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Eric: “Jogar pela Romênia seria uma grande oportunidade”

Do quase anonimato e das poucas oportunidades no Brasil à fama em outro país. O enredo é cada vez mais frequente entre os jogadores brasileiros, que, sem muitas possibilidades de vingar na terra natal, acabam imigrando e construindo uma carreira sólida. Alguns deles se tornam ídolos em suas “novas pátrias”, e esse é o caso do meia-atacante Eric de Oliveira Pereira.

Aos 25 anos, o meia-atacante tentou a sorte em quatro clubes brasileiros. Revelado nos juniores do Flamengo, passou por CFZ-DF, Paraná Clube e Metropolitano-SC. No clube catarinense, se destacou em amistosos na Europa e chamou a atenção do Gaz Metan, da segunda divisão da Romênia, que o contratou por empréstimo até julho de 2011.

De lá para cá, o clube só cresceu, subiu para a primeira divisão e ficou com a sétima posição, classificando-se para a Liga Europa por causa do rebaixamento do Timisoara, vice-campeão, em razão do acúmulo de dívidas. A primeira partida da segunda fase preliminar acontece nesta quinta-feira, contra o KuPS, da Finlândia. Eric também evoluiu nesses quatro anos e tornou-se um dos principais jogadores do país, terminando a última temporada como vice-artilheiro do Campeonato Romeno com 15 gols, além de ter dado nove assistências e sido eleito o melhor jogador estrangeiro da competição, além de ter sido apelidado de Ronaldinho de Medias, por causa da vasta cabeleira que ostentava quando chegou na cidade.

A adaptação do meia no país foi tão boa que ele casou recentemente com Diana Cosmina, atleta de handebol, o que permite que ele se naturalize e possa defender a seleção romena. A campanha no país é forte para que isso aconteça e, em entrevista para a Trivela, Eric falou sobre essas possibilidades, a carreira e as perspectivas para o futuro e as sondagens de outros clubes da Europa, entre outros assuntos. Confira:

Desde que você chegou ao Gaz Metan, seu desempenho vem melhorando temporada após temporada. Isso se deve ao processo de adaptação ou houve alguma mudança de posicionamento?
Cheguei ao Gaz Metan em 2007 quando o clube estava na segunda divisão e lutava para subir. Sempre joguei como meia e terminei a temporada com 11 gols. Creio que a adaptação rápida que tive aqui me ajudou muito a melhorar meu desempenho, pois aprendi o idioma com dois meses e me sinto muito bem por aqui. O clube tem um projeto de terminar o próximo campeonato entre os seis primeiros colocados.

Você está recém-casado e já tem uma vida estabelecida na Romênia. Pensa em se mudar de clube, ou de país? Já recebeu propostas?
Estou sim pensando em mudar de clube, pois terminei o Campeonato Romeno como vice-artilheiro e sinto que esse e o momento de buscar novos desafios na carreira. Tenho algumas propostas boas e estou estudando junto com meu empresários qual será a melhor opção para o futuro.

O Gaz Metan é situado em Medias, uma cidade industrial com população reduzida. Como é a torcida do clube e sua relação com ela?
Medias e uma cidade bem medieval, aqui na Romênia o pessoal ainda vive muito sobre a pressão do comunismo que acabou há 22 anos. Aqui realizei muitos sonhos de infância, pois na segunda divisão, já no terceiro jogo, todos gritavam meu nome,estava dando autógrafos para todos e tirando fotos. O mais engraçado eram as crianças em frente ao meu apartamento discutindo quem seria o Eric no futebol de rua deles. A Romênia ja teve craques consagrados, eu estava na segunda divisão eles estavam discutindo para ver quem era eu.

Como você vê a perspectiva de atuar na seleção romena?
Realmente seria mais uma aventura nova na minha carreira e me sinto no dever de aceitar, pois a Romênia fez muito por mim. Sinto que aqui sou amado por todos e vejo nos olhos deles a vontade de eu poder atuar pela seleção. Já estou aqui há quatro anos e agora, com o casamento, espero obter minha cidadania romena em breve, o que fará com que eu possa jogar no momento certo.

Os resultados da seleção romena não tem sido bons nos últimos anos. Porquê, na sua opinião, isso vem acontecendo?
A Romênia tem uma carência muito grande na formação de jogadores. Depois da geração do Hagi, os resultados não foram mais tão bons. Aqui, vão para a seleção aqueles que jogam em equipes grandes do país, mas há muitos jogadores romenos em times médios que poderiam ser convocados.

Vários jogadores brasileiros já foram vítimas de racismo na Europa. Você já sofreu com isso? Como é essa situação na Romênia?
Já sim e ainda sofro por ser negro. Não quero que meu filho (Derec, está com o nascimento previsto para o dia 20) passe por essa situação. Aqui somos chamado de macacos, ciganos, sobretudo quando jogamos bem e incomodamos os adversários. É importante dizer, porém, que é uma atitude de poucas pessoas, pois aqui na Romênia todos gostam de mim, por isso nunca reclamei em público sobre esse assunto. Não ligo para essas coisas, pois somos todos iguais, o idioma do futebol é universal e eu jamais vou deixar de fazer o que amo por isso.

Em 2010, cogitou-se também a naturalização do Moraes, ex-Santos, que fez sucesso no Gloria Bistrita e hoje está no futebol búlgaro. Ainda se fala sobre isso no país?
Claro, pois o Moraes chegou na romenia fazendo chover, jogando realmente muito bem, e eles falam em naturalizar jogadores jovens de valor. O Moraes é mais um jogador talentoso que chegou aqui e escreveu seu nome na história no futebol romeno. É um cara querido por todos, além de ser meu amigo. No Brasil não temos muita oportunidade, então acho que esse seria uma maneira de crescer na carreira, tanto para mim quanto para ele.

Você pensa no futuro em voltar ao Brasil ou quer ficar na Romênia mesmo após o fim da carreira de jogador?
Penso sim em um dia atuar em um time do Brasil, pois queria jogar para minha familia e amigos verem. O Brasil e meu sonho de consumo pois sempre quis ficar no país, nunca quis sair. Já estive perto de voltar e tenho fé em Deus que vou receber propostas boas, quem sabe de um time do Rio? (N.R: Eric nasceu em Nova Iguaçu-RJ).

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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