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Euro sub-17: o futuro da Europa

Berço de nove entre dez das próximas estrelas do futebol do Velho Continente, o Campeonato Europeu sub-17 recebe entre os dias 4 e 16 de maio, em Antalya, na Turquia, 144 garotos de oito países diferentes e aspirantes ao título da categoria. Tudo sobre a mais jovem competição européia de seleções você acompanha nas linhas abaixo, nesse preview especial do Olheiros.net.

Desde 2002, ano em que o torneio deixou de ser sub-16 e assumiu suas características atuais, passaram pelos gramados da fase final da competição estrelas do porte de Wayne Rooney, Cesc Fàbregas e Karim Benzema. Na última temporada, quem brilhou foi Bojan Krkic, da campeã Espanha.

O sucesso do jovem atacante do Barcelona, promovido ao elenco principal após o sucesso na Fúria sub-17, e de Toni Kroos, cerebral meia alemão que virou profissional do Bayern de Munique após bom desempenho nos torneios da categoria, deram ânimo novo para o torneio continental e encheram de esperança os novos candidatos a craque.

Se algumas dessas futuras estrelas, como o espanhol com DNA brasileiro Thiago Alcantara, do Barcelona, e o francês Clément Grenier, do Lyon, já estão em clubes que podem proporcionar-lhes um desenvolvimento satisfatório, outros garotos buscam aproveitar o Europeu para serem descobertos por olheiros de equipes maiores e deixarem os seus times periféricos.

Um desses casos é Danijel Aleksic, artilheiro da Sérvia nas eliminatórias para a competição. O jogador, que tem sete gols até aqui, já é famoso em seu país, mas o clube que defende, o Vojvodina, não ajuda muito em sua projeção internacional.

Os sérvios estão no Grupo A da competição, ao lado de Escócia, Holanda e da anfitriã, Turquia. A outra chave conta com Espanha, maior vencedora da história do torneio, França, Irlanda e Suíça, dona da melhor campanha das eliminatórias.

A fórmula de disputa do Europeu é bastante simples. As seleções jogam três vezes dentro dos seus grupos e dois times de melhor desempenho de cada chave avançam para as semifinais, disputadas em cruzamento olímpico. A decisão reúne os vencedores desses confrontos.

Contudo, os verdadeiros campeões não serão necessariamente aqueles que entrarem em campo em 16 de maio, mas sim os meninos que conseguirem se destacar. Afinal, nessa idade, a competição é apenas uma pequena parte do que realmente importa: aprender e aparecer.

GRUPO A

Escócia

Até a atual temporada, a Escócia jamais havia se classificado para a fase final do Europeu-17. A vaga conquistada pelo jovem time de Ross Mathie comprova o bom momento vivido pelo futebol do país no momento, que quase chegou à Eurocopa adulta deste ano.

Dona do melhor ataque entre as oito seleções classificadas para a fase final do Europeu, a Escócia deposita as suas fichas em John Fleck. O meia-atacante, promovido ao elenco principal do Glasgow Rangers nesta temporada, é o capitão do time e foi decisivo na classificação escocesa – marcou três dos cinco gols do time na segunda eliminatória.

Famoso por ter sido contratado em janeiro pelo Liverpool, que o teria disputado com Chelsea e Manchester United, o atacante Alex Cooper, filho de Neale Cooper, ex-ídolo do Aberdeen, costuma ser deixado no banco de reservas por Mathie, que prefere o grandalhão e artilheiro Archie Campbell como homem de frente.

Técnico: Ross Mathie
Artilheiro: Archie Campbell (Glasgow Rangers) – 4 gols
Campanha: 5V e 1D, 18GP e 6GC
Títulos: Não tem
Na temporada passada: Eliminada na segunda fase de grupos das Eliminatórias

Holanda

Uma das mais tradicionais escolas de novos talentos do continente, a Holanda penou para chegar à fase final do Europeu. Na última rodada da segunda fase de grupos das eliminatórias, a Orange precisava derrotar a Hungria e torcer por uma derrota da Bósnia para a Noruega, resultados que realmente aconteceram.

