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Foi a própria AFA quem cavou o buraco para o papelão da Argentina nos Jogos Olímpicos

De favorita ao pódio a primeiro vexame consumado do futebol nos Jogos Olímpicos de 2016. Tudo bem, a Argentina não veio com o máximo de força que poderia, levando em conta a sua geração. Mas não é isso que exime os albicelestes da péssima campanha que fizeram no torneio olímpico. Há méritos do outro lado, sempre. Ainda assim, impressionou a maneira como os argentinos foram engolidos por Portugal na estreia. Derrota que pesou e tirou o país da competição depois de mais uma tarde inócua, desta vez empatando por 1 a 1 com Honduras. Por ter um saldo de gols superior, a seleção centro-americana avançou às quartas de final.

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A bagunça que se alastra na AFA pode ser colocada como fator primordial para a queda da Argentina. Tata Martino seria o técnico dos Jogos do Rio de Janeiro, mas se demitiu justamente por conta de problemas internos, especialmente pela dificuldade de liberar jogadores. Os argentinos teriam chance de contar com nomes do porte de Dybala, Icardi e Vietto, longe do Brasil também pelas dificuldades dos dirigentes em negociar com os clubes. De última hora, quem assumiu o comando foi Julio Olarticoechea, escolhido apenas por ser o único treinador com contrato com a AFA naquele momento. O ex-campeão do mundo era um verdadeiro tapa-buracos nas seleções de base, ocupando diferentes cargos ao longo dos últimos oito anos.

Olhando no papel, a Argentina até contava com nomes de destaque. Ángel Correa, Calleri, Lo Celso, entre outros, chegaram ao Brasil experimentados. No entanto, não dava para dizer que o time saltava aos olhos. Victor Cuesta e Gerónimo Rulli eram os dois jogadores acima dos 23 anos, sem oferecer grande diferencial. Indicavam também uma falta de planejamento em buscar alternativas mais renomadas. E o pior é que o goleiro, até uma opção de segurança, falhou logo na estreia do torneio olímpico. Em um jogo no qual Portugal se manteve dominante durante a maior parte do tempo, a derrocada começou a se desenhar.

Fazer a parte contra a fraca Argélia, no segundo jogo, não era mais do que obrigação. Foi apertado, mas os argentinos conseguiram vencer por 2 a 1. Até a decisão diante de Honduras, na qual a Albiceleste precisava demonstrar o seu brio. Ficou devendo em uma tarde morna, com um pênalti desperdiçado de cada lado, e o empate por 1 a 1 só arrancado aos 48 minutos do segundo tempo, quando a vitória era imprescindível.

No fim, tudo acaba como reflexo de um planejamento nulo. A preparação se acelerou apenas nas semanas anteriores ao torneio, quando o projeto olímpico já aparecia em frangalhos pelas questões de bastidores. Deu no que deu. Achar culpados em campo pelo baixo rendimento, contudo, é raso. O entrave é bem mais profundo, interno, e se arrasta nas seleções argentinas como um todo. As demais categorias da base não contam com treinadores. Enquanto isso, não há qualquer consciência sobre o time olímpico como uma etapa de formação rumo ao elenco adulto, como aconteceu de maneira consistente em 1996, 2004 e 2008.

Resta aos argentinos a resignação e a volta para casa. A queda precoce nas Olimpíadas é um aviso à desorganização que acomete seleção principal. E, de certa forma, também à confederação vizinha, que conta com um time mais talentoso, mas sofre com a pressão de jogar em casa e de uma conquista que (indevidamente) costuma ser tratada como obsessão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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