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Dupla dinâmica na África

Eles estão de volta e desta vez na África. O técnico inglês Stephen Constantine e o preparador de goleiros brasileiro Rogério Ramos estrearam pela seleção do Sudão no empate em 1 a 1 com Mali pelas Eliminatórias africanas para a Copa do Mundo de 2010. A dupla já havia trabalhado junta pela seleção da Índia entre 2002 e 2005. Motivados com o novo desafio na carreira, ambos concederam uma entrevista para falar da estréia e do futebol sudanês. Confira!

 

Por quais razões é possível acreditar que o Sudão pode bater Mali, Benin e Gana e carimbar o passaporte para a próxima Copa do Mundo em 2010?
Stephen – Antes de qualquer jogo, eu acredito que podemos derrotar qualquer um. Apesar de sermos considerados ‘underdogs’ e não termos jogadores atuando fora do país, eu penso que temos condições de causar alguns estragos e no mínimo incomodar os rivais.

Sobre esse último jogo contra Mali, o que achou do adversário, que tem figuras importantes na Europa como Seydou Keita e Kanouté?
Stephen – Eu não tenho interesse nos jogadores rivais, eu só observo os meus jogadores e vi que fomos muito bem contra eles (1 a 1). Nós devíamos ter vencido esse jogo, perdemos uma grande chance no finalzinho da partida.

Qual a sua análise do futebol sudanês no âmbito clubístico?
Stephen – Realmente existem bons jogadores, mas somente dois clubes fortes e por conta disso a competitividade muitas vezes se perde.

Você assistiu recentemente o dérbi sudanês entre esses dois ‘gigantes’ Al-Hilal e Al-Merreikh. Quais foram suas impressões?
Stephen – Suas duas equipes que praticamente se equivalem, mas taticamente ambos são fracos.

Quase todos os jogadores da seleção atuam por essas duas equipes. O que nos faz pensar que você não está vendo problemas de entrosamento no Sudão.
Stephen – Bem, isso é bom e ao mesmo tempo ruim. Na verdade eu gostaria de ter mais jogadores atuando em outras equipes, mas isso não chega a ser um grande problema.

Haitham Mustapha e Faisal Agab – ainda na ativa aos 40 anos – são os principais futebolistas sudaneses. Como foi o seu primeiro diálogo com eles?
Stephen – Eu não sou do tipo que se importa com o passado dos meus jogadores. Eu me interesso pelo que eles podem fazer agora e se fizerem o que eu preciso, eles jogam no meu time independente da idade ou reputação. Hytham é o nosso capitão e jogou a última partida contra Mali pelas Eliminatórias, mas Faisal não está nos meus planos. Ele foi um grande jogador, mas não interessa para o futuro.

Para o progresso do futebol no Sudão está faltando jogadores no exterior. Mas isso é o mais importante?
Stephen – Sim, eu penso que ajudaria os próprios jogadores e a seleção e todos veriam que podemos conseguir bons resultados contra grandes seleções.

Rogério, como avalia os goleiros sudaneses? Eles tem mais condições físicas e técnicas do que os indianos?
Rogério – Não tenho dúvidas que sim. Possuem altura, 1,90m em média, estrutura física destacada e atributos naturais necessárias para a posição, mas procedem de uma escola técnica não muito boa, o que limita muita a sua condição geral técnica-psicológica. Acredito que possamos em um curto período colher bons resultados a medida que forem assimilando o trabalho. Posso afirmar com certeza que estão bem acima do nível dos goleiros indianos…

Você já conversou com os outros jogadores e técnicos brasileiros que atuam no Sudão? O que eles te contaram e o que você tem achado do futebol sudanês?
Rogério – Já conversei com os brasileiros que trabalham no Al-Hilal, time da capital Cartum, e pudemos trocar idéias das coisas por aqui. É sempre bom ter brasileiros por perto, te confesso que estou até surpreso com o futebol sudanês, jogadores com qualidade e força física, e também certa personalidade. Muitos deles, acredito, poderiam jogar em países de mais expressão. Os clubes daqui têm uma estrutura aceitável e oferecem condições de trabalho muito boas, tem sido uma agradável surpresa. As dificuldades ficam por conta do calor (região de deserto) e pela falta de atividades sociais com as quais a gente esta acostumado, já que o pais é muçulmano e a gente ainda conhece muito pouco das coisas por aqui…

 

 

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Equipe Trivela

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