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Gilberto Silva: 'Nosso grupo na LC é relativamente tranqüilo'

O Arsenal teve um início acima das expectativas na Premier League, e caiu em um grupo considerado fácil na Liga dos Campeões. Qual a expectativa para a competição européia?
Aparentemente, comparado aos outros grupos, o nosso é relativamente tranqüilo. Mas não significa que vá ser tranqüilo. Nosso pensamento é buscar a classificação, e daí traçar outras metas.

O grupo do Arsenal exige viagens mais longas, como Bucareste e Praga. Como isso afeta na hora de conciliar com o campeonato? Como o clube se planeja?
O clube sempre faz um estudo para que os jogadores se desgastem o menos possível. Desde que saiu a tabela, tudo isso já foi analisado e a programação já está feita em cima desses jogos.

Você tem história na Liga dos Campeões. Foi finalista, marcou um gol que chegou a ser o mais rápido da competição (contra o PSV, em 2002). O que você aprendeu sobre a LC nestes anos? É um tipo de jogo diferente?
É diferente, por tudo que envolve. A competição é mais apreciada pela qualidade. Todo mundo sente essa diferença. Jogando a Liga dos Campeões por cinco anos, você sempre aprende algo novo. Disputar uma final foi uma experiência excelente. Agora, queremos voltar à final e ganhar.

A Premier League se caracteriza por um estilo de jogo mais físico, o Arsenal é um dos times que sofrem mais com isso. Na Liga dos Campeões, isso muda um pouco. Também muda a orientação do Arsène Wenger para os jogos de uma competição e da outra?
Basicamente é a mesma coisa, a forma de orientar não muda. Nosso estilo de jogo, comparado ao das outras equipes inglesas, é diferente. O time toca mais a bola. Quando vamos jogar a Liga dos Campeões, temos um certo cuidado, porque jogamos contra equipes de muita qualidade. São jogadores que estamos menos acostumados a enfrentar. Então, tentamos não ser pegos de surpresa.

Você fez parte de grandes times do Arsenal, como aquele que foi campeão invicto. Com a saída do Henry e o processo de rejuvenescimento do elenco comandado pelo Wenger, muito se comentou sobre a possibilidade de o time virar apenas a quarta força do futebol inglês. Apesar disso, neste início de campeonato o time está na ponta da tabela. Como está o ambiente em comparação a outros anos? O que deixa vocês confiantes para fazer uma grande temporada?
Confiança a gente não pode deixar de ter. Somos uma equipe de qualidade, sabemos o que podemos fazer por nós mesmos e pelo clube. Perdemos jogadores como Henry, que faz falta a qualquer equipe do mundo, e o Ljungberg, que também era importante para o time. Os jogadores que ficaram vão querer mostrar seu valor. Antes era o time do Henry, na cabeça de muita gente. Agora todo mundo viu que nós temos de fazer por nós mesmos. O Henry, que fazia a diferença, não está mais aqui. Chamar a responsabilidade pelo bem do clube é a única forma de ver as coisas.

Você concorda com a análise de que o Arsenal hoje é inferior a Chelsea, Manchester United e Liverpool?
É muito cedo para dizer. Muita gente fala isso porque o Arsenal foi o que menos gastou. Mas deveriam esperar. Tivemos um bom começo, diferente do ano passado, e queremos dar continuidade. A idéia é somar o máximo de pontos e ver o que dá no final.

Brigar pelo título, então, não é algo descartado.
Lógico que não. Independente das mudanças, o Arsenal não pode deixar de pensar em ser campeão.

Com as chegadas de Anderson, Lucas, entre outros, parece ter se aberto de vez uma porta que antes era meio fechada para os brasileiros. Você se sente responsável de alguma forma, já que chegou à Inglaterra quando isso ainda não era comum?
Não só eu, mas também o Edu, o Sylvinho… Demos uma grande contribuição para a vinda de outros brasileiros. Estes novos brasileiros aqui foram contratados porque têm qualidade, mas realmente dois anos atrás não era tão simples.

Como foi a adaptação do Denílson, que chegou no ano passado?
Foi tranqüila. Ele se adaptou bem ao estilo de jogo, tem muita qualidade. No que eu posso, tenho procurado ajudar bastante, mas ele é um cara super tranqüilo, o que já facilita.

E o Eduardo da Silva? Como foi a integração dele ao grupo? Ele sente a responsabilidade de ser o sucessor do Henry?
Ele está tranqüilo. Passa pelo processo de adaptação por que todo mundo passa. Mas não se pode colocar nele a pressão de substituir o Henry, já que são jogadores de características diferentes. Para o Eduardo, é uma grande oportunidade. Ele está procurando ver isso de forma positiva e aproveitar da melhor forma possível, já marcou gols e está feliz com o novo começo. Quanto mais rápido se adaptar, menos sofre.

As notícias são de que os jogadores estão inquietos com a dúvida sobre o futuro do Wenger, que ainda não renovou o contrato. Isso afeta de alguma forma? (N.R.: A entrevista foi feita antes da renovação de Wenger até 2011)
Conversamos pouco sobre isso, mas é lógico que todos querem que ele fique, principalmente os mais novos. São jogadores que ele trouxe, são jogadores em quem ele acredita. É importante ter continuidade.

Você era considerado favorito para substituir o Henry como capitão. Como encarou o fato de o Wenger ter escolhido o Gallas?
Tenho falado muito sobre isso. Soube através da internet, não pessoalmente, mas já conversamos a respeito. Ele colocou o ponto de vista dele, eu expus o meu, nos entendemos.

Ficou chateado?
Chateado, não. Surpreso por ter recebido a notícia daquela forma. Falei isso para ele. De qualquer forma, meu objetivo nunca foi ser capitão do Arsenal. Quero fazer bem meu trabalho, ajudar o time a conquistar títulos, e é isso o que tenho feito.

As notícias sobre uma possível venda do clube repercutem entre os jogadores?
É um assunto mais da direção. Nenhum jogador se envolve nisso, até porque não sabemos a real situação do que é falado pela imprensa.

Como você lida com a diferença de estilo e esquema de jogo entre Arsenal e Seleção Brasileira?
A maior dificuldade na Seleção é quando nos encontramos em períodos curtos, para amistosos ou até mesmo em jogos de eliminatórias. Não dá para fazer um trabalho adequado como o treinador quer e a gente precisa. A diferença é quando temos tempo para treinar, como na Copa América, Copa das Confederações, Copa do Mundo… A equipe consegue se adaptar melhor ao sistema. No clube, você já treina todo dia, então a facilidade para se encaixar em um esquema é maior.

Você já jogou com Vieira e Fàbregas no Arsenal, outros grandes nomes na Seleção. Quem foi seu melhor parceiro no meio-campo?
Falar de um seria injusto com os outros. No Arsenal joguei bem com o Vieira, com o Edu, agora com o Fàbregas. Na Seleção tive bom entrosamento com o Kleberson, com o Edmílson… não há muito problema para se acertar, você aprende a jogar com cada jogador e agregar suas qualidades às dele.

Esta é uma temporada que concilia jogos com as eliminatórias da Copa. As viagens te prejudicam de alguma forma no Arsenal?
Para falar a verdade, não sei. Vou continuar trabalhando no clube, quando tiver de jogar pela Seleção farei meu melhor, e quando estiver de volta farei da mesma forma.

Mas o Wenger é um dos maiores críticos ao calendário das seleções. Normalmente, quando o jogador volta de uma viagem longa, ele não coloca para jogar no sábado.
Não chegamos a conversar sobre isso. Então, teremos de esperar para ver.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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