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“Inter tem muita qualidade humana”

Neo-campeã italiana, a Internazionale também é a atual campeã do Torneio de Viareggio, uma das mais prestigiadas competições de juniores do mundo. Um dos jogadores da ‘primavera’ que treinam com mais freqüência nos profissionais é o atacante uruguaio Sebastián Ribas, que fez dupla de ataque com o astro-nascente Mário Balotelli na conquista da Copa Carnevale – como também é conhecido o Torneio de Viareggio – em fevereiro. Lúcido e expansivo nas respostas, o atacante, de 20 anos, nos contou como está sendo sua aventura neroazzurra. 

Você é o único jogador que ganhou o Torneio de Viareggio, conceituada competição sub-20, por equipes diferentes, Juventud e Internazionale. Tem muito orgulho disso, não?
Claro, é uma alegria imensa, principalmente por ter feito parte do primeiro time sul-americano (Juventud, do Uruguai) a ganhar o torneio, em 2006. Por outro lado, ganhar com a Inter este ano foi importante, pois o clube não ganhava desde os tempos de Obafemi Martins e Pandev (2002). Formamos um grupo importante com muitos jogadores hoje atuando na Série A e também mostrando a qualidade e o potencial que muitos reservas da Inter têm atualmente.

Você estava na Itália quando aceitou regressar ao Uruguai para atuar no Juventud. Como foi isso?
Foi rápido. Entrei no Juventud alguns meses antes de disputarmos o Viareggio´2006, um projeto coordenado por meu pai (o treinador Julio César Ribas, atual seleção do Omã). Eu topei porque era um projeto que me seduzia, pois conhecia a forma do meu pai trabalhar, sempre o admirei. Era uma possibilidade de realizar um sonho: ganhar um título com meu pai dirigindo. Naquela ocasião, estava na seleção sub-17 do Uruguai e havia jogado no Venezia. Com o retorno da minha família para o Uruguai, eu tinha que encontrar um clube, e aceitei o Juventud.

Como foi sua passagem do Juventud para a Internazionale, em 2006, retornando a Itália?
Após ganhar o Viareggio 2006 saindo como goleador, marcando na final e impedindo a Juventus de ganhar o tetracampeonato, se abriram as portas também em outros países da Europa. Quando voltamos ao Uruguai muitos jogadores conseguiram espaço para jogar na equipe principal do Juventud, que estava na Série B. Eu joguei 8 partidas e fiz 5 gols e nos classificamos para decidir a ascensão. Mas não pude jogar a final, pois já havia firmado contrato com a Inter de Milão.

Quais as dificuldades de adaptação para estar na ‘primavera’ (juniores) da Internazionale?
Não tive problemas em nivel futebolístico. Minha carreira teve ‘um antes e depois’. Quando pude trabalhar com meu pai eu aprendi muitas coisas. Antes de estar com ele no Juventud, eu já tinha aprendido muito porque acompanhava seus treinamentos quando criança. Quando trabalhei com ele, aprendi ainda mais tanto dentro quanto fora de campo. Tudo isso me ajudou a não sentir a diferença de um futebol mais dinâmico, tático, físico, e porque não, mais técnico como o italiano. Me adaptei bem.

Não houve dificuldades?
A única foi a alimentação. É diferente do Uruguai e custa um pouco se acostumar, mas não é nada difícil, são simplesmente hábitos.

E como é trabalhar com o técnico Vincenzo Espósito na ‘primavera’ interista?
Tem grande qualidade. Já dirigiu equipes mais jovens da Inter e teve excelentes resultados. Ganhamos o Campeonato Italiano´2007 e o Viareggio´2008 com ele. Tem grande habilidade para manejar grupos. Eu o agradeço muito por ter sido o jogador que jogou mais minutos no ano de 2007 e pela confiança que me transmitiu.

E como é com Roberto Mancini?
Sabe lidar muito bem com um elenco de classe mundial como a Inter. Poucos são capazes e ele consegue isso, tanto que é um dos treinadores italianos mais vitoriosos dos últimos tempos. Os feitos e títulos falam por ele. Estou imensamente agradecido por me escolher para formar parte do plantel principal e de ter me dado algumas oportunidades para jogar numa equipe tão prestigiosa como a Inter.

Recoba te ajudou muito desde que você chegou a Milão, em 2006?
O fato de sermos uruguaios era algo que nos unia e ele sempre se mostrou muito disponível me convidando para ir a sua casa, estar com sua família e isso me ajudou a não me sentir só. Foi duro estar longe da minha família. Ele me ajudou muito comentando suas experiências, seus erros para que eu não cometesse os mesmos, enfim, sua família me ajudou muito na minha chegada.

Como foram os primeiros treinos nos profissionais? Quem te dava mais suporte?
Chegar de uma equipe da Série B do Uruguai e depois de estar nos juniores ter a possibilidade de sentar, comer e treinar com jogadores da classe que estão aqui na Inter foi como uma ‘universidade do futebol’. Tratei de aprender tudo para um dia ser um deles. Por uma questão de idioma, me relacionei rapidamente com os argentinos como Zanetti, Cambiasso, Burdisso, Samuel, Solari e Cruz, e os brasileiros também. Mas na verdade todos são muito abertos e seria uma injustiça nomear alguns, pois me relaciono com todos.

Como foi fazer dupla de ataque com Balotelli na ‘primavera’?
Vivemos uma experiência muito linda. Começamos a jogar juntos depois do 2º turno do Campeonato Italiano (2006/7). Ele vinha sendo o goleador dos juvenis e eu era reserva dos juniores. Formamos uma dupla muito forte, nossas características se complementam e isso facilitou nosso entrosamento, nos entendemos muito bem. Ganhamos o ‘Scudetto’ 2007 na primavera e o Viareggio 2008 como titulares, não poderia ser melhor.

Vocês são amigos fora de campo?
Sim, é fácil estabelecer amizade com ele, é muito amigável, gosta de fazer muitas brincadeiras, a diversão esta assegurada com ele por perto (risos). Mantenho relação com ele da mesma forma que com outros jogadores. Temos sorte de estar num grupo com a qualidade humana que tem aqui.

Alguns comparam você com Christian Vieri.
Me encho de orgulho que me comparem com atacantes da estirpe de Vieri. Isso quer dizer que estou no caminho certo. Isso me faz querer trabalhar ainda mais e seguir aprendendo. Sou jovem e tenho muitas coisas para aprender e melhorar.

Ficar de fora do Mundial Sub-20 ano passado, foi péssimo, não?
Sim, foi a oportunidade perdida de defender meu país num torneio tão importante. Mas entendo que essa profissão que escolhi tem esses momentos. A decisão de um treinador ou uma lesão podem te afetar. A saída é aceitar a provação e o obstáculo para voltar com mais força que antes. Não me permito ficar triste e cabisbaixo.

Você tem alguma preferência para jogar com um atacante mais móvel tipo Súarez, do Ajax, ou um mais potente e de área como Cavani, do Palermo? Como se sente melhor para expressar seu jogo?
Não tenho preferência para jogar com um companheiro de ataque de determinado estilo. Não acredito que atacantes devem ser de estilos diferentes senão não podem jogar juntos. Acho que todos os estilos são compatíveis desde que ambos trabalhem em grupo e para a equipe. Precisam cumprir as funções que o técnico quer e marcar gols, o resto é comunicação, trabalho e prática. Já joguei com Súarez e Cavani e não tive problemas.

Sua breve passagem pelo Spezia foi produtiva?
Foi útil. Deixando de lado inconvenientes econômicos e societários aprendi como é a Série B na Itália. Menos espaço, menos técnico, porem, com a mesma dinâmica. Aprendi como é um plantel diferente e não tão grande como a Inter, enfim, muitas coisas que contribuem para a formação de um jogador.

Lá você esteve com Corrado Colombo, um atacante que pintou muito bem e era tido como promessa, mas não triunfou e está no anonimato. Ele te aconselhou muito?
Ele é muito bom jogador e também teve uma curta passagem pela Inter. Conversas sobre experiências e conselhos não faltaram. Infelizmente, a situação não era boa e assim como eu, ele também deixou o Spezia (Está no Pisa).

Como é a relacão com o Presidente Massimo Moratti? Ele sempre é muito fraterno com os meninos da ‘primavera’?
Diante de pessoas como ele você tem que tirar o chapéu. Desde que cheguei aqui tinha curiosidade de conhecê-lo. Me falavam muito dele, de tudo que faz e quer para Inter. Me assombrava que uma pessoa se dedique tanto a algo como ele se dedica a este clube.

Como foi estar com ele?
É um senhor em todo o sentido da palavra. Ele é muito fraterno com os jovens como você disse, sabe ganhar a simpatia e o afeto dos jogadores e também da torcida interista.

A Inter vai emprestá-lo em 2008/9?
Não sei exatamente o que vai acontecer. Me preocupo em treinar, melhorar e seguir aprendendo. Independente para aonde vou, irei com ganas de conquistar coisas importantes.

Belec; Filippini, Espósito, Federici, Fatic; Bolzoni, Khrin, Puccio e Pedrelli; Balotelli e Ribas. Esse foi o time neroazzurro que ganhou o Viareggio 2008. Além de Balotelli, quem pode triunfar rapidamente?
Eu desejo que todos apareçam bem no futuro, tem que lutar muito, o futebol é muito difícil. Todos estão bem encaminhados, já são ganhadores, portanto creio que há possibilidades e chances para todos. Cada um com sua atitude, convicção e com ajuda de Deus decidirão seus futuros.

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Equipe Trivela

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