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Guia das Eliminatórias Sul-Americanas

Serão 18 rodadas que se arrastarão por dois anos e meio. Viagens longas, jogos duros e travados. Muitos serão feios e o Galvão Bueno reclamará da altitude, da violência, da catimba ou da petulância do adversário. Há uma grande chance de tudo isso ocorrer, apesar da certeza de que o Brasil se classifica no final das contas.

As eliminatórias sul-americanas da Copa do Mundo podem ser consideradas as mais duras do mundo. Mais até que da Europa em certo aspecto. Afinal, todos os times têm alguma esperança de classificação, o que faz que todos disputem cada ponto como se fosse fundamental para a vaga. Ainda que – à exceção da Argentina – não se tenha uma força mundial como Alemanha ou Inglaterra pela frente, também não há jogos tão fáceis assim. Basta citar a altitude de La Paz, por exemplo, para transformar a Bolívia em um adversário forte quando atua em casa.

Para você se orientar para esse começo de eliminatória, veja o guia que a Trivela preparou. Até 2009, muita coisa mudará. Mas algumas tendências já podem ser apontadas desde já.

ARGENTINA

Nome da federação: Asociación del Fùtbol Argentino
Estádio: Monumental de Núñez (Buenos Aires, 66.449 lugares)
Principal jogador: Lionel Messi
Fique de olho: Sergio Agüero
Copas disputadas: 14 (1930, 58, 62, 66, 74, 78, 82, 86, 90, 94, 98, 2002 e 2006)
Classificação nas Eliminatórias 2006:
Pontos fortes: continuidade no trabalho e talento dos jogadores
Pontos fracos: eventual necessidade de renovação na defesa e dificuldade na altitude
Técnico: Alfio Basile

Dizer que a Argentina é quase certa como uma das classificadas é insistir no que todos já sabem. O que é preciso avaliar é o nível de tensão que a Albiceleste imporá a seus torcedores. O time é bastante talentoso do meio para a frente, com jogadores rápidos e que jogam juntos desde as categorias de base. O entrosamento é automático. No entanto, a defesa passa por um momento de incerteza com a aposentadoria de Ayala e a idade avançada de Abbondanzieri e Zanetti. O humor de Riquelme também é motivo de preocupação. Assim, há um misto de necessidade de fazer pontos e de começar a armar um novo time para 2010.

BOLÍVIA

Nome da federação: Federación Boliviana de Fútbol
Estádio: Hernando Siles (La Paz, 45.000 lugares)
Principal jogador: Joselito Vaca
Fique de olho: Marcelo Moreno
Copas disputadas: 3 (1930, 50 e 94)
Classificação nas Eliminatórias 2006: 10º
Pontos fortes: altitude de La Paz e um talento razoável no setor ofensivo
Pontos fracos: confiança em jogos no nível do mar, fragilidade técnica e baixa estatura da defesa
Técnico: Erwin “Platini” Sánchez

A Bolívia é a seleção mais fraca da América do Sul. No entanto, é uma injustiça afirmar que é uma equipe completamente descartável. No último ano, La Máquina Verde mostrou evolução, sobretudo no setor de armação (com Mojica, Vaca e Marcelo Moreno) e com Arce no ataque, ao lado do experiente Jaime Moreno. Com essa base, os bolivianos mostraram um futebol bastante interessante na última Copa América. A chance de classificação é pequena, mas pode dar mais trabalho do que nas últimas eliminatórias.

BRASIL

Nome da federação: Confederação Brasileira de Futebol
Estádio: não tem estádio fixo
Principal jogador: Kaká
Fique de olho: Alexandre Pato
Copas disputadas: 18 (1930, 34, 38, 50, 54, 58, 62, 66, 70, 74, 78, 82, 86, 90, 94, 98, 2002 e 2006)
Classificação nas Eliminatórias 2006:
Pontos fortes: nível técnico acima dos adversários e experiência internacional
Pontos fracos: excesso de confiança, pressão por jogo bonito e dificuldade na altitude
Técnico: Dunga

A Copa América já mostrou que o Brasil é tecnicamente muito superior aos demais países do continente (salvo a Argentina). Até porque ganhou o torneio sem Ronaldinho e Kaká. Bem, a dupla está de volta e, nos amistosos contra México e Estados Unidos em setembro, deixou evidente que coloca a Seleção em um novo nível. Desse modo, a classificação é quase certa. Resta a Dunga saber conduzir o processo inteligentemente, testando jogadores que aparecerem e prestando especial atenção para o ataque, que não tem figuras à altura do meio-campo.

