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Irureta: “Custará anos para se repetir”

Há dez anos o Deportivo La Coruña conquistava seu primeiro e único título espanhol. O comandante daquela conquista era o treinador Javier Irureta. Neste bate-papo por telefone, o atual diretor desportivo do Athletic Bilbao relembra com orgulho a façanha de ter triunfado sobre clubes com plantéis de orçamentos titânicos como Barcelona e Real Madrid. ‘El Jabo’, como é conhecido, se mostrou muito disposto a falar daquela temporada gloriosa para o clube da Galícia. 

 Quais são as principais recordações daquele inédito título espanhol conquistado pelo Deportivo La Coruña em 2000?

São magníficas. O clube estava em dívida com a torcida porque seis anos antes havia perdido o título no último minuto com o pênalti que o Djukic desperdiçou. Conseguimos cumprir a meta de apagar aquela frustração. Ainda mais em se tratando da região da Galícia, que até aquele momento nunca havia ganhado. Acima de tudo digo que o mérito foi dos futebolistas; tínhamos gente de valor como Donato, Djalminha, Frán, Mauro Silva, Turu Flores, Makaay, Pablo, etc..e um grupo consistente. É um triunfo que custará anos para se repetir..

Já há alguma repercussão sobre esses dez anos do título?

O Canal Plus me convidou para passar um dia no Riazor e contar todos os detalhes do dia em que batemos o Espanyol por 2 a 0 e ganhamos o título. Eles querem que eu conte tudo, da preparação na semana até o jogo. Acredito que antes de maio vamos gravar.

“A capacidade econômica de Barcelona e Real Madrid é muito grande e se distancia cada vez mais. Em qualquer partida, se eles fazem dois gols é impossível reagir”

Em poucas ocasiões nas últimas décadas, equipes com orçamento menor do que Barcelona e Real Madrid – como o seu Deportivo de 2000 e o Valência do Rafa Benitez em 2002 e 2004 – conseguiram ganhar a Liga. Existe alguma receita para superá-los?

É muito difícil. A capacidade econômica deles é muito grande e se distancia cada vez mais dos outros. Há temporadas em que o Barcelona está abaixo do Real Madrid e vice-versa, mas quase nunca ambos estão mal. Em qualquer partida, se eles fazem dois gols é impossível reagir. Complica muito. Eles compram os melhores e largam na frente. A Liga é como uma corrida de coelhos, deve-se manter a regularidade na dianteira. O ideal é não perder pontos para os pequenos e aproveitar os tropeços dos dois.

Seria incoerente dizer que o fato de Real Madrid e Valência terem ido até a final da Champions League naquele ano (2000) facilitou o caminho do seu Deportivo na Liga Nacional?

Não acredito que tenha facilitado, até porque são clubes que disputam a Liga dos Campeões com freqüência e já tem experiência em montar a programação da temporada incluindo todas as metas a serem alcançadas: Campeonato Espanhol, Copa do Rei e Champions League. Além disso, em 2002, quando o Real Madrid também chegou à final da LC, nós ganhamos a Copa do Rei em cima deles em pleno estádio Santiago Bernabeu. Na ocasião do título nacional, fomos mais regulares e no final fomos campeões com uma distancia de cinco pontos em relação ao Barcelona na tabela.

“Rivaldo foi o melhor futebolista brasileiro que vi em 40 anos de experiência que tenho no futebol espanhol”

O futebol espanhol sempre foi palco de grandes jogadores brasileiros: Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e agora Kaká. Nos mais de 40 anos que você está envolvido com futebol como jogador e fora das quatro linhas, quem você destacaria?

Rivaldo foi o mais eficaz. Ficaria com Rivaldo..

Sem nenhuma dúvida?

É claro que sempre tivemos excepcionais futebolistas brasileiros que triunfaram por nossos melhores clubes, mas eu ficaria com o Rivaldo por ter sido o mais eficaz e objetivo que vi entre os grandes brasileiros que jogaram aqui.

E foi um jogador que por pouco você não trabalhou junto, pois ele saiu um ano antes de você assumir o Deportivo em 98.

Sim, e tive ótimos brasileiros. O Mauro Silva, por exemplo, era um grande líder. Jogador de equipe, trabalhador, boa cabeça e um exemplo. Assim como o César Sampaio. O Donato tecnicamente era um defensor magnífico. Tive o Flávio Conceição, um médio forte e que chutava bem de longe. Além do Djalminha, que tecnicamente era brilhante.

(n.d.r. O entrevistado não quis comentar o episódio em que levou uma cabeçada de Djalminha num treino pouco antes do fim da temporada 2001/02)

“Já tivemos situações em que chegamos bem cotados em Copas do Mundo, mas agora é diferente, temos auto-estima”

Como analisa o panorama competitivo para a próxima Copa do Mundo?

Vejo a Espanha como favorita ao lado do Brasil. Já tivemos situações em que chegamos ao Mundial bem cotados, mas agora é diferente, temos auto-estima. Daqui da Europa incluo Itália, Inglaterra e como sempre a Alemanha merece respeito e atenção. Mas penso que o Brasil é a equipe que está no mesmo patamar da Espanha. A Argentina é complicado, não vejo com bons olhos o trabalho do Maradona..

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Equipe Trivela

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