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“Foi a melhor da história”

Apesar da má campanha do Al-Kharitiyath, que foi o lanterna na Liga do Catar, o zagueiro Fabão – ou Fábio Santos, como preferem no Oriente Médio – está feliz no clube e afirma que a temporada 2008/9 foi a mais forte que os catarianos já viram. Mas neste bate-papo, não poderíamos deixar de abordar sua passagem pelo futebol sírio, onde ele é o brasileiro de maior sucesso que já passou por lá. O defensor carioca de 28 anos conquistou títulos e fez parte da histórica equipe do Al-Karama que chegou a final da Liga dos Campeões da Ásia 2006, talvez a mais dramática decisão do torneio nos últimos anos. Confira como foi o contato com um dos futebolistas mais altos do panorama mundial com 2,05 m! 

Você é considerado um dos melhores zagueiros que atuam no Oriente Médio. Acha que tomou a decisão acertada ao ir para o modesto Al-Kharitiyath, do Catar?
Eu recebi a proposta do Al-Kharitiyath e naquele momento era interessante. O clube, apesar de pequeno, estava com um plano muito bom, mas infelizmente o time não conseguiu fazer um bom campeonato.

Foi a Federação do Catar que te procurou para assinar contrato e te ceder ao Al-Kharitiyath?
O xeique do Al-Kharitiyath levou o meu nome até a Federação, onde foi aprovado e aí a Federação contrata e empresta para o clube.

Quais os atacantes mais difíceis que você marcou nesta temporada aí no Catar?
Acredito que este ano foi o campeonato mais forte na história do Catar em termos de nível técnico. Muitos jogadores de qualidade. Creio que o Magno Alves (Umm Salal FC) atravessa uma grande fase e passa muita dificuldade para os zagueiros.

Até hoje ninguém entende como foi possível o Jeonbuk Motors ter batido o Al-Karama naquela final da Liga dos Campeões da Ásia em 2006. Você acha que na final o time sentiu a pressão e tremeu?
Aquele time do Al-Karama foi o melhor da história do clube. A derrota na final infelizmente foi coisa do destino, até porque nós vínhamos fazendo uma campanha excelente e já tínhamos vencido equipes de grande nível. Pode ser que alguns jogadores sentiram a pressão, mas em geral foi um jogo bonito e inesquecível para o povo da Síria.

Como estava o ambiente no vestiário após aquela final? Os caras choraram muito?
Foi triste porque jamais alguém imaginou que um clube da Síria chegasse a final da Liga dos Campeões da Ásia e de repente o Al-Karama aparece com um time de bom nível. Foi uma grande decepção, tomamos o gol no final da partida, até então o jogo estava sob o nosso controle. Até hoje converso com alguns amigos da Síria e tem jogadores que nem gostam de lembrar desse jogo…

Aqui no Brasil chegou a informação de que 40 mil pessoas ficaram do lado de fora do estádio naquela noite. Isso é verdade?
É impressionante como o povo sírio gosta de futebol, creio que até mais pessoas ficaram do lado de fora por falta de ingresso. Eu lembro que teve até telões em algumas áreas da cidade para os torcedores que não conseguiram entrar no estádio.

Nós conversamos com o Botti, outro brasileiro que estava naquela final (atuando pelo Jeonbuk Motors). Ele disse que ficou impressionado com o fanatismo dos torcedores na Síria.
Eles são demais, vão em todos os jogos do time. Eu lembro que quando viajávamos para outros países, assim que chegávamos já tinha torcedores do Al-Karama nos esperando. Os caras são apaixonados.

Você ganhou dois títulos nacionais no Al-Karama, mas parece que esse ano vai dar Al-Ittihad. Como era essa rivalidade síria entre Al-Ittihad e Al-Karama?
É uma rivalidade muito forte, ganhar esse dérbi é como ganhar um título. Nos dois anos que joguei lá, conquistei títulos. Dentro de campo tem provocações, mas nunca tive problema, até porque eu respeitava todos e os jogadores me respeitavam também.

Como foi trabalhar com o treinador Mohamed Kwid, que logo se tornou técnico da seleção da Síria?
É uma pessoa que eu tenho um carinho enorme e respeito bastante. Muita coisa mudou pra melhor na minha vida nesses últimos anos e ele tem uma grande parcela nisso. É um grande profissional dentro de campo e fora é como um pai para todos os jogadores.

Aquela base do Al-Karama com Iyad Mando, Al-Hussein, Aatef Jenyat e Mohannad Ibrahim era boa? Você viu muita qualidade na Síria?
Tem bastante jogadores de qualidade na Síria e como em todos os países os grandes clubes despontam e fazem a diferença, mas lembro que íamos jogar contra equipes pequenas e era difícil vencê-las. É um campeonato de bom nível.

O que achou dos dirigentes sírios? São enrolados?
Eu não posso reclamar de nada do Al-Karama, nem dos dirigentes. Tenho um carinho especial por aquele clube. Todos os lugares tem problemas, isso é normal, eu só saí de lá pelo momento. Venci quatro títulos em dois anos (duas ligas e duas copas nacionais), então acho que era o momento..

Na Liga dos Campeões da Ásia é mais difícil jogar contra os japoneses e sul-coreanos ou aí no Oriente Médio tem mais qualidade?
Em geral é difícil e em todos os países há jogadores de qualidade, até porque só jogam equipes campeãs e bem colocadas em seus campeonatos nacionais, então é um torneio diferenciado.

Acha que as guerras atrapalharam muito o futebol libanês?
A guerra atrapalha todos nós, mas há bastante jogadores de qualidade no Líbano.

Você conhece algum outro jogador pelo mundo mais alto que você?
Eu também não conheço nenhum. Tenho 2,05 m, mas continue procurando aí, se achar me avise, pois quero conhecer também (risos).

Para voltar ao Brasil, você tem preferência para jogar em algum Estado ou algum clube?
Acho que estando em um clube que dê estrutura para trabalhar, não há preferência de Estado. O importante é estar num lugar que você e sua família se sentirão felizes.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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