É ano de Copa, e de figurinhas

A Copa do Mundo guarda uma série de momentos inesquecíveis: as eliminatórias, o sorteio dos grupos, a divulgação da camiseta das seleções, o primeiro jogo. Mas existe algo que só alguns apaixonados aproveitam. É a hora de colecionar o álbum de figurinhas da Copa.
Normalmente a história começa na infância. Os pais são responsáveis por comprar os “pacotinhos” de figurinhas. Depois é vez de trocar as repetidas e bater bafo com os colegas. Mas a paixão pode durar por muito tempo, e os marmanjos não perdem a chance de completar mais um álbum da coleção.
Apesar de o hábito de colecionar figurinhas ser bem antigo, a Copa do Mundo entrou na dança em 1970, quando a editora italiana Panini lançou seu primeiro álbum sobre o evento. Para não deixar o passado em branco, o livro foi introduzido com figurinhas em homenagem aos Mundiais anteriores — o que se repetiu na edição seguinte. Há preciosidades como Leônidas em 1938, Ghiggia, em 1950, Puskas, em 1954, Garrincha, em 1962, e Eusébio, em 1966. Depois da nostalgia, era vez de apresentar as seleções. Os cabeças-de-chave e algumas equipes mais importantes vinham com 14 jogadores. As demais traziam apenas figurinhas de 11 atletas.
Quatro anos mais tarde, o álbum foi ainda mais longe na disparidade entre as seleções. As principais equipes, além de 20 atletas, ainda tinham figurinhas do técnico e do presidente da Confederação Nacional — a foto de João Havelange é impagável. Os outros times tinham 14 atletas e, algumas seleções, apenas seis. Mais novidades compunham o livro da Copa da Alemanha. Foi a primeira vez que os estádios foram fotografados. Outra inovação foi a inclusão de figurinhas das seleções mais importantes que não se classificaram para a Copa, como Inglaterra e Portugal. A ideia permaneceu na edição seguinte.
Mas a inclusão dos mascotes das seleções foi polêmica— foi o único álbum de Copas com mascotes de todos os times. E não é loucura pensar que o preconceito foi um dos motivos para acabar com os mascotes. Na seleção de Zaire, por exemplo, um garotinho com uma lança em punho foge de um Leão. Algo bastante ofensivo. Mas os mascotes oficiais do Mundial, Tip e Tap, fizeram sucesso. Na 10ª página, a dupla monta um “book” com nove figurinhas, sempre com uma ação de jogo diferente. Outra boa sacada daquele ano foi a inclusão de imagens das cidades sede. A partir dessa edição, o número de atletas por seleção foi padronizado.
Em 1982, tem início a fase dos álbuns mais coloridos, com alguns cromos prateados para apresentar o símbolo, a taça e o mascote oficial da Copa, o Naranjito. Um toque especial no álbum da Espanha são as figurinhas artísticas, com imagens estilizadas de todas as sedes do Mundial. Aparecem também as figurinhas divididas com dois jogadores. Apesar de todas as equipes apresentarem 16 atletas, algumas de menor expressão são formadas com oito figurinhas, com dois jogadores em cada.
Em 1986, o álbum define o caráter de qualidade gráfica. As figurinhas passam a ter melhor nível de definição e as páginas do álbum passam a ser coloridas. O que é aperfeiçoado na Copa de 1990. O álbum do Mundial da Itália, aliás, traz uma curiosidade. A seleção da Colômbia, com os folclóricos Valderrama e Higuita, posou com a segunda camisa, a vermelha. Mais uma vez o mascote da Copa teve participação importante no livro. Ciao aparece em 10 figurinhas distribuídas pelas primeiras páginas do álbum.
O álbum de 1994 foi um marco. Pela última vez era preciso usar cola para grudar as figurinhas — a partir dali, os cromos passaram a ser autocolantes. A qualidade das imagens crescia cada vez mais, porém os erros passaram a ser mais constantes também. Na seleção brasileira, por exemplo, Evair e Palhinha (que não foram ao Mundial) apareceram no álbum. Em compensação, Leonardo e Mazinho, titulares da seleção, não fizeram parte do livro.
Em 1998 foi a vez de Romário aparecer no álbum sem ter participado da Copa. Dunga, capitão da seleção, não virou figurinha naquele ano. Foi neste álbum que as fotos posadas ficaram mais evidentes.
No livro da Copa de 2002, três seleções chamaram mais atenção. Os atletas da Espanha aparecem nas figurinhas com a camisa de seus times e não da Fúria. A foto da seleção completa é substituída pelos rostos dos jogadores. O mesmo acontece com as seleções da Irlanda e da Inglaterra, com a diferença de que os atletas foram fotografados com camisas completamente brancas. A última edição do álbum, 2006, foi mais uma com evolução gráfica impressionante.
Para os aficionados por colecionar os álbuns da Copa, a expectativa já é grande — o álbum deve chegar às bancas brasileiras em maio deste ano. Será hora de ver as novidades da nova edição, os grandes erros e as principais qualidades.


