“Estou voltando ao futebol alemão”

O atacante Edu se desvinculou do Suwon Samsung Bluewings, da Coréia do Sul, após três temporadas com gols, títulos e boa prestação de serviços. Ídolo dos ‘Bluewings’, o jogador que se formou nas categorias de base do São Paulo e do Santos ajudou o clube de Suwon a conquistar títulos importantes como a K-League 2008 e o torneio Pan-Pacífico 2009. Sua próxima parada será o futebol alemão, onde ele já defendeu VfL Bochum e FSC Mainz 05. O avançado paulista não revela o nome do clube, mas garante que já está tudo certo. Neste bate-papo, também apuramos outras facetas de sua aventura na terra dos ‘Guerreiros Taeguk’.
Foram três temporadas na K-League com notável protagonismo. Qual o balanço que você faz da sua passagem pelo futebol sul-coreano?
No inicio não foi nada fácil, na primeira temporada (2007) passei por um processo natural de adaptação. Eu vinha de alguns anos na Alemanha, um futebol diferente, mas com dedicação consegui me adaptar, tive uma boa sequência, ganhamos troféus e foi maravilhoso.
O Pohang Steelers ganhou a Liga dos Campeões da Ásia este ano. Para muitos foi uma surpresa já que entre os clubes sul-coreanos o grande favorito era o Suwon.
A nossa equipe de 2008 tinha muita qualidade, mas nos jogos decisivos perdemos alguns jogadores que se machucaram, o time era jovem e sentiu. Nesse ano houve uma considerável reformulação e saiu muita gente importante. Acho que isso explica o fato de não termos vencido a LC Asiática.
Apesar das sensacionais coreografias da torcida do Seoul FC, uma das mais marcantes do país, o Suwon teve a melhor média de público das últimas duas edições da K-League. Conte-nos sobre o perfil dos fãs e a relação com eles.
A nossa torcida é a que mais apóia. Pode não ser a maior do país, mas em termos de compromisso e fanatismo é a número um. Com isso, nós brasileiros sempre buscamos retribuir o carinho e a confiança.
Inclusive, um dos grandes entraves na gestão da K-League é solucionar a falta de público em algumas cidades. Não é fácil encher estádios na Coréia do Sul.
É verdade, diferente do Brasil, lá não é a maioria que se interessa por futebol. Por outro lado, os jogos de Beisebol chegam a ter entre 80 e 100 mil pessoas.
Você teve o privilégio de trabalhar três anos com o treinador Cha Bum Kun, uma lenda local. Inclusive, vocês têm algo em comum: jogaram na Alemanha. Isso facilitou a afinidade e o trabalho diário para você ser bem-sucedido?
Ele é um cara bastante exigente. Sempre falava comigo sobre posicionamento, movimentação, finalização etc..Acho que havia empatia no sentido de ele saber exatamente o que um jogador que vinha da Alemanha precisava para se dar bem no futebol sul-coreano. O futebol alemão é jogado com mais inteligência, já na Coréia se luta mais e a arbitragem geralmente não consegue conter muito bem os ímpetos.
O atacante Park Chu-Young, do Monaco, já figura entre os principais destaques sul-coreanos e tem tido notas expressivas no diário esportivo francês L´Equipe. Quais as impressões que você teve dele quando o enfrentou pela K-League?
Joguei umas duas vezes contra ele. Eu pelo Suwon Bluewings e ele pelo Seoul FC. Ele é diferenciado, pensa rápido, tem um giro fácil quando recebe de costa para a zaga adversária, enfim, é um jogador que merece atenção.
E aquele amistoso com o Chelsea em 2007?
Eu senti como se jogássemos outro esporte (risos). O Chelsea está em outro patamar. É um dos principais clubes do mundo com estrutura e jogadores de primeira linha…
Já tem uma situação bem encaminhada para 2010?
Já acertei com um clube alemão e não volto para a Coréia do Sul. Já havia um acordo há cerca de três ou quatro meses e agora está praticamente certo, só não posso revelar o nome do clube ainda. Devo me apresentar em dezembro ou janeiro.
Ainda pretende jogar no Brasil?
A vontade é grande, mas vai depender do rumo da minha carreira. Antes de acertar com esse clube alemão, eu conversei com algumas pessoas ligadas ao futebol japonês, mas nada concreto. Para eu jogar no Brasil vai depender do clube, da cidade etc..se eu estiver feliz lá fora, teria de ser um projeto tentador para me fazer voltar.


