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Indonésia verde e amarela (Parte III)

Há quatro anos vivendo na Indonésia, o baiano ‘Liu’ (foto ao lado) é um dos destaques do Persiba, da cidade portuária de Balikpapan. Lapidado nas categorias de base do Mogi-Mirim, no interior de São Paulo, o médio volante conta sobre a situação atual da liga, os problemas administrativos que ‘pulverizam’ alguns clubes e denigrem o próprio campeonato. Além de…máfia do apito! Confira!

Você acha que ainda dá para alcançar Persipura, Persiwa e Deltras, que são os líderes do grupo II (Equipes da região Leste) na Liga?
As possibilidades ainda são reais, meu time tem muitos jogos em casa e
estamos nos preparando bem…se não chegarmos em primeiro, entre os quatro estará de bom tamanho..o time esta em fase de trocar alguns estrangeiros, estão acertando com um meia e um atacante, creio que vai melhorar bastante.

Como é trabalhar com o treinador inglês Peter Butler?
Ele é ex-jogador do West Ham, da Inglaterra, e meu trabalho com ele é extremamente profissional..

Você tem dois companheiro brasileiros no time. Vocês conversam
mais com os outros sul-americanos da equipe ou já dá para falar com os
jogadores indonésios? O idioma é bem difícil?

Por já estar aqui há bastante tempo, tenho extrema facilidade de falar com os
indonésios. Tenho excelentes amigos indonésios aqui..além dos companheiros
brasileiros..Júlio (César) e Fabrício.

Como é trabalhar com o senhor Riza? Ele paga os salários em dia
ou é enrolado?

Riza por ser manager executivo não nos comunicamos muito, mas é uma excelente pessoa..e aqui não temos problemas com salários..

Descreva para nós as impressões que você tem do futebol indonésio dentro de campo?
Estou aqui há um bom tempo..e tenho me adaptado bem..a qualidade dos jogadores indonésios não é a mesma de um brasileiro, mas também não são tão ruins. Creio que falta um pouco de orientação. As vezes nos espantamos com algumas jogadas absurdas, mas é assim mesmo.. eles batem muito.

A Indonésia é um dos países com a maior quantidade de estádios na Ásia,
atrás somente da Coréia do Sul e do Japão. Conte para nós como é a relação do povo indonésio com o futebol?
Os indonésios são muito fanáticos por futebol…os estádios estão sempre cheios, mas falta um pouco de educação. Eles gostam muito de arremessar garrafas, pedras etc..

Quais foram as maiores dificuldades quando você chegou ao Barito Putra
Banjamassin, em 2004? Quais os maiores apertos que você passou nos primeiros dias?

Talvez uma das maiores dificuldades foi a comida..mas com pouco tempo
superei isso. No caso da língua não tive muitos problemas.

O que aconteceu com o Persekaba Bali, que foi extinto?
O Persekaba foi meu segundo time, joguei dois anos…em matéria de futebol era um dos melhores times, apesar de ser da segundinha. Superamos alguns dos maiores times daqui como Persija, PSM e outros pela Copa da Indonésia de 2005, onde chegamos nas quartas de final. Mas como o time tinha muitas políticas, não continuei por lá. Nos dois anos que estive lá nunca empatamos em casa, vencemos todas, foram mais de 20 partidas em casa. No campeonato sempre éramos primeiro do grupo, mas como a politicagem era grande os próprios diretores não queriam que o time subisse, e isto que me magoou muito e fez com que eu partisse de lá. A cidade me atraía..

Pela sua experiência de quatro anos no país, qual seria o caminho para o
futebol indonésio evoluir? O que eles precisam melhorar?

Todos os estrangeiros que estão aqui há mais tempo sabem que para evoluir é
só trocar os diretores da Federação por estrangeiros competentes e que não
aceitam propina…e depois os árbitros que não tem um mínimo de vergonha e
profissionalismo..aceitam propina de times e mais coisas…

Existe ciúmes dos jogadores indonésios em relação aos futebolistas
estrangeiros? Na média, como é o caráter dos jogadores indonésios?

Eu tenho a seguinte visão…os indonésios são excelentes pessoas se você é
correto com eles…. eles também certamente vão ser com você..nunca tive problemas com eles..

Dos 36 times da Liga da Indonésia, 32 começam com a letra “P”. Com tanto time começando com a letra “P” é muito comum vocês confundirem e se perderem nos nomes das equipes?
(risos) É verdade! Mas já os conheço bem..

Já deu para se acostumar com a comida indonésia? Existe algum prato que você gostou da culinária local?
Gosto muito da comida daqui, alguns pratos são bons como sate, soto e outros..mas nunca esquecendo no nosso feijão. Aqui sempre o faço.

Qual foi o acontecimento mais engraçado, curioso ou inusitado que você
passou ou viu no futebol indonésio?

Aqui é normal acontecer do juiz apanhar em campo (risos).

Quais são as principais atrações da cidade de Balikpapan? O que tem de
legal aí?

Balikpapan é uma cidade limpa, mas não tem muitos atrativos, aqui é uma
cidade onde a ‘pertamina’ (petróleo) tem em 80% da cidade.

É muito diferente de Bali?
Bali é uma das cidades mais bonitas do mundo, uma cidade turística onde você
encontra pessoas de todos os países. Tem todos os tipos de diversões que se pode imaginar. A noite é muito badalada apesar de eu não sair muito..Balikpapan é limpa, mas não tem os mesmos atrativos.

Como foi sua passagem pelo Pohang Steelers, da Coréia do Sul? Porque não ficou?
A estrutura por lá é incomparável, tem tudo o que necessita um atleta. Joguei
pouco tempo lá, não fiquei mais tempo por falta de experiência, eu era
muito novo, apenas 20 anos…mas tenho esperança em um futuro próximo irei
para lá novamente ou para algum país de maior valor na mídia..

Como o Brasil?
Voltar ao Brasil somente se aparecer uma proposta boa de time grande…

FICHA

Nome: Elisângelo “Liu” de Jesus Jardim

Nascimento: 05/06/1981, em Vitória da Conquista, Bahia.

Clubes:
2001/2: Mogi-Mirim
2002: Pohang Steelers-COR
2003: Jales
2004: Barito Putra Banjamassin-IND
2005: Persekaba Bali-IND
2006: Persekaba Bali-IND
2007: Persiba Balikpapan-IND

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