CHILE

Nome da federação: Asociación Nacional de Fútbol Profesional
Estádio: Nacional (Santiago, 77.500 lugares)
Principal jogador: Claudio Maldonado
Fique de olho: Matías Fernández
Copas disputadas: 7 (1930, 50, 62, 66, 74, 82 e 98)
Classificação nas Eliminatórias 2006:
Pontos fortes: talento dos jogadores
Pontos fracos: falta de conjunto e de comando
Técnico: Marcelo Bielsa

No papel, o Chile pode montar uma seleção bastante interessante. Bravo é um bom goleiro, Riffo e Vidal são defensores acima da média, Maldonado, Mati Fernández e Valdivia são meio-campistas de talento e Suazo e Alexis Sánchez formam um ataque rápido e perigoso. No entanto, o episódio de indisciplina da Copa América, que valeu uma punição de 20 jogos a cinco jogadores (incluindo Valdivia) mostrou como falta comando e concentração para La Roja. A chegada de um técnico de relativo peso como Marcelo Bielsa pode ajudar. O problema é o argentino exagerar nas experiências táticas e acabar dificultando o crescimento coletivo de uma equipe forte individualmente.

COLÔMBIA

Nome da federação: Federación Colombiana de Fútbol
Estádio: El Campín (Bogotá, 46.018 lugares)
Principal jogador: David Ferreira
Fique de olho: Robinson Zapata
Copas disputadas: 4 (1962, 90, 94 e 98)
Classificação nas Eliminatórias 2006:
Pontos fortes: altitude de Bogotá e sistema defensivo
Pontos fracos: falta de confiança e ataque pouco produtivo
Técnico: Jorge Luis Pinto

A Copa América foi um desastre. Duas derrotas contundentes e uma vitória sem graça contra os Estados Unidos para cumprir tabela. Isso acendeu o alerta para o técnico Jorge Luis Pinto, que decidiu promover uma reformulação mais intensa na seleção colombiana. Talento há no país (casos do goleiro Zapata, do meia Torres e do atacante Rentería), o difícil é juntar os cacos e definir um padrão de jogo. Até porque as novas gerações são melhores na defesa que no ataque, o que entra em choque com o desejo da torcida local. Fica o risco de um início titubeante e eventual crise.

EQUADOR

Nome da federação: Federación Ecuatoriana de Fútbol
Estádio: Olímpico Atahualpa (Quito, 40.000 lugares)
Principal jogador: Edison Méndez
Fique de olho: Luis Antonio Valencia
Copas disputadas: 2 (2002 e 2006)
Classificação nas Eliminatórias 2006:
Pontos fortes: altitude de Quito e continuidade do trabalho
Pontos fracos: time em renovação e falta de confiança no nível do mar
Técnico: Luis Fernando Suárez

A geração que conduziu o Equador a duas Copas do Mundo já não tem mais fôlego para disputar as eliminatórias. Ao menos, não como protagonista. Assim, Luis Fernando Suárez precisará, como já fez em 2005, saber enxertar jogadores novos no time principal aos poucos e renovando gradualmente. Há nomes de potencial à disposição do técnico colombiano. Por isso, e pela altitude de Quito, o Equador continua como candidato de respeito a uma das vagas da América do Sul à Copa.

PARAGUAI

Nome da federação: Asociación Paraguaya de Fútbol
Estádio: Defensores del Chaco (Assunção, 36.000 lugares)
Principal jogador: Paulo da Silva
Fique de olho: Jonathan Santana
Copas disputadas: 7 (1930, 50, 58, 86, 98, 2002 e 2006)
Classificação nas Eliminatórias 2006:
Pontos fortes: apoio da torcida quando joga em casa e time relativamente talentoso
Pontos fracos: sistema de jogo defensivo demais
Técnico: Gerardo Martino

O Paraguai precisa descobrir se quer jogar na defesa ou no ataque. O país tem talento na frente (Santa Cruz, Óscar Cardozo, Cabanas e Haedo Valdéz), mas a cultura futebolística manda o time ficar atrás. Ainda assim, o Paraguai tem sido, na última década, a seleção mais consistente da América do Sul depois das potências Brasil e Argentina. Isso permitiu que boa parte dos jogadores ganhasse experiência no exterior e soubesse aproveitar isso para se impor aos adversários de continente. É um time que não encanta, mas

PERU

Nome da federação: Federación Peruana de Fútbol
Estádio: Monumental (Lima, 80.093 lugares)
Principal jogador: Jefferson Farfán
Fique de olho: Paolo Guerrero
Copas disputadas: 4 (1930, 70, 78 e 82)
Classificação nas Eliminatórias 2006:
Pontos fortes: ataque rápido e oportunista
Pontos fracos: defesa frágil, inexperiência e falta de confiança
Técnico: José del Solar

A Copa América deu um fiapo de esperança para os peruanos. O time mostrou um ataque contundente em seus momentos de inspiração e, com base nesse setor, é possível montar um time razoável. No entanto, a defesa continua fraquíssima e o técnico Julio César Uribe brigou com a imprensa depois de um amistoso no Japão e foi demitido. Resultado: técnico novo e um trabalho que começa do zero e nem há tanto talento para fazer algo interessante. Desse jeito, o Peru vai continuar longe das glórias dos anos 1970, quando foi a terceira força da América do Sul.

URUGUAI

Nome da federação: Asociación Uruguaya de Fútbol
Estádio: Centenário (Montevidéu, 76. 609 lugares)
Principal jogador: Diego Forlán
Fique de olho: Edison Cavani
Copas disputadas: 10 (1930, 50, 54, 62, 66, 70, 74, 82, 86, 90 e 2002)
Classificação nas Eliminatórias 2006:
Pontos fortes: talento e apoio da torcida quando joga em casa
Pontos fracos: pressão da imprensa, desorganização e dificuldade na altitude
Técnico: Óscar Tabárez

O Uruguai já foi um grande, hoje é, com alguma bondade, um “meio-grande”. Os uruguaios precisam entender isso se quiserem se impor como a terceira força da América do Sul. Talento a seleção celeste tem em número aceitável, mas a pressão por ser uma potência do nível de Brasil e Argentina sempre sabota o desempenho da equipe. Se Óscar Tabárez (que levou o Uruguai à Copa de 1990) conseguir organizar um time, isolá-lo da imprensa e aproveitar talentos como Lugano, Forlán, Recoba, Diogo e Carini, pode conquistar a vaga no Mundial sem depender da repescagem.

VENEZUELA

Nome da federação: Federación Venezolana de Fútbol
Estádio: não anunciou se terá sede fixa
Principal jogador: Juan Arango
Fique de olho: Oswaldo Vizcarrondo
Copas disputadas: nenhuma
Classificação nas Eliminatórias 2006:
Pontos fortes: continuidade do trabalho, crescimento constante e aumento da popularidade do futebol no país
Pontos fracos: inexperiência internacional e média de idade alta
Técnico: Richard Páez

“A Venezuela já não é mais saco de pancada”. OK, isso todo mundo já aprendeu. E é verdade. Richard Páez passou confiança e padrão tático a um time relativamente talentoso e, com isso, formou uma equipe competitiva. E, comparando com outras seleções da América do Sul, a Vinotinto é uma das mais homogêneas em todos os setores. Rey é um excelente zagueiro, Mea Vitali e Guerra são meio-campistas competentes e Arango é um atacante verdadeiramente talentoso e imprevisível. Isso fez que a torcida local aprendesse a gostar de futebol e passasse a apoiar a seleção. No entanto, falta renovação ao time. Ao mesmo tempo que sobre entrosamento, começa a falta gás. O time é dos mais velhos da América do Sul e sofre a instabilidade de quem nem sempre agüenta um jogo de ritmo mais intenso. Além disso, a equipe sente a responsabilidade de ser a melhor da história do país. O sentimento de “se não conseguirmos a classificação (ou “o título”, no caso da Copa América) agora, não conseguiremos nunca” desestabiliza os jogadores psicologicamente.

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Equipe Trivela

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