A base holandesa é formada pelo Ajax, dono da melhor categoria de base do país e de uma das melhores do continente. Dos 18 atletas chamados para a fase anterior do torneio, sete defendem o clube de Amsterdã, inclusive os dois atletas mais perigosos da equipe: o meia Rodney Sneijder, irmão de Wesley Sneijder, do Real Madrid, e o artilheiro Geoffrey Castillion, artilheiro do time na competição.

Mas é no setor defensivo que os holandeses se destacam. Em seis jogos, o país teve a sua meta vazada em apenas duas oportunidades. Mérito da dupla Lorenzo Burnet, mais uma cria do Ajax, e do versátil Jeffrey Bruma, revelado pelo Feyenoord, mas que defende o Chelsea – e é apontado como sucessor de John Terry – desde os 15 anos.

Técnico: Albert Stuivenberg
Artilheiro: Geoffrey Castillion (Ajax) – 6 gols
Campanha: 5V e 1D, 11GP e 2GC
Títulos: Nenhum
Na temporada passada: Foi desclassificada na fase de grupo das finais

Sérvia

Dona da pior campanha entre as sete seleções que precisaram passar pelas eliminatórias para chegar à fase final, a Sérvia volta a ser uma das finalistas do Europeu sub-17 após a ausência na temporada anterior.

A classificação sérvia deve-se, sobretudo, à grande fase vivida por Danijel Aleksic. Jogador mais jovem a atuar na primeira divisão do país, o meia-atacante do Vojvodina foi o artilheiro da segunda fase das eliminatórias e responde por 70% dos gols marcados até aqui pelo time do técnico Dejan Djurdevic.

Apesar de ter um papel vital e ser capitão da equipe, Aleksic não atua sozinho. Entre os seus coadjuvantes de maior destaque estão o zagueiro Milan Milanovic, que em janeiro se transferiu para o eldorado russo – joga no Lokomotiv Moscou – e Predrag Stevanovic, do Schalke 04, que nasceu na Alemanha, mas preferiu defender os sérvios.

Técnico: Dejan Djurdevic
Artilheiro: Danijel Aleksic (Vojvodina) – 7 gols
Campanha: 4V, 1E e 1D, 10GP e 5GC
Títulos: Nenhum
Na temporada passada: Eliminada na segunda fase de grupos das eliminatórias

Turquia

Três anos atrás, a Turquia conquistou o seu segundo título europeu sub-17 ao derrotar a Holanda por 2 a 0. Aquele time, que tinha em Nuri Sahin o seu principal jogador, foi ainda terceiro colocado no Mundial da categoria em 2005.

Repetir o feito daquela esquadra é o objetivo do elenco comandado por Senol Ustaömer, que irá atuar em casa. Sem disputar a fase eliminatória do Campeonato Europeu por serem sede, os turcos jogaram 19 amistosos preparatórios na atual temporada e perderam apenas uma vez – para a França, por 2 a 1, em dezembro.

Se os resultados fazem os anfitriões acreditarem em um novo título, Batuhan Karadeniz é a aposta para ser o Sahin da vez. Mais jovem atleta a estrear e a marcar gol na primeira divisão do país, esse atacante de 1,92m do Besiktas tem um faro de gol muito apurado –marcou oito vezes na fase de preparação – e uma personalidade forte, que tem atrapalhado o seu desenvolvimento no time profissional, mas que não afastou o interesse de Real Madrid, Valencia e Arsenal em seu futebol.

Técnico: Senol Ustaömer
Artilheiro: não participou das eliminatórias
Campanha: não participou das eliminatórias
Títulos: 2 (1994 e 2005)
Na temporada passada: Eliminada na segunda fase de grupos das eliminatórias

GRUPO B

Espanha

A Espanha é só a seleção que mais venceu o Campeonato Europeu sub-17. Nas duas últimas edições, tinha como destaque um atacante franzino com ascendência. O nome dele era só Bojan Krkic. Mesmo sem o garoto-sensação do Barcelona, ainda assim, é possível apontar a Fúria como favorita a mais um título.

O técnico Juan Santisteban continua tendo bons valores individuais em mãos, como os badalados Thiago Alcantara, filho do brasileiro Mazinho, que defende o Barcelona, e o “argentino” Gerardo Bruna, do Liverpool. Dani Pacheco, outra promessa da base dos Reds, está machucado e é a grande ausência.

Apesar do elenco estelar, a classificação para a as finais foi dolorida. Após um indigesto empate com a Romênia, a “mini Fúria” sofreu para fazer 1 x 0 na Itália na rodada decisiva das eliminatórias. Um tropeço impediria a viagem espanhola para a Turquia e também a briga pelo bicampeonato consecutivo, feito alcançado apenas uma vez em 25 anos de competição.

Técnico: Juan Santisteban
Artilheiros: Dani Pacheco (Liverpool), Thiago Alcantara (Barcelona) e Keko Gontán (Real Madrid) – 3 gols
Campanha: 4V e 2E, 15GP e 4GC
Títulos: 7 (1986, 1988, 1991,1997,1999,2001 e 2007)
Na temporada passada: Campeã

França

Na única vez em que foi campeã européia da categoria, a França mostrou ao continente o valor da sua geração 1987, comandada pelo trio Samir Nasri, Hatem Ben-Arfa e Karim Benzema, nomes certos na lista de Raymond Domenech para a Eurocopa deste ano.

Quatro anos após a conquista, a Seleção Francesa, apesar de tropeços na fase inicial, chega à Turquia como séria candidata ao bicampeonato, sobretudo graças aos dois garotos responsáveis pela ligação entre meio-campo e ataque.

Contratado pelo Chelsea, Gael Kakuta tem feito sucesso entre os reservas do time londrino com muita habilidade e facilidade para passar pelos adversários. Clement Grenier ainda atua na França, mas, provavelmente, por pouco tempo. Artilheiro da França sub-17 e famoso pelas arrancadas e finalizações “à la Kaká”, o jogador do Lyon já foi sondado por Arsenal, Chelsea, Internazionale e Real Madrid.

Técnico: Francis Smerecki
Artilheiros: Clément Grenier (Lyon) – 4 gols
Campanha: 4V, 1E e 1D, 14GP e 5GC
Títulos: 1 (2004)
Na temporada passada: Semifinalista

Irlanda

Uma equipe com pouco jogo de cintura e recursos técnicos, quase sem criatividade, mas que sempre se apresenta muito competitiva. A descrição da seleção irlandesa sub-17 se encaixa bem no clichê do futebol do país.

A competitividade do elenco do técnico Sean McCraffey ficou comprovada na segunda fase das eliminatórias para o Europeu. A Irlanda caiu no “grupo da morte”, que tinha ainda Alemanha, Portugal e Grécia e, com os mesmos quatro pontos dos seus três oponentes, avançou de fase graças ao saldo de gols.

O principal nome do ataque irlandês está na defesa, por mais que isso pareça paradoxal. O zagueiro Gavin Gunning, do Blackburn, é muito bom na jogada aérea foi o artilheiro do time nas eliminatórias, tendo feito inclusive o gol que definiu a classificação diante de Portugal. Cabe ao winger Aaron Doran, também do Blackburn, a tarefa de fazer os cruzamentos para o seu companheiro de time e de seleção.

Técnico: Sean McCaffrey
Artilheiros: Gavin Gunning (Blackburn) – 3 gols
Campanha: 4V, 1E e 1D, 10GP e 4GC
Títulos: 1 (1998)
Na temporada passada: Eliminada na segunda fase de grupos das eliminatórias

Suíça

Há seis anos, a Suíça apresentou à Europa a geração que a recolocaria no mapa do futebol continental. Com Philippe Senderos, Tranquillo Barnetta e Reto Ziegler, o time helvético conquistou o Europeu sub-17 de 2002.

Desde então, o país vem conquistando bons resultados na base e revelando novos atletas, como Gelson Fernandes, do Manchester City. Nas Eliminatórias do sub-17 desta temporada, a Suíça teve a melhor campanha, com cinco vitórias e um empate.

Apesar do técnico Yves Débonnaire afirmar que sua equipe joga sempre no ataque, é a defesa o ponto alto suíço. Michael Lang, do Saint Gallen, e Philippe Koch, do Zurich, formam uma dupla sólida de zaga, enquanto Fabio Daprela, já profissional do Grasshopper, faz bom papel pela lateral-esquerda.

Técnico: Yves Débonnaire
Artilheiro: Nassim Bem Khalifa (Lausanne) – 3 gols
Campanha: 5V e 1E, 13GP e 2GC
Títulos: 1 (2002)
Na temporada passada: Eliminada na segunda fase de grupos das eliminatórias

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