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“Espanha joga o melhor futebol”

Ao lado de Emilio Butragueño, ele era a grande referência ofensiva da Espanha nos anos 1980 e inicio dos 90. Julio Salinas bateu um papo conosco sobre sua experiência em três Copas do Mundo, futebol espanhol e as semelhanças entre o Barcelona que ele fez parte nos anos 90 e a atual equipe catalã – campeã de tudo que disputou em 2009. Dono de uma longa carreira e 16 troféus conquistados, o atual comentarista de TV é um tipo que se entrega facilmente a uma conversa sobre futebol. ‘Salikas’ também fala de Cruyff, Romário e Maradona. Imperdível! 

A Espanha nunca foi tão favorita para uma Copa do Mundo como agora. Como você analisa o cenário competitivo para o próximo Mundial?
Espanha é favorita porque é a que melhor joga com a bola nos pés. Além de Brasil, Itália e Inglaterra. Também seria ingênuo deixar Argentina e França fora desse bloco. Apesar de não estarem vivendo um bom momento, crescem dentro de um torneio importante como o Mundial.

Você participou de três Copas do Mundo (1986, 90 e 94), ou seja, três projetos espanhóis de futebol guiados por comandantes diferentes: Miguel Muñoz, Luis Súarez e Javier Clemente. Conte-nos sobre cada um deles.
No Mundial de 86 Miguel era um treinador que deixava o protagonismo para os jogadores. Tinha muito caráter. Ele estava em final de carreira (faleceu em 1990) e mesclou jovens e veteranos. Com Luis Suarez no Mundial de 90 havia uma relação mais próxima, quase paternal. Ele era extremamente simpático e agradável. Em ambos os casos tínhamos grandes seleções, mas não soubemos ganhar. Depois disso, com Javier Clemente, tivemos as melhores possibilidades. Em seis anos de trabalho (1992-98) ele foi o que melhor conseguiu ajustar o grupo de jogadores. Eram praticamente os mesmos futebolistas, assim ele formou uma verdadeira equipe. A amizade era o símbolo daquela geração. Infelizmente não conseguimos troféus…

 “Nos anos 1980 e 90 o futebol era mais igualado. Como só eram permitidos três estrangeiros por equipe, as diferenças entre elas eram pequenas”

Uma discussão muito comum na imprensa especializada tem sido as inevitáveis comparações entre o “dream team” do Barcelona nos anos 90 – que você jogou – e a equipe atual que ganhou todos os troféus que disputou em 2009.
São sistemas diferentes. Nós jogávamos com três centrais, que era até um pouco revolucionário, mas em termos de espetáculo ambas são do mesmo nível. A diferença que prefiro destacar é que na nossa época o futebol era mais igualado. Como só eram permitidos três estrangeiros por equipe, as diferenças entre elas eram pequenas; clubes menores da liga espanhola e das Copas européias poderiam criar mais problemas. Hoje o dinheiro tem distanciado cada vez mais os grandes dos menores.

“Cruyff tinha uma visão brilhante de futebol”

Você entrou num assunto bom. Você estava no último título nacional do Athletic Bilbao em 1984. Ainda é possível acreditar que um clube basco vença novamente a liga espanhola?
É muito difícil. Nada é impossível, mas não acredito que isso aconteça. A Real Sociedad nem está na elite e o Athletic Bilbao apesar de sempre formar excelentes jogadores está cada vez mais distante de Barcelona e Real Madrid. Até mesmo Atlético de Madrid, Valência e Sevilla têm mais chances de triunfar. A Copa do Rei é o único troféu acessível ao Bilbao.

Voltando a falar de Barcelona. Como foi trabalhar seis anos com Johan Cruyff?
Um grande prazer! Ao contrário dos treinos convencionais da época que eram mais voltados para o trabalho de força, Cruyff nos deixava fazer o que nós jogadores mais gostamos: treinar com bola! Nos divertíamos, era um prazer sair de casa e ir treinar. Cruyff tinha uma visão brilhante de futebol. Ele também era um tipo que tinha muito caráter, mandava no clube e era bastante respeitado pelos meios de comunicação.

Sua carreira durou quase 20 anos (1981-2000). Quais os futebolistas que mais te impressionaram?
Maradona foi o número 1 e sinceramente não teremos outro igual. Ele tinha absolutamente tudo! Jogou quatro Copas do Mundo em grande nível e por muito pouco não ganhou quase todas elas. Ele também revolucionou um clube pequeno como o Napoli. Por mais que apareçam Ronaldinhos e Messis, não acredito que alguém vá repetir o Maradona.

“É muito difícil para um clube profissional de futebol administrar um jogador como o Romário”

E entre os que jogaram com você?
(Sem titubear) Romário, Romário! Ele era espetacular! Infelizmente ele não gostava do trabalho como equipe, tinha seu jeito de ser e um caráter muito forte. Realmente ele não gostava de treinar, era individualista e complicado. É muito difícil para um clube profissional de futebol administrar um jogador como ele. Também foi muito especial ter sido companheiro de Mauro Silva no Deportivo La Coruña. Ele era a antítese do Romário. Mauro tinha um grau de profissionalismo notável.

Guardiola ou Xavi?
Cada um foi importante dentro da equipe que jogou. Guardiola era mais elegante, tinha excelente passe e era um típico ‘4’ com grande talento organizador. Já o Xavi tem maior vocação ofensiva, é um médio de segunda linha no meio-campo, escapa mais para o ataque e marca gols.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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