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Futebol perde espaço

Mais uma vez vou ter que usar este espaço para tratar do não-futebol. Na última coluna, escrevi sobre oportunismo e cinismo. Desta vez, vou escrever sobre banditismo. Como muitos puderam conferir, no jogo entre o Marinheiro e o Joinville, em Itajaí, um marginal infiltrado na torcida organizada do Marcílio Dias, deu um tiro num torcedor de 19 anos que se encontrava na arquibancada oposta. O episódio é novo, mas o fato é antigo. Não é de hoje que se discutem medidas para barrar a violência nos estádios, mas nenhuma delas ainda se mostrou eficaz no Brasil. Nem mesmo o estatuto do torcedor, que prometia levar de volta aos estádios as famílias tem mostrado os resultados esperados.

Neste caso específico, a solução pode ser ainda mais complicada. O criminoso da vez se esconde por trás da legislação vigente. Por ter apenas 17 anos, possui regalias garantidas. Sob a alcunha de “bad boy” (menino mau), faz pose de anti-herói, destemido, arrojado e desafiador. No entanto, enfrenta a torcida inimiga covardemente na posse de uma arma de fogo e coloca em risco a vida de um jovem estudante de medicina de 19 anos. No dia do depoimento, o garoto mau teve que ir acompanhado do pai à delegacia. Disse que um amigo foi buscar a arma no carro e que foi aconselhado a atirar para cima “só para asssutar”. Mas decidiu mirar contra os torcedores adversários (eu escrevi adversários, não inimigos). A pergunta que fica no ar é: como é permitido que um torcedor deixe o estádio e regresse para o interior deste mesmo estádio com uma arma? A vítima (até o fechamento desta coluna) agonizava em coma no hospital, em estado grave, ainda com a bala alojada na cabeça.

Já na rodada do dia 13 de março, jogadores e comissão técnica do Criciúma investiram contra o árbitro Iolando Rodrigues em protesto contra um suposto “esquema” para prejudicar a equipe, em favorecimento ao Atlético, em Ibirama. Cenas grotescas puderam ser vistas, com o próprio juiz trocando chutes com um dos atletas visitantes. Policiais militares tiveram que intervir, mas nem assim evitaram o caos. Cães foram usados para intimidar os mais exaltados. Quando os chamados “artistas do espetáculo” protagonizam fatos lamentáveis como estes, a razão de ir a um estádio de futebol deixa de existir. Ou, pior, estimula a bestialidade daqueles que não estão ali para assistir a um acontecimento desportivo.

Novidades ou coelhos?

Falando em futebol. Na segunda rodada da segunda fase, Atlético de Ibirama e Joinville se mantêm na ponta dos grupos C e D, respectivamente. A equipe de Mauro Ovelha mostrou que além de um conjunto forte, tem muita raça e equilíbrio emocional. Conseguiu vencer a partida que vencia por 2 a 0, permitiu o empate e só chegou à vitória aos 44 do segundo tempo. O pênalti pode ser contestável, mas a luta dos jogadores, não. Ao Criciúma, o melhor a fazer, seria voltar as atenções para as falhas do elenco do que entrar com ação no Ministério Público, como promete o seu presidente, Moacir Fernandes.

Já o Joinville mantém a regularidade da primeira fase. Na partida contra o Guarani, em casa, sapecou 3 a 0 no adversário. Méritos para o técnico Arthur Neto que consegue manter a equipe nos cascos por boa parte do certame. Desta vez, foi o atacante Sérgio Müler quem entrou bem e marcou um dos gols do time. Junto com Vaguinho e Fantick, ele completa o trio de ouro responsável pela boa fase do grupo.

Resta saber se essas duas equipes se sagrarão como bicho-papões, fazendo a final, até agora mais provável, ou se revelará apenas coelhos (na gíria do atletismo, corredor que lidera boa parte da prova, mas abre espaço para um atleta da mesma agremiação e com mais pique na chegada). O Figueirense continua aos trancos e barrancos. O problema não é novo: falta o artilheiro. Desde a contusão do velho centroavante Genílson, o alvinegro não tem um matador à altura. No início do último Brasileirão, o meia Sérgio Manoel fazia as vezes de artilheiro, função que o jogador jamais exercera em sua longa carreira. Depois de sua saída, muitos se revezaram com a camisa 9: Marlon, Rodrigo e, por último, Felipe Oliveira. Mas, até agora, nenhum deles convenceu. Em terceiro lugar no grupo C, o Figueira não deverá ter dificuldades para chegar às semifinais. A torcida aposta na camisa, mas este ano, pode não ser o suficiente. Santo André, Once Caldas e a seleção da Grécia já provaram que este quesito não tem valido muito recentemente.

Falecimento

Não poderia encerrar esta coluna sem registrar o falecimento da Dona Zita Moritz. Ela foi (e sempre será) a torcedora-símbolo do Figueirense durante toda a sua vida. Dona Zita nasceu no mesmo ano em que o clube foi fundado e sempre acompanhou de perto as partidas da equipe. Já brigou e mandou para aquele lugar aqueles que se atreveram a tomar o seu lugar na cadeira cativa em que se sentava no Estádio Orlando Scarpelli. Sobrinha do fundador do clube, filha do primeiro goleiro a vestir a camisa um do time e irmã do lendário Calico Moritz, um dos principais artilheiros do Figueira, Dona Zita amava o Figueirense e representava da melhor maneira as cores da instituição. Se a torcida é o maior patrimônio de um clube de futebol, Dona Zita, certamente, faz parte alma alvinegra. Seu maior ídolo no atual elenco era o zagueiro Cléber. No céu, certamente Dona Zita vai dar uma ajudinha aos jogadores cá embaixo. Resta saber se eles vão saber aproveitar…

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