Sem categoria

“Estou feliz por Raúl e Eduardo”

Entre os destaques nos noticiários dos últimos dias estão os fatos do atacante Raúl ter se tornado o maior goleador da história do Real Madrid e o brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva ter voltado aos campos marcando gols. Para falar desses temas batemos um papo telefônico com Davor Suker, artilheiro da Copa do Mundo de 1998 pela Croácia e um dos mais consagrados atacantes da década de 90. O avançado de Osijek foi companheiro de Raúl em Madrid por três anos. Simpático e bem-humorado, o ex-camisa 9 dos merengues também falou de alguns trechos de sua gloriosa carreira.
“Sempre teremos jogadores se destacando nas outras ligas, sempre teremos qualidade, sempre seremos respeitados em nível de seleção, mas repetir o feito daquele 3º lugar na Copa de 98, na França, será muito difícil”. Imperdível! 

 

Como recebeu a notícia do recorde de gols pelo Real Madrid estabelecido por Raúl, que superou o mítico Alfredo Di Stéfano como maior goleador de sempre no clube merengue?
Foi merecido. Ele vem marcando gols há muitos anos, conquistou o carinho do público e agora é dono de uma estatística excepcional. Fico feliz por ele e espero que continue marcando gols.

Na época que o clube contava com você, ele, Morientes e Mijatovic no reparto ofensivo, todos de imensa qualidade, havia uma relação de desconfiança entre vocês?
Não, todos nós marcamos muitos gols, ganhamos praticamente tudo, fizemos uma história bonita em Madrid e isso é o que realmente importa.

Eram amigos?
Fora de campo nos dávamos bem, também. Raúl era muito mais jovem, mas já víamos que ele poderia fazer história, era um jogador diferente.

Muitos ainda consideram a Itália o lugar mais difícil para um atacante triunfar. Você esteve em três grandes centros: Espanha, Inglaterra e Alemanha. São ambientes bastante diferentes para um atacante se sobressair?
A única coisa que importa para um atacante em qualquer parte do mundo é marcar gols e ganhar. Na minha época o futebol espanhol era o melhor do mundo, mas há três ou quatro anos a Inglaterra ultrapassou com muito dinheiro e mídia. Mas acho que o caminho para marcar gols é igual em qualquer parte. A Liga Espanhola, por exemplo, é muito competitiva, em qualquer campo que você jogue, você nunca tem a certeza de que vai sair vitorioso. Foi a competição mais bonita que participei.

E os derbys contra o Barcelona?
Sem palavras. As cidades de Madrid e Barcelona vivem esse clássico de forma impressionante e ali você vê a força da torcida do Real Madrid. Nunca esquecerei aqueles 2 a 0 no Santiago Bernabeu onde marquei um dos gols da vitória (dezembro de 1996). São momentos que você nunca esquece.

Como foi estar alguns meses com Diego Maradona no Sevilla?
Uma experiência fabulosa, fui o único jogador croata que jogou com ele, você quer mais? (risos). Sinto muito orgulho disso. Apesar do pouco tempo, fizemos coisas boas no clube. Ter convivido com ele foi algo sensacional que guardo com carinho. Quando chegou ao clube ele me disse: “Não se preocupe, corra que eu te darei os gols!”.

Já ouvi que o Ivan Zamorano é um tipo egoísta e complicado. O brasileiro Gilberto, quando voltou da Inter de Milão, chegou a criticar o comportamento dele e do Diego Simeone, eram meio ‘politiqueiros’ no clube…
Não, eu estive com ele uma temporada no Sevilla e me encantava seu estilo. Era bom no jogo aéreo e tecnicamente também não era nada mal. Desfrutamos muito jogando um com o outro.

Ainda falando do Sevilla, os técnicos Carlos Bilardo e Luis Aragonés eram praticamente de estilos opostos, não?
Eu sou um tipo que acha que no futebol cada um pode aprender com o outro. Todos trazem algo novo e se o jogador estiver com a cabeça aberta, só tem a ganhar. Aprendi muito não só com os dois, mas também com Fábio Capello, Miroslav Blazevic e tantos outros. Só tenho palavras de agradecimento para os treinadores que tive.

Você esteve um ano no Arsenal, o Arsene Wenger tem algum ‘plus’ a mais?
É outro treinador fantástico. Eu entendo perfeitamente porque ele está há tantos anos no clube. A maneira inteligente e fluída com que ele se comunica com os jogadores o torna muito especial.

Como tem visto a Liga dos Campeões da Europa depois de praticamente dez anos longe da competição?
Mudou muito e tem menos qualidade em campo, faltam grandes jogadores. É um festival para os olhos, uma referência, mas o nível abaixou. Claro, ainda existem jogadores excepcionais como Messi, Ronaldinho, Lampard, Ballack, Kaká, mas no geral, falta mais gente boa em campo.

E o futebol croata como anda?
Nossa Liga não está forte, mas a seleção continua chegando bem em Copas do Mundo e Eurocopas. Sempre teremos jogadores se destacando nas outras ligas, sempre teremos qualidade, sempre seremos respeitados em nível de seleção, mas repetir o feito da Copa de 98, na França, será muito difícil (A Croácia foi a 3ª colocada e Súker o goleador do torneio).

Como vê o retorno do Eduardo da Silva aos campos?
Estou entusiasmado com a volta dele, foi uma peça que nos faltou na última Eurocopa, ano passado. Espero que ele continue marcando a ajude a Croácia a se classificar para a próxima Copa na África do Sul.

Nos anos 90 o país se dava ao luxo de ter você e o Alen Boksic, mas desde então nunca mais se viu um ‘9’ croata empolgar o público. Como você vê essa carência?
Temos o Eduardo.

Mas ele é brasileiro.
(Gargalhadas) Num país de apenas quatro milhões e meio de habitantes não é fácil encontrar. Graças ao Brasil, temos um (mais risos).

 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo