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Guia da Copa do Mundo 2022 – Grupo C: México

O México chega num ciclo turbulento e sob sinceras desconfianças sobre o trabalho de Tata Martino

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O México normalmente é uma seleção que se enche de esperança a cada Copa do Mundo, mas não desta vez. Os mexicanos vivem um momento de desconfianças, sem ter convencido e com algumas estrelas importantes fora do time, como Carlos Vela e Chicharito Hernández. O técnico Tata Martino comanda o time sob muitas críticas e El Tri chega ao Catar cheio de dúvidas.

Carlos Vela foi o capitão do Los Angeles FC, que conquistou o título da MLS, mas não foi o bastante para convencer Martino. Assim como os 18 gols marcados por Chicharito pelo LA Galaxy. Os dois estão esquecidos pelo técnico há pelo menos três anos. 

A competividade da equipe é contestada desde que a seleção mexicana foi derrotada pelos Estados Unidos na final da Liga das Nações da Concacaf. O México é normalmente visto como uma seleção média que pode surpreender na Copa e tenta passar daquela barreira das oitavas de final. Desta vez, chegar às oitavas já parece de bom tamanho.

O grupo não é dos piores, mas não é fácil para uma seleção tão instável. O México está no Grupo C, que tem a Argentina de Lionel Messi, a Polônia de Robert Lewandowski e a Arábia Saudita, a mais fraca das adversárias. A classificação é possível e a empolgação da torcida estará no Catar, já que são esperados 40 mil torcedores por lá. O time, porém, terá que lidar com uma desconfiança não só externa, mas também interna. 

Como foi o ciclo até a Copa

O México não viveu um grande ciclo para a Copa do Mundo. O time teve problemas, não conseguiu se mostrar confiável e precisou mudar várias vezes para buscar alternativas. Desde o Mundial da Rússia, El Tri não indicou grande melhora e por isso deixa tantas dúvidas sobre como vai render.

Juan Carlos Osorio foi quem levou o México até a Copa de 2018, mas deixou o cargo depois do torneio. Gerardo Martino assumiu em janeiro de 2019 e o início foi bastante promissor. Foram sete vitórias consecutivas em amistosos e na primeira fase da Copa Ouro. Nas quartas de final, a equipe empatou com a Costa Rica, mas venceu nos pênaltis.  Na semifinal contra o Haiti, os mexicanos sofreram, mas venceram na prorrogação. Na final contra os americanos, venceram por 1 a 0 e ficaram com o título. Apesar dos jogos ruins nas quartas e semifinal, o início era positivo para Tata Martino. Só que aquele elenco era bastante diferente do tradicional, já que não tinha os jogadores que atuam na Europa.

Nos amistosos, os resultados continuavam bons, mas havia uma pandemia no meio, menos jogos. Em 2021 foi quando as dificuldades apareceram, já que foi possível ter duelos mais competitivos. Foi aí que Tata Martino passou a ver o tamanho dos problemas. O primeiro grande baque veio nas finais da Liga das Nações. 

Na semifinal, o México sofreu um bocado contra a Costa Rica e só superou os adversários nos pênaltis. Na final, um jogaço diante dos Estados Unidos, mas os americanos foram melhores e venceram merecidamente, na prorrogação, por 3 a 2. A derrota não foi bem digerida e as críticas sobre Tata Martino foram grandes. 

Logo depois, veio a Copa Ouro de 2021, sem alguns jogadores, especialmente no principal rival, os Estados Unidos. O empate por 0 a 0 na estreia contra Trinidad e Tobago gerou muitas críticas. O México venceria os dois jogos seguintes e avançaria ao mata-mata. Nas quartas de final e na semifinal, vitórias contra Honduras e Canadá, esta com muito sufoco. Na decisão, os americanos fizeram um grande jogo e venceram, na prorrogação, por 1 a 0. A derrota aumentou o debate sobre os mexicanos, especialmente por ser quase um time B dos Estados Unidos e o México estar muito mais inteiro no torneio. 

O mais complicado viria nas Eliminatórias da Copa. Embora os resultados tenham surgido, o desempenho mostrado foi muito fraco. Especialmente quando são analisados os dois principais adversários: a derrota para os Estados Unidos e para o Canadá, ambas fora de casa. A situação era ruim a ponto de haver algum temor de que os mexicanos ficassem fora da Copa, o que era improvável, mas passou a ser um risco. Por sorte, o restante da concorrência pouco ameaçou.

