Hugo Almeida: “Nunca fui tão valorizado por um clube”

O atacante Hugo Almeida viu sua carreira crescer muito nos últimos anos. Virou destaque do Werder Bremen, esteve na Copa do Mundo da África do Sul e viu seu nome ser especulado por alguns dos maiores clubes do mundo na janela de transferências do inverno. Sua decisão, porém, de trocar o futebol alemão pelo Besiktas, da Turquia, pegou muita gente de surpresa.
Já há alguns meses na equipe turca, Hugo Almeida não demonstra qualquer arrependimento, pelo contrário, diz que nunca se sentiu tão bem em um clube. Nesta entrevista concedida à Trivela, o atacante português de 26 anos falou sobre seu atual momento, os títulos perdidos pelo Werder Bremen e seleção portuguesa.
Portugal tem uma das melhores gerações de todos os tempos, mas desde a saída de Luiz Felipe Scolari vem sofrendo para conquistar bons resultados. O que acontece com a seleção?
É complicado isso, pois muitas variáveis podem justificar, como, por exemplo, os próprios rivais, que também estão com gerações magníficas, como Alemanha e Espanha. Acredito que estamos numa crescente importante e melhoria gradativa do nível. Uma hora chega o nosso momento de conquistar os títulos e nos concretizar na posição de grande seleção perante o mundo.
Você é apontado como o principal atacante dessa geração. Está preparado para assumir a camisa 9 de Portugal pelos próximos anos?
Sim, sem dúvida. Sou muito feliz por defender a seleção portuguesa e me sinto muito preparado para esta função. Temos ótimos jogadores, uma perspectiva muito boa e eu quero muito continuar fazendo parte disto.
Sua decisão de trocar o Werder Bremen pelo Besiktas causou surpresa em muita gente. Por mais que o clube turco esteja investindo bastante, você trocou um grande centro do futebol por outro de menor expressão. Além disso, seu nome era especulado até mesmo no Real Madrid, onde você sempre ganhou muitos elogios de José Mourinho. Por que optou pelo Besiktas? Você teve outras propostas oficiais?
A proposta do Besiktas foi muito boa. Nunca fui tão valorizado por um clube como por eles. Isso foi fundamental. E também me seduziu muito a possibilidade de conhecer uma nova cultura e um bom futebol. Tem sido um grande aprendizado e esta passagem pela Turquia vai ser muito importante para a minha carreira, sem dúvida alguma.
Fale um pouco sobre o projeto do Besiktas que, como já dissemos, investiu muito na última janela de transferências, contratando outros compatriotas seus. Acha que o clube tem condições de, um dia, sonhar com títulos europeus?
Esta é a ideia. O time está sendo montado para que tenhamos uma base forte que lute por títulos em todos os torneios que disputarmos, seja nacional ou europeu. Acho que com as peças que o elenco já possui, as chances de acontecer isso muito em breve são grandes.
Como é sua relação com Bobô, maior artilheiro da história do Besiktas? Tem se dado bem em campo com ele, já que, teoricamente, vocês ocupam o mesmo setor do campo?
Ele é um atacante jovem, muito bom, e estamos aprendendo muito um com o outro. Apesar de jogarmos no mesmo setor do campo, praticamente, somos totalmente capazes de nos adaptar para jogar juntos sempre que necessário. É um ótimo avançado, com uma história já de sucesso no Besiktas e tem muita importância para a equipa.
E o nível do Campeonato Turco? Como você classificaria em comparação com a Bundesliga e a Liga Portuguesa?
É muito equilibrado. Acho mais próximo do Alemão neste sentido, pois os resultados dos jogos são um pouco fora da lógica, às vezes, com um time da zona de rebaixamento ganhando de um que luta por título, etc. É um campeonto de muito equilíbrio e, dificilmente, algum jogo oferece uma condição de facilidade.
Por que o Besiktas não engrenou nesta temporada, mesmo com os reforços vindos no inverno?
Acredito que é necessário um tempo para que haja um entrosamento melhor. Chegou muita gente no meio da temporada e não tivemos muito tempo para treinarmos juntos e conseguir formar um time entrosado. Isso tem melhorado no decorrer dos jogos e acho que a próxima temporada já vai ser totalmente diferente, pois vamos conhecer a fundo cada jogador aqui e o entrosamento vai ser o melhor possível, dentro e fora de campo.
Sobre seu início de carreira, você foi muito emprestado pelo Porto. Isso lhe ajudou a evoluir ou prejudicou, já que não teve tanto espaço nos Dragões?
Me ajudou muito, pois eu sempre tive que lutar pelo meu espaço em outras equipas e fez com que eu evoluísse e tivesse um amadurecimento muito mais rápido na minha carreira.
Voltando ao Werder Bremen: você fez parte de um dos melhores times do Werder, vice-campeão alemão e vice da Copa Uefa, tendo conquistado uma Copa da Alemanha. O que faltou para esse time conquistar a Bundesliga?
Muitos fatores. Eu acredito que tínhamos total capacidade e alcançar o título nacional, mas temos de levar em conta também que a Bundesliga não é uma competição simples. Todas as temporadas são sempre muito equilibradas e é difícil sagrar-se campeão. Apesar de tudo e de termos montado um ótimo time naquela época, não conseguimos ter a força suficiente para alcançar, o que não qer dizer que aquele grupo não foi vencedor.
Ainda sobre sua transferência, sem menosprezo ao Besiktas, mas não acha que você teria espaço em um grande clube da Alemanha ou mesmo de outro grande centro europeu, como Espanha, Itália ou Inglaterra?
Sim. Felizmente fui pretendido por muitos clubes e isso mostra que eu estou desempenhando bem o meu trabalho. Mas vim para viver uma nova experiência e aprender mais na vida e no futebol. Estou feliz na Turquia.
Sobre a última Copa agora: revendo aquele jogo contra a Espanha, nas oitavas de final, o que Portugal deveria ter feito de diferente para ter avançado?
Fizemos o máximo que pudemos. Aquela Copa era da Espanha. O time deles era muito bom e nós fugimos um pouco do nosso estilo para ter mais cautela. Era muito difícil criar situações de gol e defender as situações que eles criavam. Foi um jogo muito complicado e eles foram muito felizes, com um ótimo time.


