Sem categoria

Filhos que superam os pais

 

Quando algum filho de ex-jogador começa a despontar no futebol, as comparações são inevitáveis. O nome do garoto vem acompanhado do aposto “filho de jogador tal” e em alguns nichos convencionou-se dizer – clichezinho mequetrefe – que geralmente os filhos não superam os pais quando resolvem seguir a mesma profissão. Besteira sem tamanho.

Quem derruba essa tese de vez, sem precisar de ajuda, é Pelé, que superou o pai e ex-jogador Dondinho com algumas léguas de distância. Tempos passados, diriam os menos saudosistas, que certamente aplaudiram Diego Forlán, superior ao pai, Pablo, também com alguma folga. E o que dizer de Paolo Maldini, que se tornou mito no Milan e foi melhor do que seu pai e ex-treinador, Cesare?

Os exemplos não são poucos, e nessa final de Liga dos Campeões também temos dois jogadores que, apesar de jovens, já ultrapassaram os pais no talento dentro de campo e na projeção alcançada. São eles: Sergio Busquets, do Barcelona, e Javier “Chicharito” Hernández, do Manchester United.

Volante campeão x Goleiro medíocre

Nascido e criado na base do Barcelona, Sergio Busquets pode dizer, às vésperas de completar 23 anos, que já conquistou tudo o que um atleta europeu pode almejar em sua carreira. Campeão espanhol, da Liga dos Campeões, mundial interclubes e de seleções em 2010, foi titular em todas as conquistas e fundamental em algumas delas, como por exemplo quando precisou marcar Mesut Özil na semifinal da Copa do Mundo contra a Alemanha e o fez com correção e brilhantismo.

Dentro das quatro linhas, é um jogador discreto, mas que reúne todas as características de um bom volante que pode ser deslocado para a zaga, se necessário, ou mesmo atuar como segundo volante. É alto, rápido, forte fisicamente, desenvolto com a bola nos pés e muito eficiente no jogo aéreo, além de exibir muita maturidade e malandragem dentro das quatro linhas.

Todo esse sucesso em sua carreira, porém, se deve ao fato de que Pep Guardiola, jogador com o qual Busquets já foi comparado em função de seu estilo de jogo no início da carreira e fora seu treinador no Barça B em 2007/08, o pinçou para os profissionais quando poucos acreditavam no potencial dele no Camp Nou. Pouco a pouco, o volante foi tomando espaço e já no fim da temporada era titular.

Guardiola, aliás, foi companheiro de Carles Busquets, pai de Sergio e goleiro do Barcelona durante as décadas de 1980 e 90. Tido como “baixinho” para a posição – tinha apenas 1m80 -, sempre foi classificado como um goleiro medíocre, para não dizer ruim. Nos 12 anos em que defendeu o clube, foi reserva de Andoni Zubizarreta na grande maioria do tempo (inclusive na final da Copa dos Campeões de 1991/92), e quando finalmente teve a sua chance de ser titular, na temporada 1994/95, falhou seguidamente, o que fez a diretoria do Barcelona contratar Vítor Baía em 1996. A favor dele, pode se dizer que foi tetracampeão espanhol, marca que Sergio ainda não conquistou.

Após se aposentar em 2003, quando jogava pelo Lleida, Carles retornou ao Barcelona, onde participava do treinamento de goleiros da base. Certamente, acompanhou de perto a evolução do filho, que hoje é um dos melhores volantes do mundo e já faz com que a lembrança do pai seja ofuscada por seu sucesso atual.

A síntese da evolução mexicana

Embora marcasse presença nas seleções mexicanas de base, Javier “Chicharito” Hernández não tinha o mesmo cartaz de jogadores como Carlos Vela e Giovani dos Santos, campeões mundiais sub-17 em 2005 com uma vitória por 3 a 0 sobre o Brasil na final. Ao contrário de seus companheiros mais badalados, ele ficou no México, onde concluiu sua formação como jogador no Chivas Guadalajara. Por lá, evoluiu gradativamente até chegar ao time profissional e deslanchar em 2010, quando foi artilheiro do Torneo Bicentenário com dez gols em 11 partidas.

O bom desempenho fez com que os dirigentes do Manchester United se interessassem pelos serviços do atacante e o contratassem por um valor não divulgado. Inicialmente cotado para ser reserva ou emprestado para se adaptar, Chicharito roubou a cena, marcando diversos gols importantes – incluindo um na vitória sobre o Chelsea por 2 a 1, jogo que deu aos Red Devils o título inglês – e terminando o ano eleito pela torcida o melhor jogador da equipe na temporada.

Com o bom desempenho em 2010/11 e a chegada do Manchester United na decisão da Liga dos Campeões, Chicharito já é um dos jogadores mexicanos com maior projeção no futebol europeu na história, perdendo apenas para Hugo Sánchez e Rafa Márquez. O que por si só supera a carreira de seus antepassados, que chegaram a ser bons jogadores para os padrões locais do México, os quais naquela época eram bem inferiores aos de agora.

O pai dele, Javier “El Chicharo” Hernández, também foi atacante, mas atuou por dez anos no Tecos, rival do Chivas, onde se estabeleceu como um jogador rápido e técnico, tornando-se o oitavo maior artilheiro de todos os tempos do clube em Campeonatos Mexicanos, com 40 gols. Assim como o filho, disputou uma Copa do Mundo, em 1986, na qual os mexicanos foram anfitriões e chegaram às quartas de final.

Quem também atuou em uma Copa do Mundo foi Tomás Balcázar, avô materno de Chicharito, que esteve presente com a seleção mexicana em 1954, na Suíça, e, a exemplo do neto, marcou um gol, contra a França. Em clubes, Balcázar também atuou pelo Chivas Guadalajara entre os anos de 1949 e 59, conquistando oito títulos mexicanos e se tornando um ídolo local em um futebol ainda incipiente.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo