Fabrício, ex-Furacão, se destaca na Coreia

Perder um pênalti nem sempre é mérito do goleiro. Às vezes é mais falha do atacante, do que competência do goleiro. Mas uma coisa é fato: tem de ter coragem para cobrar pênaltis decisivos. E um erro numa cobrança de penalidade pode marcar um atleta. A Trivela conversou com Fabrício, meia-esquerda, ex-Atlético Paranaense, que hoje brilha no futebol da Coreia. Sua carreira foi marcada pelo pênalti perdido na final da Copa Libertadores de 2005, diante do São Paulo, no Morumbi.
Depois disso, o meia deu a volta por cima no futebol asiático, brilhando no Catar e na Coreia do Sul. O mineiro de Divinópolis foi revelado no América-MG, de onde guarda boas recordações. Confira essa rápida entrevista. Na última partida de sua equipe, o Seognam, o brasileiro foi escolhido o jogador mais valioso da partida. Sua equipe venceu o Gangnow por 3 a 0 – Fabrício marcou um dos gols.
Seu contrato termina no meio do ano. Quais são suas prioridades?
Ainda não sei o que vou fazer, no início do ano tive propostas para voltar ao futebol brasileiro, mas não teve nada interessante. Também teve uma da Arábia, boa financeiramente, mas achei que não era o momento. O pessoal aqui ainda não conversou sobre renovação. Vou esperar um pouco mais para definir meu futuro.
Você atuou no futebol do Catar e agora está na Coreia. Como é o nível dos dois países?
O Catar é um futebol mais tranquilo, se treina menos, tem menos contato. Um futebol mais lento, mas o país é ótimo de se viver. Aqui na Coreia os jogadores correm muito. Tem muito contato físico e é um futebol de mais força. O país também é bom, mas o Catar, para viver, é melhor, principalmente para quem leva família.
Teve alguma proposta para voltar ao Brasil nesse período?
Tive sim. Do Goiás, do Sport e do Fluminense. Do tricolor foi concreto na época em que o Branco trabalhava no clube, mas teve outras sondagens.
Muitos brasileiros se aventuram por esses submundos do futebol. O dinheiro é a principal razão?
Talvez a primeira razão seja essa, mas depois quando chega aqui você enxerga as coisas de uma outra forma, principalmente na questão familiar. Os países são mais seguros. Não tem tanta concentração. São poucas viagens. No Catar, por exemplo, eu nem viajava. Dá para viver legal com a família e jogar.
Sua família está toda no Brasil. Como é ficar longe de casa?
Não é fácil não, minha esposa esse ano ficou no Brasil, pois meu contrato vence agora no meio do ano e minha filha precisava fazer um tratamento dentário muito delicado e precisava estudar também. Meus pais chegaram essa semana e devem ficar aqui uns 2 ou 3 meses.
E não tem nenhum brasileiro na sua equipe. Mas tem o Molina, ex-jogador do Santos. É com quem você mais conversa?
O Molina é igual brasileiro. Até brinco com ele, que pegou o jeito brasileiro. A gente se dá muito bem.
Como é o convívio com os coreanos?
Muito bom, eles respeitam muito. São muito tranquilos.
O clube está fazendo a pré-temporada no Japão. Como a equipe vem para essa temporada?
O time está bem. Perdemos jogadores importantes, mas a pré-temporada foi muito boa.
Seu time foi vice-campeão na Coreia, como foi a sua temporada?
Minha temporada não foi das melhores, porque estava no Brasil e fiquei quase 2 meses sem jogar. Estava no Catar querendo descansar um pouco para depois fechar algo, mas aí pintou essa proposta na Coreia. Demorei para entrar em forma. Tive alguns problemas extra-campo também, mas nas finais foi bom, porque joguei quase todos os jogos.
Você perdeu um pênalti na decisão da Libertadores. O que passou pela sua cabeça quando pegou a bola?
Pensei que não erraria, pois nunca havia perdido um pênalti antes, mas tive a infelicidade de bater na trave.
E depois que perdeu?
Foi muito difícil, mas consegui superar com um tempo, mas é algo que vou ter de conviver o resto da vida.
Como foi conviver com a perda daquele pênalti? Houve muitas cobranças já que o Atlético nunca havia conquistado uma Libertadores e estava bem perto dela?
Não houve tanto porque o São Paulo fugiu da Arena da Baixada e sabia que se jogasse lá não ganharia a Libertadores. O nosso time estava atropelando quando jogava em casa. Conseguiram mudar para o Beira Rio, que foi um campo neutro e no Morumbi fizeram o dever de casa. Mas na época eu estava muito bem. No jogo seguinte fomos jogar em BH contra o Atlético, fiz o gol da vitoria e entrei na seleção da Libertadores, o único do Atlético na equipe titular. Aí deu uma aliviada.
Você foi revelado no América-MG numa fase boa do clube. Foi uma época boa que você passou na carreira?
Boa demais, um dos melhores momentos de minha carreira. Até hoje sou lembrado pelo que fiz lá.
Lá você conquistou o Campeonato Mineiro (2001) e a extinta Sul Minas. Foram suas maiores conquistas?
Ganhei três campeonatos paranaenses, um mineiro, uma Sul Minas, fui Campeão Brasileiro da série B pelo Brasiliense , ganhei um vice Brasileiro da série A com o Atlético-PR, o vice da Libertadores e agora o vice-coreano.
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