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Estilos contrastantes

Athletic Bilbao e Atlético de Madrid devem muito a seus técnicos argentinos. Marcelo Bielsa e Diego Simeone conduziram seus times a saltos de qualidade que permitiram que ambos chegassem à final da Liga Europa com um futebol ofensivo. Mas as semelhanças entre ambos acabam aí. Os treinadores implementaram meios bastante diferentes para atingir seu objetivo.

O Athletic é o time coletivo. Marcelo Bielsa bagunçou o elenco, trocou muita gente de posição e reorganizou a equipe em um sistema bastante particular. Começou com o 3-3-1-3 que tanto gosta, mas virou mesmo o 4-2-3-1. Quer dizer, isso é o número que se coloca no começo do jogo para dar a escalação. Na prática, o time joga de forma mutante, com tanta movimentação que pode parecer um 4-3-3 ou um 3-4-3 ou um 4-4-2 dependendo do momento em que o observador parar para desenhar a distribuição dos jogadores bilbaínos em campo.

Na defesa, Iraizoz é um goleiro regular. Faz boas partidas, passa alguma segurança, mas está longe de ser um paredão. A sua frente, Javi Martínez se encontrou como zagueiro, ainda que possa também jogar bem de volante, sua posição de origem. Amorebieta é o outro zagueiro, e peca por exagerar no uso da força em alguns momentos. Aurtenetxe e Iraola são laterais que apoiam bem, sempre aparecendo para compor as jogadas de armação pelos lados.

No meio-campo, a formação básica é Iturraspe e Ander Herrera mais atrás, com De Marcos, Muniain e Susaeta na frente. Os últimos dois jogam abertos, e podem até pintar como pontas ou segundos atacantes. A referência ofensiva é Llorente.

Não é um time espetacular nos nomes. Javi Martínez é um grande jogador, Muniain e Susaeta têm muito potencial e Llorente é um atacante de respeito, que teria lugar em algumas das principais equipes da Europa. Ainda assim, não é nas individualidades que o Athletic constrói suas vitórias. É na troca de posição, na capacidade de manter a posse de bola e envolver o adversário para impor seu ritmo.

O problema do Athletic é que esse sistema exige muito fisicamente dos jogadores, que chegaram a dar sinais de desgaste – tanto físico, na velocidade, quanto psicológico, no nível de concentração – em momentos da temporada, sobretudo nos últimos meses. Esse foi um dos motivos de a equipe basca ter perdido fôlego na luta por um lugar na Liga dos Campeões pelo Campeonato Espanhol.

É uma situação bem diferente do Atlético de Madrid. Os colchoneros jogam no 4-2-3-1 também, mas aplica o sistema de modo oposto ao Athletic. É um time mais quadrado, em que os jogadores fazem o que se espera que eles fazem: Courtois fica no gol (OK, o goleiro não vai sair por aí fazendo tabela), Godín e Miranda formam uma dupla de zaga que ganhou força durante a temporada, Filipe Luis e Juanfran são laterais relativamente ofensivos (o segundo é meia de origem e tem boa saída de bola), Gabi e Mario Suárez são volantes, Diego arma pelo meio, Arda Turan arma pela esquerda, Adrián arma pela direita e Falcao García é o centroavante.

O Atlético de Simeone joga assim, sem muito segredo. Cada um faz sua parte, como a posição determina. O que faz a equipe conseguir seu objetivo não é a capacidade de surpreender taticamente. É a solidez proporcionada pelo entrosamento na defesa e as explosões individuais, sobretudo de Falcao García, Diego e Adrián, no ataque.

Em um duelo de dois 4-2-3-1 de perfis diferentes, levará vantagem quem conseguir levar a partida para a sua dinâmica preferida. O Athletic tentará se impor na posse de bola, mudando o ritmo do jogo de acordo com suas necessidades. O Atlético precisa de um jogo mais aberto e com jogadores mais espalhados pelo campo, o que lhe daria mais facilidade para acionar as figuras de mais poder de definição.

Independentemente do resultado, será interessante ver como dois times que atuam no mesmo esquema tático e têm técnicos que já trabalharam juntos (Bielsa treinou Simeone no Vélez e na seleção argentina) podem ser tão diferentes. Sinal de como a Liga Europa também pode ser interessante e relevante.

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