Emerson: “A responsabilidade é nossa”

Este domingo, 22 de outubro, será especial para Emerson. O ex-volante da Juventus e da Seleção Brasileira jogará seu primeiro Real Madrid x Barcelona, considerado o mais importante clássico do futebol mundial.
Pelas circunstâncias atuais – Barça líder, Real em quinto, cinco pontos atrás do rival –, o jogo no Santiago Bernabéu terá um caráter de motivação especial para uma equipe que tem feito boas partidas na Liga dos Campeões, mas que não pára de tropeçar no Campeonato Espanhol.
“Parece que falta motivação”, conta Emerson, nessa entrevista exclusiva para a Trivela, às vésperas da partida. O volante falou também sobre as críticas que vem recebido da imprensa espanhola: “Parece que preferem mais três anos de espetáculo, mesmo sem ganhar nada”, afirma.
Confira abaixo a entrevista
Nos últimos superclássicos, o Real Madrid pecou exatamente pela falta de marcação no meio-de-campo. O Capello já passou alguma orientação especial para segurar gente como Deco, Xavi e Ronaldinho?
Ainda não, pois jogamos na terça e não fizemos nada na quarta e na quinta. Só nesta sexta é que treinamos mais do que nos outros dias. No sábado é que veremos todas essas questões.
Por que o Real Madrid tem ido tão bem na Liga dos Campeões e no Campeonato Espanhol tropeça tanto?
Pois é… Sabe que às vezes até conversamos sobre isso? Nos perguntamos se o elenco não está desmotivado para jogar o Campeonato Espanhol. Às vezes vamos jogar com equipes como o Getafe – sem querer desmerecer –, mas não é a mesma coisa que jogar uma Liga dos Campeões. Pode até ser isso, mas não dá para entender essa história de irmos tão bem na LC e no campeonato não consigamos jogar.
Como está a expectativa para seu primeiro superclássico espanhol?
Muito grande. A gente sabe que é o jogo que todo mundo espera no mundo inteiro. Acho que o mais importante será pela situação na tabela. Temos a responsabilidade de ganhar, pois o Barcelona já está um pouquinho na frente. Além disso, temos de nos recuperar de uma derrota que tivemos no outro fim de semana. Dá para dizer que a responsabilidade é toda nossa.
O Real está sem o Cicinho e sem o Salgado. Isso faz alguma diferença na hora de marcar um jogador como o Ronaldinho?
No último jogo nós improvisamos o Ségio Ramos. Quer dizer, não improvisamos, pois na seleção ele vem jogando assim. Aqui ele tem jogado como zagueiro, mas quando jogou pela lateral foi muito bem. Ou seja: se tivermos mais alguém ali para marcá-lo, até ajuda.
O Real está sem o Ronaldo e o Barcelona sem o Eto’o. Quem perde mais?
Acho que perdem as duas equipes e o público, que gostaria de ver os dois jogadores. A gente sabe que o Eto’o vinha jogando, sofreu uma lesão e parece que só volta no ano que vem. Por isso, é diferente. O Ronaldo, nesses últimos jogos não vinha jogando, estava se recuperando de uma lesão no joelho. Ele é importante para a gente e não vai jogar por um motivo que ninguém entendeu, que foi aquele cartão.
Suas atuações têm sido criticadas aí na Espanha. Chegaram a dizer até que você só tem se mantido no time titular por causa do Capello. O que está acontecendo contigo?
Nos últimos jogos isso mudou um pouco. O pessoal aqui não está acostumado a jogar com dois volantes. Até pela mentalidade, que é bem diferente à que estou acostumado do futebol italiano. Às vezes parece que querem mais três anos de espetáculo, mesmo sem ganhar nada. A gente sabe que o Capello não é desse jeito. Ele está tentando arrumar. Temos cinco ou seis jogadores novos, que chegaram este ano. Não vai ser de uma hora para a outra que o time vai se acertar. Acho que nesse pouco tempo que tive para me adaptar, eu e os outros que chegaram já puderam ver como são as coisas aqui. Os que já estavam também começam a entender a mentalidade do treinador. Aqui, parece que todo mundo tem que jogar no ataque, mas não é assim. Cada um tem de ter uma função: um a de marcar gols, outros a de marcar. Acho que isso só acontece por ser o Real Madrid, onde há uma pressão muito grande. Precisam ter calma.
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