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“É hora de esquecer as desculpas”

por Mayra Siqueira e Ubiratan Leal

Depois de conquistar a Copa do Brasil de modo convincente, o Corinthians ganhou status de forte candidato ao título do Campeonato Brasileiro. Pouco mais de um mês depois, a equipe se arrasta. Sem vencer há cinco partidas e na 11ª colocação, o time não consegue superar a perda de alguns jogadores para o exterior, bem como a sequência de contusões e suspensões.

Mas falar nos problemas é justamente o que o clube precisa parar de fazer. Essa é a opinião do volante Edu, até o momento o principal reforço alvinegro nesse meio de temporada e fortemente identificado com a torcida. “Todos os jogadores precisam assumir um pouco a responsabilidade de trabalhar para a boa fase voltar”, comentou em entrevista à Trivela.

O jogador, ex-Valencia, ainda diz que o elenco não desistiu do Brasileirão, como teria dito o técnico Mano Menezes após a derrota para o Flamengo, no último domingo. “Ele só foi realista de acordo com a situação atual do campeonato. Perdemos muitos pontos e ficamos para trás, mas isso não significa que ele e os jogadores não pensam mais no título”.

Após a derrota para o Flamengo, o Mano Menezes disse que o Corinthians já está fora da briga pelo título do Brasileiro. Você concorda?
Foi uma declaração pessoal, que foi interpretada de maneira errada. O Mano é um treinador inteligente e experiente, não diria isso à toa. O Campeonato Brasileiro é um campeonato de pontos corridos: qualquer sequência de três vitórias, ou de derrota, já te joga pra cima ou pra baixo na tabela, é uma coisa natural. Ele não jogou a toalha. Ele só foi realista de acordo com a situação atual do campeonato. Perdemos muitos pontos e ficamos para trás, mas isso não significa que ele e os jogadores não pensam mais no título.

Houve uma queda natural do Corinthians com as saídas de André Santos, Cristian e Douglas. Desde então, a torcida fica na esperança do “agora o time começa a reação”, o que ainda não aconteceu. Vocês, no elenco, trabalham com algum prazo?
Não existe prazo. Tem de haver uma evolução natural e uma hora o time volta a jogar bem e os resultados aparecem. Nos últimos jogos, o time já esteve melhor, mas tem dado um pouco de azar. Tivemos oportunidades para ganhar do Avaí e não merecíamos ter perdido do Náutico. Então, mais hora, menos hora, essa reação acaba acontecendo naturalmente.

Além dos jogadores vendidos, o Corinthians tem sofrido muitas contusões. Há um certo esgotamento e quanto isso tem prejudicado o time?
Na verdade, é uma série de azares que tem se somado, mas não é só contusão. Temos tido muito jogador suspenso. O Elias não jogou um jogo, o Dentinho ficou de fora contra o Náutico, o Jorge Henrique não entrou contra o Flamengo. Então, se você soma isso às contusões, o time fica muito desfalcado. Claro, fica mais difícil trabalhar, se preparar para a recuperação.

No último jogo, o Mano colocou a equipe com três volantes, algo que não vinha fazendo. Foi uma medida pontual ou o Corinthians pode estar mudando seu modo de jogar?
O Mano vê o que tem em mãos e monta o time de acordo com isso. No momento, a gente perdeu muito jogador do meio para a frente. Então, é natural que ele acabe buscando uma formação que se encaixe melhor com quem está à disposição. Mas, no momento em que o time se recompor, é provável que o Mano passe a montar de acordo com as características dos jogadores que ele tiver. Esse intervalo de uma semana sem jogos será fundamental para isso.

A janela do mercado não atrapalha os times só porque leva jogadores, mas porque mexe com a cabeça dos que ficaram. As especulações em torno do nome de jogadores como o Felipe, o Chicão, o Elias e outros não pode estar atrapalhando o Corinthians?
É hora de a gente esquecer as desculpas. Não dá mais para ficar tentando justificar os maus resultados. Não somos um em campo, somos 11, somos um grupo, somos o Corinthians, e não o Edu, o Chicão, o Dentinho. Todos os jogadores precisam assumir um pouco a responsabilidade de trabalhar para a boa fase voltar. No Corinthians, a pressão é sempre grande e não dá para esperar a janela do mercado fechar para voltar a jogar bem.

Com a contusão do Ronaldo, você é o jogador com mais experiência no time atual. Você se sente um pouco com a responsabilidade de liderar a equipe?
Realmente, eu sou o mais experiente agora. Mas eu acabei de chegar. Não posso entrar no time e já sair falando para todo mundo o que fazer. Eles vão olhar para mim e pensar: “quem esse cara pensa que é?”. Até porque o time já tem jogadores com espírito de liderança e mais tempo de casa, como o William, o Chicão. Claro que eu passo orientações dentro do que eu achar necessário, mas a liderança tem de ser conquistada pouco a pouco.

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Equipe Trivela

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