Vitórias magras, atuações ruins e, mesmo com o segundo lugar no fim das Eliminatórias, atrás apenas do Canadá, a sensação é que o México perdeu até o posto de seleção dominante na Concacaf. O time não é claramente melhor nem que o Canadá, nem que os Estados Unidos. E nos momentos de embates decisivos, perdeu de ambos.

Os amistosos nesta reta final pré-Copa também não animaram. Uma derrota para o Uruguai por 3 a 0, fora o baile; para o Paraguai, que nem para a Copa vai; para a Colômbia, outra seleção que sequer vai ao Mundial; e para a Suécia, idem às anteriores; deixam a sensação de que o México não conseguiu manter o nível contra oponentes um pouco mais fortes para além da mediocridade da Concacaf. Por isso, a confiança chega em baixa para o Catar.

Edson Álvarez (Christian Petersen/Getty Images/One Football)

Como joga

O México tem algumas referências importantes. O goleiro Guillermo Ochoa é uma delas, e chega à quinta Copa do Mundo. Héctor Moreno lidera a linha defensiva, com a companhia do ascendente César Montes. Mais à frente, Andrés Guardado é outro veterano que está no elenco, embora não necessariamente como titular. O time joga em um 4-3-3, com um meio-campo que atua mais recuado, até por características dos jogadores.

O volante Édson Álvarez é um dos jogadores mais importantes para o time – seja sem a bola, na marcação, seja na saída de bola, quando ele recua para iniciar as jogadas, aproveitando muito do estilo de jogo do Ajax, seu time, e que trabalha muito bem isso. Mais uma alternativa no meio que vem da Eredivisie é Érick Gutiérrez, que se destaca no PSV.

O meio-campo tem algumas opções. Hector Herrera, que foi para a MLS, é um dos possíveis titulares, mas tem sofrido com lesões e, por isso, pode não estar no seu melhor. Andrés Guardado é uma opção confiável de um veterano capaz de fazer bom controle de jogo, com chute de fora da área e excelentes passes. Completa o meio-campo Carlos Rodríguez, o jogador que chega mais à frente do trio.

O ataque é onde o time de Tata Martino tem imensos problemas. O único nome certo no setor é Hirving Lozano, que deve atuar pela esquerda. Pela direita, quem era o titular absoluto era Tecatito Corona, que sofreu uma grave lesão e ficou fora da Copa. Assim, o principal candidato é Alexis Vega, do Chivas Guadalajara. 

O comando de ataque tem problemas. Até por isso, o técnico Tata Martino vê a sombra de Chicharito Hernández, ao não ser convocado, e mesmo de Carlos Vela, que não é um centroavante, mas tem empilhado grandes temporadas na MLS. O técnico optou por não levá-los e, assim, precisa achar opções.

Raúl Jiménez era o titular incontestável até que sofreu com lesões que o tiraram do melhor rendimento. Fisicamente ele ainda não parece recuperado para estar no seu melhor nível. O jogador do Wolverhampton é, de longe, o jogador tecnicamente mais capaz de exercer a função de centroavante, seja em finalizações, trabalhando como pivô e até gerando situações para os companheiros. Mas não está em seu melhor e, por isso, o time tem buscado uma alternativa.

Há duas opções no comando de ataque. O argentino naturalizado mexicano Rogelio Funes Mori, do Monterrey, é uma alternativa muito pelo que faz na liga mexicana. Porém, não vive grande fase e ainda sofre com lesões. Não conseguiu ter a mesma sequência de temporadas anteriores. Assim, tende a ser mais opção no banco. Quem pode ganhar a vaga no time na Copa é Henry Martín, do América. Aos 29 anos, ele vem de boa temporada pelas Águilas, com 13 gols em 22 jogos. Há uma certa pressão para que ele ganhe a chance, até pela falta de confiança em Jiménez. Enquanto isso, ficou de fora da lista o garoto Santiago Giménez, relevação do Cruz Azul que nessa temporada começa a conquistar a torcida do Feyenoord.

Um dos pontos mais frágeis da seleção mexicana é a bola parada defensiva. O time teve muitos problemas para lidar quando enfrentou equipes que possuem esse recurso mais avançado. El Tri também pode sofrer contra equipes que se imponham muito fisicamente, porque não é uma equipe exatamente preparada para esse tipo de situação. Além disso, tem muitos jogadores fora do seu melhor fisicamente, o que pode pesar.

Time-base: Guillermo Ochoa; Jorge Sánchez, César Montes, Héctor Moreno e Gerardo Arteaga; Edson Álvarez, Hector Herrera (Andrés Guardado) e Carlos Rodríguez; Alexis Vega, Hirving Lozano e Raúl Jiménez. 

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Guillermo Ochoa (Eric Alonso/Getty Images/One Football)

Donos do time

Pela quinta Copa seguida, um nome certo na seleção mexicana é Guillermo Ochoa, de 37 anos. O goleiro do América é um desses jogadores que brilha por sua seleção e não por acaso é tão incensado como titular. Sua atuação contra o Brasil na Copa 2014 é marcante e ele voltou a se agigantar nos últimos compromisso de El Tri.

Um dos mexicanos mais bem cotados para esta Copa é o volante Edson Álvarez. Aos 25 anos, ele chama a atenção em suas atuações no Ajax e dá para dizer que é o principal nome do país na atualidade. Seu nível o tornou desejado pelo Chelsea na última janela, mas o Ajax o segurou. Importante defensivamente e também na saída de bola, o jogador tende a ser um pilar da equipe.

O ataque do México tem um jogador em ótima fase no seu clube e que é uma figura importante também na seleção: Hirving Lozano. O atacante é rápido e capaz de finalizar muito bem. Sua função na equipe deve ser justamente de aproximação do centroavante, entrando na segunda trave quando a bola vem da direita, já que ele inicia normalmente pela ponta esquerda. É um ponta que funciona bem sendo acionado em velocidade, seja pelo alto, seja por baixo.

Gerardo Arteaga (PAU BARRENA/AFP via Getty Images/One Football)

Caras novas

O titular da lateral esquerda da seleção mexicana na Copa será Gerardo Arteaga, de 24 anos. Embora o jogador tenha feito a sua estreia pela seleção logo depois da Copa 2018, em setembro daquele ano, ele demorou a engrenar como uma opção. Jogou uma vez em 2019, voltou ao time em 2021, mas só consolidou a sua posição como titular em 2022. Revelado pelo Santos Laguna, se transferiu ao Genk, da Bélgica, em 2020, e foi lá que passou a ganhar mais força para assumir a titularidade de El Tri.

O lateral direito Kevin Álvarez foi um dos últimos a entrar no grupo de jogadores do México para a Copa do Mundo. Aos 23 anos, brilhou pelo Pachuca, campeão do Apertura em 2022. Estreou pela seleção mexicana apenas em julho de 2021 e desde então fez oito jogos. Será reserva, mas pode ser uma opção. Vem em boa fase e é capaz de fazer boas assistências.

Outro jogador que ganhou espaço vindo do campeão mexicano é Luis Chávez. O volante que surgiu no Tijuana e desde 2019 joga pelo Pachuca foi um dos destaques do campeão do Apertura. Canhoto, ainda se arrisca eventualmente em um chute de fora da área. Aos 26 anos, não é tão jovem, mas é uma novidade como alguém que nunca atuou fora do país e só estreou na seleção em abril de 2022.

Tata Martino (Eric Alonso/Getty Images/One Football)

Técnico

O técnico da seleção mexicana é alguém com muita experiência e com bastante prestígio, especialmente nas Américas. Gerardo “Tata” Martino tem 59 anos e bastante rodagem em seleções. Seu primeiro trabalho de mais destaque nesse sentido foi a seleção paraguaia, que comandou de 2007 a 2011.

Pelo Paraguai, Tata conduziu o time até a Copa do Mundo de 2010, quando a Albirroja fez a Espanha suar sangue para avançar nas quartas de final. Foi uma grande campanha: ficou em primeiro lugar no grupo que tinha Itália, Nova Zelândia e Eslováquia. Os italianos foram eliminados, é bom lembrar. Nas oitavas de final, o Paraguai avançou ao eliminar o Japão, nos pênaltis. O confronto com a Espanha teve elementos de drama: Óscar Cardozo perdeu pênalti e depois viu a Roja marcar o gol da vitória. Em 2011, os paraguaios ainda foram vice-campeões da Copa América, após deixarem o Brasil pelo caminho.

Esse trabalho elevou o status de Tata Martino. Ele foi treinar o Newell’s Old Boys, onde foi ídolo como jogador, e ficou de janeiro de 2012 a julho de 2013. Conquistou o Campeonato Argentino e alcançou as semifinais da Libertadores. O bom desempenho o levou a algo improvável: assumiu o comando do Barcelona, em julho de 2013. O técnico ficou apenas por uma temporada, sem conseguir montar o time que se esperava. O Barça acabou eliminado na Champions League nas quartas de final para o Atlético de Madrid, perdeu a final da Copa do Rei para o Real Madrid, além de ter deixado escapar o título espanhol para o Atlético de Madrid, no último jogo da temporada. 

Veio então o trabalho na seleção argentina, que ele assumiu ainda em agosto de 2014. As derrotas em duas finais da Copa América, em 2015 e 2016, acabaram pesando. O Chile foi o algoz em ambas. A passagem não deixou saudades, em um ciclo da Argentina que foi bastante complicado.

O seu próximo destino foi o Atlanta United, da MLS. Ele conquistou o título da MLS em 2018, o que o tornou novamente bastante badalado na América do Norte. Tata deixou o comando do time em dezembro de 2018 e assumiu o comando do México em janeiro de 2019. Sua trajetória por El Tri é bastante turbulenta e houve dúvidas se ele chegaria até a Copa do Mundo como técnico do México. Chegou, mas as interrogações sobre o seu trabalho persistem. 

A geografia do elenco

O México é um país bastante grande, o 13º maior do mundo em área. É um país extenso e, por isso, também bastante diverso. As três maiores regiões metropolitanas do país marcam presença no elenco: a região metropolitana da Cidade do México, capital do país, com 21,8 milhões de pessoas; a região metropolitana de Monterrey, com 5,3 milhões de pessoas; e a região metropolitana de Guadalajara, com 5,2 milhões de pessoas.

A cidade com mais jogadores nativos na seleção mexicana é Guadalajara. O goleiro Guillermo Ochoa, o defensor Néstor Araujo e o meio-campista Andrés Guardado nasceram por lá. Além deles, ainda há Alfredo Talavera, que nasceu em La Barca, uma cidade a sudeste de Guadalajara e que é zona de influência dessa região. 

A capital Cidade do México também tem dois jogadores naturais de lá: os atacantes Hirving Lozano e Alexis Vega. Além dos dois, há Edson Álvarez, nascido em Tlalnepantla de Baz, que fica na região metropolitana da Cidade do México. Um pouco mais ao norte da Cidade do México tem Raúl Jiménez, nascido em Tepeji. 

Das regiões metropolitanas mais importantes, Monterrey contribui menos. Não há nenhum jogador nascido na cidade propriamente dita, mas sim na região metropolitana: Carlos Rodríguez, de San Nicolás de los Garza. Dois jogadores vêm da região de Torreón, de forte indústria pecuária: Jorge Sánchez, nascido na própria Torreón, e Uriel Antuna, nascido em Gómez Palacio, nas imediações. 

Há jogadores nascidos no Golfo da Califórnia, como é o caso de Erik Gutiérrez e Luis Romo, de Ahome, no estado de Sinaloa. Johan Vásquez, nascido em Navojoa, é da mesma região, um pouco mais a norte, enquanto Hector Moreno, nascido em Culiacán, vem um pouco mais do sul. Rodolfo Cota nasceu ainda mais a sul, ainda no Golfo da Califórnia, em Mazatlán. 

Mais ao norte, César Montes é natural de Hermosillo, no estado de Sonora. A cidade é conhecida por sua ótima qualidade de vida. A indústria é o principal ramo de negócios, inclusive com uma fábrica operada pela Ford que produz carros vendidos para o mercado da América do Norte. 

O jogador nascido mais ao norte do país é Héctor Herrera, de Tijuana, próximo à fronteira com os Estados Unidos. É uma área conurbada, em que a região metropolitana fica dividida entre México e Estados Unidos. É um polo industrial, com diversas empresas internacionais estabelecidas por ali, entre elas Hyundai, Sony, BMW, Dell, Toyota, Samsung, Ford, Microsoft, Volkswagen e outras. A mão de obra barata, se comparada aos Estados Unidos, e a facilidade logística tornaram a cidade uma das mais atraentes para as empresas, que possui muitos trabalhadores qualificados. 

Se Tijuana representa a fronteira com os Estados Unidos e a parte industrializada do país, outro jogador nasceu em uma região importante por outro aspecto: o turístico. Henry Martin vem de Mérida e é o jogador nascido mais a leste, no estado de Yucatán. Está a cerca de 35 quilômetros do Golfo do México, em uma área que tem como a sua maior atração a cidade de Cancún, um destino turístico conhecido no mundo todo. Mérida é a capital do estado e recebe muitos investimentos por isso. 

Um jogador nasceu fora do país: o atacante Rogelio Funes Mori, que é de Mendoza, na Argentina. Ele se naturalizou após jogar no futebol mexicano desde 2015. Chegou a defender a seleção argentina nas categorias de base e até em um amistoso com a principal, mas decidiu pela cidadania mexicana e passou a defender El Tri em 2021. 

