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Guia da Liga Europa

Em setembro de 2008, a Uefa anunciou que remodelaria a Copa Uefa. Então desvalorizada, e vista como um torneio interessante apenas para clubes de centros menores do futebol europeu – e que, ainda assim, os clubes que chegavam da Liga dos Campeões ainda tinham favoritismo. Sob o nome de Liga Europa, ela deveria promover mais equilíbrio entre as equipes, além de fazer com que o interesse financeiro em torno do evento aumentasse.

Aparentemente, a primeira edição trouxe um resultado razoável. De fato, a competição ganhou um pouco mais de valor e interesse. E clubes médios, estruturados num bom trabalho, foram premiados com boas campanhas – principalmente o Fulham, que surpreendeu ao fazer a final em Hamburgo, no último dia 12 de maio, com o Atlético de Madrid. Além disso, dos semifinalistas, havia apenas dois participantes da Liga dos Campeões – e um deles não chegou à final.

Porém, o cenário de equilíbrio fica menos aparente quando se vê que os quatro melhores times da Liga Europa passada pertenciam a ligas de ponta do futebol europeu (dois ingleses, um alemão e um espanhol). É verdade que, entre os que alcançaram as quartas de final, havia um belga (Standard Liège, eliminado pelo Hamburg) e um português (Benfica, eliminado pelo Liverpool). Ainda assim, imaginar que um time dessas duas nações, ou um escocês, ou um holandês, comemorem o título parece ser, ainda, exagerado.

Em regra, somente nações com bastante investimento conseguem bons resultados – e isso inclui a Rússia, que viu CSKA Moscou e Zenit serem campeões do torneio, ainda sob o nome de Copa Uefa. E nada indica que o cenário mudará nesta temporada. Senão, veja-se: entre os favoritos ao título, a maioria continua sendo de ligas ricas. Manchester City, Liverpool, Bayer Leverkusen, Sevilla, Juventus… o único clube que ameaça romper com esta sequência é o Porto. No entanto, não será a Liga Europa 2010/11 a trazer, de fato, um pouco mais de equilíbrio no futebol europeu.

Regulamento

Nada mudou em relação ao ano passado: após três fases preliminares e a fase de play-offs, que definiram 37 participantes. Estes se juntaram ao Atlético de Madrid, campeão da Liga Europa em 2009/10, e aos dez eliminados nos play-offs da Liga dos Campeões. Todos estes formaram a lista de 48 equipes, que foram divididos em 12 grupos, com quatro equipes cada um. São os que disputarão a fase de grupos, todos contra todos dentro de cada chave, em seis rodadas.

Ao final, classificam-se 24 times – os primeiros e segundos colocados de cada grupo. Juntam-se a estes os terceiros colocados dos oito grupos da Liga dos Campeões, e as 32 equipes disputam a fase de 16-avos de final, com jogos de ida e volta. Daí por diante, a eliminatória torna-se simples: oitavas de final, quartas de final e semifinais, todas elas disputadas em ida e volta. E, por fim, a decisão – que ocorrerá em partida única, no dia 18 de maio de 2011, no Aviva Stadium (por razões mercadológicas, rebatizado Dublin Arena), em Dublin, na Irlanda.

Grupo A

Talvez, um dos grupos mais famosos da Liga Europa. Lech Poznan e Red Bull Salzburg tiveram azar: enfrentarão nada menos do que o Manchester City e a Juventus, dois times considerados favoritos ao título.

O City credenciou-se como tal pelo grande investimento que fez antes do início da temporada, garantindo vindas como as dos meio-campistas Yaya Touré e James Milner, e as dos atacantes David Silva e Mario Balotelli. Mais modesta, a Juventus aposta na reformulação comandada pelo técnico Luigi Del Neri, sob o comando de quem chegaram Bonucci, Marco Motta, Milos Krasic e, por empréstimo, Aquilani e Quagliarella. Com tais investimentos, ambos são francos favoritos a avançarem.

Grupo B

Mais um grupo que conta com favoritos bastante destacados. Para começar, há o campeão Atlético de Madrid, que, além de motivado por já ter começado a temporada vencendo a Supercopa Europeia, está com a base que venceu a Liga Europa praticamente intacta – o que inclui o ataque com Simão, Agüero e, principalmente, Diego Forlán, valorizado pelas atuações que o fizeram ser considerado um dos melhores jogadores da Copa do Mundo (o melhor, pela eleição da Fifa).

Já o Bayer Leverkusen, mesmo num estágio menos superior, também mostra força, baseada numa equipe coesa, que tem como destaques o goleiro René Adler, o defensor Hyypiä e o atacante Stefan Kiessling. Resta saber como o time de Leverkusen se reorganizará sem Toni Kroos, de volta ao Bayern Munique. De todo modo, ambos são superiores a Rosenborg e Aris, os rivais da chave.

Grupo C

Eis um grupo mais equilibrado. Ainda que salte um pouco à frente, pela maior experiência – e por contar com valores como o chileno Matías Fernández, principal armador, e um bom ataque, em Hélder Postiga e Liédson -, o Sporting não parece uma equipe inatingível.

Aliás, talvez não seja nem o favorito principal do grupo, quando se olha os últimos desempenhos do Lille – equipe que chegou às oitavas de final da Liga Europa, e conta com um bom meio-campo, onde Yohan Cabaye e Gervinho se destacam. O Gent, por sua vez, espera que o técnico Francky Dury continue o bom trabalho iniciado por Michel Preud'homme. Somente o Levski Sofia mostra um pouco menos de força.

