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Especial: Inter bicampeão – Parte I

Tudo podia ter acabado ali, em Quilmes. E teria acabado se o marcador de Andrezinho tivesse chegado mais junto; se um dos zagueiros tivesse marcado Giuliano mais de perto; se o meia tivesse errado o chute; se um dos zagueiros do Estudiante tivesse conseguido chegar à bola. Até mesmo se o jogo tivesse algo como três minutos a menos, o Inter teria ficado fora da Libertadores em Quilmes em maio, nas quartas de final.

Nada disso, entretanto, aconteceu, assim como não aconteceu um gol do Banfield em Porto Alegre que também teria eliminado o Colorado, ou um terceiro gol do São Paulo. O Internacional passou raspando algumas vezes, ams chegou lá, é bicampeão da Libertadores e, no final do ano, pode chegar a seu segundo Mundial. Vai ter gremista visitando terreiro desde já!

O começo: Fossatti parecia boa idéia

Desta vez, o Inter não pôde reclamar do grupo: na chave com Deportivo Quito, Emelec e um Cerro Porteño longe dos melhores momentos o Colorado ganhou todas em casa, e, fora, fez o necessário para ficar em primeiro, empatando as três. A principal novidade da equipe para a temporada estava no banco: o uruguaio Jorge Fossati, campeão da Recopa de 2009 em cima do próprio Inter e da Copa Sul-Americana do mesmo ano com a LDU, o uruguaio chegou ao Beira Rio com moral, e como um sopro de renovação, uma novidade em um futebol brasileiro desacostumado a técnicos “importados”.

Parecia que tinha tudo para dar certo, mas a verdade é que, desde o início, não deu. Desacostumado com a pressão da torcida e da mídia, Fossati não demorou a espanar. Não começou mal: venceu o Grêmio em seu primeiro Gre-nal, levou o time a uma invencibildiade de 31 jogos no Gauchão, mas, nas semifinais do primeiro turno, perdeu para o Novo Hamburgo.

Em março, no segundo turno, a coisa desandou. O Inter perdeu de 3 a 0 para o São José, em jogo em que Fossati se estranhou com Argel, treinador do “Zequinha”, e do Caxias, e acabou a primeira fase em terceiro no grupo. Nas quartas, passou raspando pelo Novo Hamburgo, e, sem enfrentar o Grêmio, venceu o turno. O confronto com o rival, porém, veio na final do campeonato, e acabou mal: derrotado em casa por 2 a 0, o Colorado venceu no Olímpico, mas ficou sem o troféu.

Fosse na Azenha e talvez tivesse caído o treinador. No Beira Rio, porém, até Tite foi mantido, e não seria diferente com o uruguaio. Enquanto perdia o estadual, o Inter fazia o básico na Libertadores: estreou vencendo o Emelec em casa, empatou as duas seguintes fora de casa, venceu o Cerro, empatou com o mesmo Emelec no Equador e acabou a primeira fase derrotando o Deportivo Quito em casa com tranquilidade para garantir a primeira posição e uma certa tranquilidade nos mata-matas.
Crise deflagrada, e demissão anunciada

Tranqulidade teórica, é verdade. Na mesma semana em que levava 2 a 0 do Grêmio em casa e se consolava com a desculpa de que o que importava era a Libertadores, o Colorado voltou de Banfield com um amargo 3 a 1 na bagagem. Apesar de ter conseguido segurar os argentinos por todo o primeiro tempo, o time de Fossati levou um gol no começo do segundo. Kleber empatou logo em seguida, mas, na sequencia, fez a falta que resultou no segundo gol – irregular – do Banfield, e foi expulso.

No Beira Rio, o Colorado suou, mas não intensamente. O 2 a 0 veio no início do segundo tempo, e não houve nenhuma chance de gol para o Banfield depois disso. O Inter se classificava, e Fossati voltava ao lado de cima da gangorra.

O próximo adversário, entretanto, seria ninguém menos que o campeão da Libertadores. E, no jogo de ida, o torcedor sofreu. O gol do 1 a 0 veio aos 42 do segundo tempo de um jogo em que o Colorado foi dominado no primeiro tempo, e não soube fugir da marcação no segundo. O coração, porém, sofreria até o final.

O Inter não levou gols, mas saiu de Porto Alegre “por baixo”. E, em Quilmes, onde o Estudiantes mandou seu jogo, levou duas pancadas já no início. Aos 20 minutos de jogo, o Estudiantes já fizera o 2 a 0 que lhe dava a classificação. Os argentinos, porém, acreditaram demais na capacidade de manter o placar. Contaram com a ajuda de Fossatiu, que demorou a mexer. Mas, no final, acabaram punidos.

Foi em Quilmes que o inter quase ficou fora, e foi por lá também que surgiu o talismã. Aos 43 do segundo tempo, Andrezinho lançou Giuliano, que entrar pouco antes, e o meia marcou o gol da classificação. No final da partida, houve briga, mas, para o Inter, nada mais interessava. O encontro com o São Paulo estava marcado para depois da Copa.

O time tinha um novo candidato a herói, mas teria que mudar no comando. Sob Fossati, o Inter teve bons momentos, mas não teve consistência. Acabou classificado para a semifinal muito mais por incompetência do adversário e estrela de seu herói do que por méritos táticos ou de motivação de seu treinador. Fossati, que desde o início arrumou briga com a imprensa local, então já era carta fora do baralho. A imprensa não o queria, a torcida não confiava nele e os jogadores não pareciam especialmente interessados em ajudá-lo a ficar.

Se segurara Fossati por entender que o time poderia sofrer com uma mudança repentina, agora a direção colorada tinha mais de mês pela frente para demitir, contratar o novo comandante e fazê-lo treinar o time. Era a senha para a mudança. Após a Copa, seria outro o Inter que buscaria de novo o topo do continente.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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