“Eu sabia que o futuro não seria positivo!”

O ex-defensor Serbegeth Singh foi um dos maiores jogadores da Malásia e do sudeste asiático. “Shebby”, como é conhecido no meio, hoje é empresário e trabalha como comentarista. Neste papo com a Trivela, ele diz o que pensa sobre a decisão do dirigente Khairy Jamalludin de proibir os estrangeiros no futebol malaio a partir de 2009. O ex-treinador do MyTeam, clube fundado em 2006, revela o que mudou na região nos últimos 20 anos. Exclusivo!
O que mudou no futebol malaio desde seus tempos como jogador?
Na minha época as pessoas entravam para contribuir, mas desde a década passada entram para “tirar” do futebol. Os motivos são sempre errados, com intenção de construir perfis, promover carreiras políticas e fazer dinheiro.
Khairy Jamalludin foi o político que determinou o fim da presença dos jogadores estrangeiros na Malásia a partir do ano que vem. Que tipo de dirigente ele é?
Eu fiz alguns trabalhos para ele no futebol, então devo dizer que ele entende de futebol. Mas o grande problema será quando ele estiver rodeado de pessoas que estarão de acordo com qualquer coisa que ele disser sem fazer nenhuma pesquisa ou estudo.
Cingapura cresceu muito após naturalizar estrangeiros na sua seleção, o Vietnã também evoluiu depois de trazer estrangeiros para sua liga. Você acha que essa medida de banir os estrangeiros da Malásia será positiva ou Khairy só tem interesse político nessa decisão?
Em primeiro lugar, eu estou muito surpreso que os estrangeiros queiram jogar na Super League da Malásia porque nosso nível técnico é pobre. Os estrangeiros perdem a ambição. O futebol malaio está sacrificando a liga doméstica para ser mais competitivo no cenário internacional. Porquê não se pode fazer ambas as coisas, melhorar a liga e a seleção? Então, talvez Khairy tem observado a fundo esta situação e queira melhorar isso.
A fragilidade física dos jogadores é outro fator que mantém a Malásia e o sudeste asiático marginalizado das grandes competições. É um problema cultural e de mentalidade, como mudar isso?
Nós temos um grande problema e vou lhe dizer a verdade. Quando você vai nas escolinhas, você tem professores que são graduados em universidades. Nas escolinhas eles são conferencistas e nas universidades são ensinados. Aqui na região os professores ainda estão no nível escolar de conhecimento.
Quando Fandi Ahmad emergiu como um dos grandes jogadores do sudeste asiático, jogou na Holanda e muitos acharam que o futebol por aí iria deslanchar, mas isso não aconteceu. Vocês, como expoentes da região nos anos 80, falavam muito sobre o futuro naquela época?
Ainda somos grandes amigos e naquele tempo já sabíamos que o futuro não iria ser positivo, as oportunidades eram limitadas, mas agora qualquer um pode ir para Europa fazer testes e ainda ninguém quer fazer isso.
Acha que seria interessante para aumentar o nível fazer uma competição com os melhores clubes do sudeste asiático e acabar com as ligas nacionais?
Sim, deveríamos ter nossa própria Champions League e copas de clubes.
Você esteve envolvido na Copa dos Campeões da Ásia em 1987 e 90. Enfrentar clubes do Oriente Médio e Japão contribuiu para o desenvolvimento do futebol malaio?
Aqueles foram dias inesquecíveis e o mais especial é que jogamos bem contra esses adversários. Nós aprendemos muito nesses jogos e mentalmente nos tornamos tão fortes que nenhum time no sudeste asiático poderia nos bater. Foi uma grande injeção de confiança ter encarado aqueles oponentes.
Seu ex-treinador Jozef Venglos, 72 anos, ainda vive na Eslováquia. Você tem outras noticias sobre ele?
Doutor Venglos sempre será especial para mim, ele veio para o Kuala Lumpur FA e abriu meus olhos sobre como o futebol estava se desenvolvendo para os próximos 20 anos! Ele está entre os melhores técnicos do mundo e nós éramos felizes de ter o único treinador de classe mundial (que trabalhou na região) como nosso mentor.
Atualmente é comum grandes clubes europeus fazerem turnês pela Ásia na pré-temporada. Como vê isso?
O futebol tem se tornado uma grande indústria e os clubes viajam pelo mundo criando seu próprio marketing e assim temos visto cada vez mais clubes europeus por aqui e continuará crescendo tirando vantagens dos fãs.


