhor, tinham mais estrutura. Para fazer a diferença no Kashima só tinha eu, Zico e Carlos Alberto Santos, o resto era tudo igual. Mas o grande clássico era Verdy Kawasaki e Yokohama Marinos (antigos Yomiuri FC e Nissan Motors, respectivamente).

Você é natural de Medianeira, interior do Paraná. Aonde você jogou antes de vir para o Flamengo?
Eu comecei no Cascavel, cheguei a jogar até nos profissionais, fiquei seis meses lá. Depois fomos em seis para fazer testes no Vasco e quando chegamos na rodoviária, no Rio de Janeiro, a Kombi que nos veio buscar era a do Flamengo, o Isaías Tinoco estava lá.

Você trabalhou com Vanderley Luxemburgo, em 91. Ele mudou muito?
Já era extremamente exigente. Mas é gente boa, um dos melhores que nós temos no país.

O que houve de errado na sua passagem pelo Corinthians em 96?
Eu não acho que fui mal no Corinthians de jeito nenhum. O que aconteceu foi que quando eu assinei com o clube, tinha grandes jogadores. Mas quando eu cheguei lá o Marcelinho machucou, o Edmundo saiu, o Zé Elias jogou uma partida do Brasileirão e já foi vendido, o Henrique machucou etc. e daí eu fiz o melhor que pude…

Porquê parou de jogar tão cedo?
Joelho. Passei por quatro cirurgias. Quando eu voltava estirava de novo, aí larguei. Se não fosse por isso, estaria no Japão até hoje.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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