Grupo D

Ainda que tenha decepcionado na última Liga Europa, quando não passou dos 16-avos de final, o Villarreal parece um pouco à frente – mas terá de enfrentar um rival respeitável no PAOK, que demonstrou grande força na fase preliminar da Liga dos Campeões, quando fez jogo duro contra o Ajax, e na própria Liga Europa, ao eliminar o Fenerbahçe de modo emocionante.

O Club Brugge, por sua vez, pode causar alguns problemas, embora tenha desempenhos irregulares no Campeonato Belga. E, finalmente, o Dínamo Zagreb sempre mostra fortes dificuldades atuando em casa.

Grupo E

Com um bom time, que tem sua principal força no ataque, com Shevchenko e Milevskiy, o Dynamo Kiev é o principal favorito à primeira posição da chave. Ainda que esteja apenas se recuperando de problemas financeiros – o que provocou a perda de jogadores, como El Hamdaoui e Dembélé -, o AZ também pode competir por vaga nas oitavas de final.

Porém, há o Sheriff Tiraspol, que já tem a experiência da última Liga Europa e pode provocar dificuldades. No entanto, o time moldavo parece um pouco menos cotado a conseguir a vaga – bem como o BATE Borisov.

Grupo F

Mais uma chave que conta com um favorito destacado, dois clubes que podem brigar pelo segundo lugar e um time mais fraco. No caso, a melhor equipe é o CSKA Moscou: mesmo perdendo Milos Krasic, o Exército Vermelho deve contar com Keisuke Honda e Vagner Love, de volta. Um time respeitável.

O Palermo, por sua vez, conta com Javier Pastore, a armar as jogadas para que o ataque formado por Massimo Maccarone e Fabrizio Miccoli finalize. E os Rosaneri brigarão pela vaga com o Sparta Praga, vindo dos play-offs da Liga dos Campeões. Apenas o Lausanne não deve ter muitas esperanças.

Grupo G

Aparecendo na Liga Europa, o Zenit vem com um pouco menos de força, desta vez. De contratações vultosas, apenas Bruno Alves chegou. Todavia, o time de São Petersburgo ainda pode causar problemas aos rivais, e é favorito à classificação.

Ainda que venha enfraquecido pela eliminação na Liga dos Campeões, o Anderlecht também pode competir pela vaga, já que conta com a revelação Romelu Lukaku. Tendo o meio-campo Senijad Ibricic como destaque, o Hajduk Split também oferece dificuldades. E o AEK mostra um time experiente, com a presença de Patsatzoglou, Dellas, Roger Guerreiro e Papa Bouba Diop. Outro grupo equilibrado.

Grupo H

Tendo experimentado uma boa ascensão na última temporada, quando chegou a ser ameaçado de rebaixamento, mas melhorou sob o comando de Christian Gross, o Stuttgart exibe maior favoritismo na chave. Motivado pelo bom papel feito nos play-offs da Liga dos Campeões, quando ofereceu dificuldades ao Tottenham, o Young Boys chega motivado, e tem tudo para conquistar a vaga, embora tenha um bom adversário no Getafe. Já o Odense entra como azarão.

Grupo I

PSV e Sampdoria. São estes os dois favoritos destacados para conseguirem a classificação aos 16-avos de final. O time holandês conta com um ataque promissor, tendo como destaques Bálazs Dzsudzsák e Ola Toivonen. Justamente o mesmo caso dos Blucerchiati, onde a dupla Antonio Cassano e Giampaolo Pazzini é o grande destaque. O Metalist Kharkiv mostra capacidades de tentar algo, mas será mais difícil. Já o Debrecen tem poucas esperanças de garantir a classificação.

Grupo J

Ainda contando com Luis Fabiano e Kanouté, o Sevilla mostra mais experiência, o que pode favorecê-lo. Entretanto, o Borussia Dortmund mostra um time bastante entrosado, que conta com dois destaques em Lucas Barrios e em Shinji Kagawa.

O Paris Saint-Germain, por sua vez, também não decepciona, mostrando um time experiente, onde Bodmer, Giuly e Nenê são os destaques. Por sua vez, o Karpaty Lviv é o time mais frágil da chave.

Grupo K

Hora de recomeçar para o Liverpool. Agora com Roy Hodgson no comando, o Liverpool tenta voltar a ter uma temporada mais regular – e até a repetir a boa campanha na Liga Europa, quando, mesmo cheio de altos e baixos, conseguiu chegar à semifinal do torneio. Ainda contando com Torres e Gerrard, os Reds são favoritos.

Para comprovarem o favoritismo, terão de enfrentar o Steaua Bucareste e o Napoli. Enquanto os Partenopei contam com um time sólido, que tem seu grande destaque em Hamsik, os romenos mostram capacidade razoável, com Bogdan Stancu como protagonista. Embora viva evolução na Holanda, o Utrecht não deve conseguir a vaga.

Grupo L

Com novo técnico, André Villas Boas, o Porto procura continuar, na Liga Europa, as boas campanhas que mostra, normalmente, na Liga dos Campeões. Ainda contando com bons jogadores, como Falcao e Hulk – e tendo um bom reforço em João Moutinho -, os Dragões têm tudo para conseguirem a liderança.

Ao lado, há o Besiktas, que aposta na base sólida que tem – somada ao reforço do alemão Roberto Hilbert. CSKA Sofia e Rapid Viena, portanto, não devem fazer frente aos dois favoritos da chave.

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Equipe Trivela

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