Onde jogam

A liga dominante na convocação é o próprio Campeonato Mexicano, o que não surpreende se considerarmos que a Liga MX é uma das mais ricas das Américas. Em termos financeiros, só os europeus podem concorrer com os mexicanos. Nem a MLS, nem a liga brasileira e nem a liga argentina são tão endinheiradas quanto a Mexicana, que é capaz de levar, por exemplo, André-Pierre Gignac, que se tornou um jogador dos mais importantes para o Tigres desde 2015.

O Monterrey é o clube que mais forneceu jogadores para o elenco mexicano, com cinco: Héctor Moreno, Jesús Gallardo, César Montes, Luis Romo e Rogelio Funes Mori. Três jogadores atuam no América: o goleiro Guillermo Ochoa, o defensor Néstor Araujo e o atacante Henry Martin. O campeão Pachuca tem dois representantes: Kevin Álvarez e Luis Chávez. O Chivas Guadalajara também tem dois: Roberto Alvarado e Alexis Vega. Há ainda um representante do León, outro do Juárez e um do Cruz Azul.

Além da própria liga mexicana, um jogador vem da MLS: o meio-campista Héctor Herrera, do Houston Dynamo. Os outros nove jogadores atuam na Europa: Jorge Sánchez, do Ajax; Gerardo Arteaga, do Genk; Johan Vásquez, da Cremonese; Andrés Guardado, do Betis; Edson Álvarez, do Ajax; Orbelín Pineda, do AEK Atenas; Erick Gutiérrez, do PSV; Raúl Jiménez, do Wolverhampton; e Hirving Lozano, do Napoli.

Luis Hernández (PATRICK KOVARIK/AFP via Getty Images/One Football)

Um herói em Copas

Luis Hernández era um atacante conhecido por sua cabeleira vasta, a velocidade e o quanto conseguia ser oportunista. Estava sempre bem posicionado para marcar seus gols e foi importantíssimo para os mexicanos na história das Copas. O apelido já dizia muito: “El Matador”. Foi para a sua primeira Copa do Mundo em 1998 e ficaria mundialmente conhecido.

O México caiu em um grupo perigoso, com Holanda, Bélgica e Coreia do Sul. Para sorte de El Tri, a estreia era contra os sul-coreanos e o time venceu por 3 a 1, com dois gols de Luis Hernández. O segundo jogo foi uma batalha: contra a Bélgica, o México saiu perdendo por 2 a 0, dois gols de Marc Wilmots, mas arrancou o empate com Alberto García Aspe e Cuauhtémoc Blanco. 

O último duelo da fase de grupos foi o mais dramático. A Holanda, principal time da chave, abriu 2 a 0 com 18 minutos, graças a gols de Philipp Cocu e Ronald de Boer. No segundo tempo, o México foi buscar: Ricardo Peláez diminuiu já com 30 minutos, mas foi Luis Hernández, aos 48 minutos, que empatou. Uma festa de alegria para os mexicanos. A comemoração ensandecida, com os cabelos loiros ao vento foi uma imagem que marcou aquela Copa. A classificação veio.

Nas oitavas de final, o México viveu um drama contra a Alemanha. Luis Hernández mais uma vez brilhou: fez uma linda jogada, deixando o zagueiro alemão no chão, e finalizou cruzado para marcar 1 a 0, logo aos dois minutos do segundo tempo. Hernández ainda teve uma grande chance nos pés para ampliar, mas acabou chutando em cima do goleiro. Aos 39, a implacável Alemanha empatou com Jürgen Klinsmann. 

O drama viria mesmo no final. Se na última rodada da primeira fase foi Hernández quem marcou e saiu vibrando, desta vez foi o adversário: Bierhoff, aos 41 minutos, virou para os alemães, selando a classificação às quartas de final. O México, porém, tinha feito um bom papel.

Luis Hernández ainda estaria na Copa do Mundo de 2002 pelo México, mas tinha se tornado reserva. Entrou em três dos quatro jogos, mas não conseguiu balançar as redes de novo, como fez tão bem na França. No último deles, o México perdeu dos Estados Unidos por 2 a 0 e deu adeus à competição. Estaria para sempre eternizado entre os ídolos mexicanos de Copas do Mundo, com um papel muito importante naquela Copa do Mundo de 1998.

Calendário

22/11 – 13h00 – México x Polônia – Estádio 974
26/11 – 16h00 – Argentina x México – Estádio Nacional de Lusail
30/11 – 16h00 – Arábia Saudita x México – Estádio Nacional de Lusail

Todos os convocados

NúmeroPosiçãoJogadorData de nascimentoClubeJogosGolsLocal de Nascimento
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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