Fábio: “O Barcelona tem uma variação de jogo impressionante”

Quando os gêmeos Fábio e Rafael saíram do Fluminense para o Manchester United em 2008, o primeiro era mais badalado do que o segundo, pelo potencial ofensivo que demonstrava, marcando gols com frequência acima da média para a posição de lateral esquerdo. Mas, logo nos primeiros meses de Inglaterra, a situação mudou. Enquanto Fábio sofria com lesões, Rafael se firmou no elenco principal dos Red Devils e foi até recompensado com a convocação para a Seleção Brasileira. Nesta temporada, porém, a situação mudou.
Recuperado e à disposição de Alex Ferguson, Fábio disputou, ao todo, 24 partidas na temporada, marcando dois gols. Após jogar como lateral esquerdo e meia em vários momentos, migrou para a lateral direita na reta final e a mudança deu certo: disputou seis partidas como titular, incluindo o primeiro duelo das semifinais contra o Schalke 04, no qual o time jogou com força máxima. O fato de atuar frequentemente leva a crer que ele poderá ser relacionado também para a final, contra o Barcelona, neste sábado.
Em entrevista à Trivela, Fábio fala sobre a capacidade de jogar em várias posições, a final da Liga dos Campeões e o processo de adaptação na Inglaterra. Confiante no título, ele também fala sobre a experiência de ter assistido a decisão de 2009 em casa, além de apontar Alex Ferguson como o principal responsável por essa era de sucessos do United dentro de campo.
Depois de sofrer com lesões em anos anteriores, você ganhou espaço nessa temporada jogando mais na lateral direita do que na esquerda, sua posição de origem, ou mesmo no meio-campo. Em qual função você se sente mais à vontade em campo nesse momento?
É sempre bom para um jogador poder desempenhar funções diferentes dentro de campo. Me sinto à vontade na esquerda, pois é a posição em que jogo há mais tempo, mas por ser destro também tenho uma certa facilidade para atuar no lado direito do campo. Mas onde o Ferguson precisar, estarei sempre à disposição para colaborar com a equipe.
Alex Ferguson já conversou com vocês sobre a decisão com o Barcelona e como o United deve atuar? No que ele tem focado mais, já que vocês certamente conhecem bem o estilo de jogo do Barça?
Ele tem conversado bastante conosco e procurado traçar a melhor estratégia. O Barcelona é um time muito forte e tem uma variação de jogo impressionante, mas nós mostramos durante a Liga dos Campeões que temos condições de jogar de igual para igual contra eles. Nossa defesa é forte e o ataque decide nos jogos mais complicados. A confiança de todos é muito grande e teremos o fator de jogar praticamente em casa também.
Onde você acompanhou a final de 2009 contra o Barcelona? O elenco atual, que só perdeu Cristiano Ronaldo e Tevez em relação àquela temporada, encara o jogo como revanche?
Não estava relacionado para o jogo e assisti em casa mesmo. Torci bastante, mas infelizmente não deu. Nosso elenco tem muitas opções, e isso é importante. Não acredito que revanche seja a palavra certa, pois a motivação já é enorme independente de qualquer coisa.
Como você avalia a Liga dos Campeões feita pelo Manchester United? Qual o momento mais difícil pelo qual o clube passou? E na Premier League?
Muito boa a nossa participação. Eliminamos o Schalke 04 com duas ótimas apresentações e chegamos à final com muita moral. Na Premier League, tivemos alguns resultados ruins nessa reta final, mas nada que pudesse nos atrapalhar. Fomos muito regulares na temporada.
O Manchester United garantiu o título inglês com uma rodada de antecipação no jogo contra o Blackburn. É o 12ª título nacional de Sir Alex Ferguson no comando do clube. A que você atribui isso?
Ele dispensa apresentações. É um treinador com um currículo invejável e merece tudo isso que está acontecendo na carreira dele. Desde que eu e meu irmão chegamos ele sempre nos recebeu de braços abertos. O trabalho dele é sem dúvida o fator que mais influencia nesses títulos. E a qualidade da equipe também.
Depois de três anos na Inglaterra, você certamente já está completamente aclimatado no clube e na cidade de Manchester. Como foi esse processo de adaptação? Qual foi a parte mais difícil?
O início sempre é complicado, até porque éramos muito jovens. A língua, o frio, etc. Mas com a ajuda de nossas famílias isso foi superado sem maiores problemas.
O jornalista Tim Vickery, da BBC, disse certa vez que acha que poucos jogadores brasileiros fazem sucesso na Inglaterra, porque são menos mimados lá do que na Espanha e na Itália. Você concorda que isso aconteça por uma questão cultural, ou pensa que seja mais pela diferença no estilo de jogo?
Acho que é mais pelo estilo de jogo mesmo. O futebol aqui é muita luta e correria. É preciso saber se adaptar para conseguir se encaixar no estilo de jogo deles. O povo inglês é mais frio também, mas se o jogador estiver no seu melhor vai ter sucesso.


